Publicado 21/06/2026 14:11

A delegação do Irã abandona a mesa de negociações devido às ameaças de Trump, segundo a mídia iraniana

21 de junho de 2026, Peshawar, Peshawar, Paquistão: O primeiro-ministro Shehbaz Sharif, o vice-presidente dos EUA J.D. Vance e o primeiro-ministro do Catar conversam com a imprensa antes das negociações entre os EUA e o Irã.Bürgenstock, Suíça, 21 de junho
Europa Press/Contacto/Hussain Ali

MADRID 21 jun. (EUROPA PRESS) -

A delegação iraniana nas negociações com os Estados Unidos, iniciadas neste domingo na Suíça, abandonou a sala em protesto contra as ameaças feitas nas redes sociais pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou tomar à força o Estreito de Ormuz e reter 20% do petróleo em trânsito.

Fontes próximas às negociações, citadas pela agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Iraniana, informaram sobre a retirada dos negociadores iranianos.

“Eu disse a eles que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Nem mesmo poderão voltar para o maldito país deles”, afirmou o presidente dos Estados Unidos à emissora Fox News em um momento crucial como é o início da cúpula diplomática de Bürgenstock.

Além disso, Trump voltou a insistir em sua ameaça de que os Estados Unidos poderiam perfeitamente tomar à força o estreito de Ormuz e até mesmo atuar como “cobrador de pedágio”, como fez o Irã durante o conflito.

O presidente afirmou que poderia até se tornar o “anjo da guarda do estreito e ficar com 20% do petróleo”. “Poderíamos assumir o controle do estreito, se necessário. Eu poderia arrasar o país se quisesse. E se eles não chegarem a um acordo, nós cobraremos os pedágios”, advertiu.

Por fim, Trump atribuiu ao Irã a culpa pelo novo recrudescimento da violência no Líbano, um fator que poderia inviabilizar as negociações. O presidente dos EUA se afastou das críticas a Israel dos últimos dias e apontou diretamente para Teerã e sua relação estratégica com as milícias xiitas do Hezbollah.

“O Irã deve deter imediatamente seus representantes bem pagos no Líbano para que deixem de causar problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, mas com ainda mais intensidade”, advertiu o presidente norte-americano.

Em uma primeira resposta, o principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, advertiu que os Estados Unidos “devem ter cuidado com suas declarações” porque “não levamos a sério as ameaças dos americanos”.

“Eles não percebem que, se suas ameaças fossem eficazes, não teríamos chegado à situação de desespero em que nos encontramos hoje?”, questionou Qalibaf da Suíça, sede das negociações com os Estados Unidos.

Além disso, ele destacou que “nossas forças armadas estão preparadas para responder de diferentes maneiras”. “Quanto mais eles falam, mais nós agimos”, reforçou.

Um membro da delegação iraniana explicou à televisão pública iraniana, IRIB, que “o mais importante” é a aplicação do acordo alcançado no que diz respeito à cessação das hostilidades no Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz e o desbloqueio dos ativos iranianos embargados.

“Se não for aplicado, especialmente no que diz respeito ao Líbano — um dos principais pontos em que se deve declarar o fim da guerra —, os próximos assuntos não serão tratados”, explicou o representante iraniano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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