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MADRID 17 mar. (EUROPA PRESS) - Os membros da comissão do Congresso argentino que investigaram, até novembro de 2025, o caso de corrupção envolvendo a $LIBRA — criptomoeda cujo valor cresceu exponencialmente após ser promovida nas redes sociais pelo inquilino da Casa Rosada, Javier Milei, e depois sofreu uma queda abrupta, provocando perdas milionárias — anunciaram nesta segunda-feira que denunciarão o promotor responsável pelo caso, Eduardo Taiano, por suposta “obstrução” da investigação.
“Na qualidade de promotores e ex-membros da Comissão Investigativa sobre a criptomoeda $LIBRA, concordamos em denunciar o promotor Taiano perante o Tribunal de Disciplina do Ministério Público e solicitar sua afastamento do caso por obstrução da investigação”, precisou o ex-presidente dessa comissão e atual deputado da Coalizão Cívica ARI, Maximiliano Ferraro, em coletiva de imprensa.
Ferraro fez esse anúncio mostrando-se convencido de que “o presidente da nação foi protagonista e participante mais do que necessário no caso $LIBRA”, por isso insistiu na importância de que o chefe de Estado argentino responda “perante a Justiça e o Congresso”, dadas as provas que “confirmam a responsabilidade política” e a participação “premeditada”.
“A verdade que emerge das provas é contundente e confirma o que vínhamos apontando e documentamos no relatório final da Comissão Investigativa: houve uma coordenação direta entre os operadores marginais do mundo das criptomoedas e o círculo mais próximo do presidente, que utilizou seu cargo e poder para impulsionar a criptomoeda em troca de pagamentos milionários”, destacou o deputado.
Além disso, Ferraro adiantou que solicitarão, por meio de “pedidos de informações” por escrito ao Executivo nacional, que o presidente argentino, sua irmã e secretária da Presidência, Karina Milei, e os funcionários que estabeleceram contato com o empresário Mauricio Novelli — apontado como um dos intermediários entre os impulsionadores da criptomoeda e o presidente — “dêem explicações sobre o conteúdo de suas conversas telefônicas” com Novelli no dia do lançamento da $LIBRA. INTERPELAÇÕES E LIBERDADE DE IMPRENSA
Também sinalizou que promoverá a interpelacão do chefe de Gabinete Manuel Adorni e de Karina Milei, ao mesmo tempo em que solicitou a “constituição de uma comissão ad hoc” para o acompanhamento “permanente” dos “avanços e retrocessos” do processo judicial que investiga os fatos relacionados a essa criptomoeda, além de avaliar uma “segunda etapa investigativa da Comissão $LIBRA na Câmara dos Deputados e continuar delimitando as responsabilidades políticas do presidente Milei e de seus funcionários no caso”.
Por outro lado, o deputado defendeu que a Câmara dos Deputados “repudie” os “ataques” do presidente Milei “contra a imprensa e os jornalistas que divulgaram as novidades relevantes do processo judicial”, colocando, nesse sentido, o foco na necessidade de que o Poder Judiciário atue como “garante” da liberdade de imprensa e na importância de “alertar e denunciar” a “grave perseguição judicial” que, lamentou, sofreu a jornalista Natalia Volosin.
Após o anúncio dos deputados, o ministro da Justiça, Juan Bautista Mahiques, qualificou em entrevista à emissora de televisão argentina A24 como “imprudente” falar “com tanta leveza” de que o presidente “é culpado de um crime sem ter sido, sequer, indiciado em um processo, e ainda mais quando se trata do presidente da nação”.
Vale lembrar que a investigação do caso da criptomoeda $LIBRA revelou um documento contratual que estabelece um pagamento de 5 milhões de dólares em troca do apoio público de Milei a esse token. O documento estava no bloco de notas do celular de Novelli e previa três pagamentos: um adiantamento de 1,5 milhão, outro de igual valor pela promoção da $LIBRA nas redes sociais e um pagamento final de 2 milhões de dólares, vinculado à assinatura de um contrato posterior.
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