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“É preciso saber pedir perdão e saber receber perdão”, afirma na cerimônia de assinatura “como presidente chavista” MADRID 20 fev. (EUROPA PRESS) -
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, mostrou-se “satisfeita” com a lei de anistia aprovada nesta quinta-feira por unanimidade na Assembleia Nacional, que permitirá ao país “conviver de forma democrática e pacífica”, e pediu que sejam revisados os casos não contemplados no texto legal.
“Como profissional do direito, sinto-me muito satisfeita (porque) a lei de anistia abre uma porta extraordinária para que a Venezuela se reencontre, para que a Venezuela aprenda a conviver de forma democrática e pacífica, para que a Venezuela se livre do ódio, da intolerância, para que prevaleçam os direitos humanos, o amor, a compreensão, o reconhecimento”, declarou durante a cerimônia de ratificação da lei.
A mandatária defendeu essas palavras também como presidente interina “chavista”, após o que afirmou que “é preciso saber pedir perdão e é preciso saber receber perdão”. “Esse é o processo que se abre com esta lei de anistia, mas a lei de anistia também vai além”, acrescentou.
Rodríguez comemorou a “extraordinária maturidade política de todos” aqueles que contribuíram para a lei, aprovada 20 dias após o anúncio, “não apenas no Parlamento venezuelano, mas também aos membros do programa de coexistência democrática, a quem também agradeço por terem feito uma ampla consulta”.
Nessa linha, dirigiu-se a todos os deputados, incluindo os da oposição, valorizando seu “ato de grandeza, de desprendimento”. “Estamos nos desprendendo um pouco da intolerância e abrindo novos caminhos para a política na Venezuela”, enfatizou, ao mesmo tempo em que defendeu que “estamos agindo e garantindo um futuro de paz, um futuro de convivência, de encontro para nossos jovens, para nossas crianças”.
Rodríguez reconheceu que “vimos de momentos dramáticos” para o país latino-americano, lembrando o ataque realizado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. “Ficará registrado na história de nossa República como uma agressão sem precedentes. Acredito que isso tocou nossa alma, nossa consciência como venezuelanos de bem”, afirmou. “Sinceramente, digo que estou muito feliz por tê-los aqui hoje, os atores políticos das últimas décadas na Venezuela, porque isso reflete um profundo processo de reflexão (...) estamos dando este passo tão importante para mostrar à Venezuela, para mostrar também ao mundo do que somos capazes”, destacou.
A que foi a “número dois” de Maduro pediu à Comissão de Revolução Judicial, presidida pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, bem como ao Parlamento e ao Programa de Convívio Democrático, que revisem os casos não contemplados pela lei aprovada nesta quinta-feira.
Além disso, solicitou que as recomendações fossem emitidas com a máxima celeridade “para curar feridas, para reencaminhar a coexistência democrática e a justiça; peço a toda a Venezuela que nos dediquemos a esta tarefa como uma das grandes virtudes da nossa República, que deve ser a justiça”.
A Assembleia Nacional aprovou nesta quinta-feira, em segunda leitura e por unanimidade, uma lei que abre a porta para a libertação daqueles que cometeram crimes desde 1999, no contexto de treze eventos políticos incluídos no texto, embora fiquem excluídos os cargos de “corrupção, violações graves dos direitos humanos, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, homicídio doloso e lesões gravíssimas, tráfico de estupefacientes”.
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