MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
O delegado do governo em Madri, Francisco Martín, criticou nesta quinta-feira a recente decisão da prefeitura de Pozuelo de Alarcón de fechar o Centro de Recepção, Atendimento e Encaminhamento de Migrantes (CREADE) por falta de licença, e denunciou que se trata de "um exercício de racismo preventivo", justamente no momento em que o governo central iniciará a distribuição de migrantes, à qual a prefeitura de Madri se opôs.
Martín fez esses comentários em entrevista à RNE, na qual enfatizou que os números de migrantes a serem recebidos por cada Comunidade Autônoma ainda não são oficialmente conhecidos, razão pela qual ele considera que o assunto não foi tratado com a seriedade que corresponde às administrações controladas pelo Partido Popular, como a Comunidade de Madri e a Prefeitura de Pozuelo de Alarcón.
No entanto, ele enfatizou que, até o momento de suas declarações, o Ministério da Inclusão, Seguridade Social e Migração não havia recebido "nenhuma comunicação formal" sobre a decisão do Conselho Municipal de Pozuelo, acusando assim o PP de estar ciente "das manchetes" e "seguir" o que "os ultras" apontam para eles, em vez de trabalhar no assunto.
Os argumentos apresentados pela Prefeitura de Pozuelo para o fechamento do centro incluem o fato de que as instalações não têm a licença apropriada para seu uso, pois as licenças atuais datam de 2013 e não reconhecem o uso residencial das instalações. No entanto, Martin enfatizou que o CREADE abriu suas portas "de par em par" em 2022 para receber refugiados ucranianos, mas agora que a previsão aponta para migrantes africanos, o PP de Madri reagiu de forma "francamente irresponsável".
"Estamos cientes de que em julho a Prefeitura de Pozuelo anunciou que faria todo o possível para impedir que menores de idade das Ilhas Canárias se estabelecessem lá, e o que ela fez nas últimas semanas foram duas visitas a esse centro e estamos cientes de dois relatórios de inspeção de planejamento urbano, nada mais", disse Martín, que defendeu a abordagem da questão a partir de uma perspectiva de respeito aos direitos humanos e consciência de que essas são pessoas vulneráveis.
Por fim, questionado sobre a capacidade de manobra do governo central para reverter o fechamento do centro ordenado pela Prefeitura de Pozuelo, o delegado apontou que "a decisão será analisada quando chegar", ao mesmo tempo em que enfatizou que há quatro centros como o de Pozuelo em todo o país que "funcionam normalmente".
"Temos outros centros e outros recursos ativados para responder ao que é uma emergência humanitária e é isso que devemos fazer, responder, fornecer soluções, não gerar mais problemas", reiterou o delegado do governo, que enfatizou que a Espanha "é responsável por responder porque é a fronteira sul da Europa".
A Prefeitura de Pozuelo de Alarcón notificou nesta quinta-feira ao CREADE da localidade a cessação cautelar de sua atividade por não contar com as licenças necessárias para uso residencial, mas como centro de atividades educativas. Fontes populares consultadas pela Europa Press confirmaram que a inspeção do Consistório ocorreu depois de saber que o Governo estava planejando transferir cerca de 400 migrantes das Ilhas Canárias para o centro.
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