Publicado 23/02/2026 22:14

Delcy Rodríguez pede "uma nova justiça" em seu encontro com vítimas de violência política em Caracas

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, recebe um grupo de cidadãos na sede presidencial em Caracas.
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Um total de 177 libertações desde a entrada em vigor da lei de anistia na última sexta-feira MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, recebeu nesta segunda-feira no Palácio de Miraflores, em Caracas, um grupo de vítimas de “violência política” no âmbito da lei de anistia aprovada na semana passada pelo Parlamento, que permite a libertação de presos por esse motivo, um número que a ONG Foro Penal eleva a mais de 600.

A mandatária convidou as vítimas a se incorporarem ao programa de coexistência nacional, apelando para que o perdão não seja apenas um “mandato legal”, mas um ato de “desapego necessário” para consolidar a paz, em termos semelhantes ao discurso proferido por ocasião da assinatura da lei de anistia. “Um ser humano não pode ser tomado pelo ódio”, defendeu, enquanto convidava os afetados a participar nesta etapa política que “busca uma reparação integral” da sociedade venezuelana.

Nesse sentido, reivindicou “uma nova justiça para todos, para toda a Venezuela” diante do que denunciou como a “criminalização da pobreza”. “Devemos superar isso. Porque há uma gênese para o ódio nessa involução da justiça”, apontou.

Rodríguez atribuiu a violência política à “exclusão socioeconômica”, bem como à “exclusão política daqueles que tiveram projetos de entrega da soberania nacional, projetos antinacionais”. “Vemos (...) jovens sonhadores que também tinham a ideia de um país livre, independente, diante de uma classe política que (os) havia traído. Essa traição se transformou em projetos antinacionais, projetos que tinham como objetivo a entrega da Venezuela”, acrescentou. A mandatária, que reivindicou o legado do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), reconheceu, no entanto, que “ficou esse germe do ódio, o ódio de classe, do racismo, da discriminação contra o diferente”. “O que o comandante Chávez significou para a Venezuela? Inclusão. Trazer vastos setores da sociedade venezuelana, os mais pobres, trazê-los para a mesa e fazê-los serem reconhecidos como pessoas”, declarou, antes de lamentar que essa “gênese do ódio (...) não foi superada”.

Nessa linha, aproveitou para defender a lei do ódio aprovada na Assembleia Nacional e “que buscava justamente quando me coube assumir essa responsabilidade em uma situação tão complexa e inédita derivada da agressão militar externa de 3 de janeiro”, em alusão ao ataque dos Estados Unidos que resultou na captura de seu antecessor, Nicolás Maduro.

“A primeira coisa que pensei foi (no) programa de coexistência democrática pela paz, pensando justamente que o ódio nos levou a isso, porque foi tal o ódio de uma classe deste país, de uma classe econômica e política, foi tal o ódio contra setores venezuelanos e venezuelanas, que levou a pedir intervenção estrangeira”, denunciou.

Assim, ela criticou setores da oposição que “o que poderia ser resolvido na política nacional, eles pediram com mísseis, com bombas”. Dirigindo-se a uma das vítimas presentes no Palácio de Miraflores, ela acrescentou que “eu a entendo, o estresse pós-traumático daqueles que viveram o bombardeio de 3 de janeiro. O que a política não conseguiu resolver, foi pedido a uma potência militar nuclear deste hemisfério que viesse resolvê-lo no país”. A líder venezuelana alertou, nesse sentido, para a existência de movimentos no exterior que pretendem “perturbar” o caminho iniciado no país latino-americano após o dia 3 de janeiro. “Tenho conhecimento de planos que vou mostrar ao país no momento oportuno”, assegurou, ao mesmo tempo em que criticou a existência de opositores “em hotéis de luxo nos Estados Unidos e na Europa”, aos quais acusou de querer “sabotar” a reconciliação nacional.

Participou do encontro o presidente da Comissão Especial para o Acompanhamento da Lei de Anistia, Jorge Arreaza, que anunciou que, desde que o projeto entrou em vigor na última sexta-feira, foram realizadas 177 libertações, embora a ONG Foro Penal tenha estimado esta manhã em 65, horas antes de seu diretor, Alfredo Romero, somar “mais de 30 libertados”.

De qualquer forma, Arreaza, que elevou o número de libertações para mais de 800 desde dezembro de 2025 e afirmou que foram concedidas 2.021 “liberdades plenas”, indicou também que, desde então, as autoridades venezuelanas concederam “mais de 2.735 medidas substitutivas de apresentação com cautelares”, receberam mais de 3.000 pedidos de anistia “e continuam chegando aos tribunais do país (...) seus escritos, de defensores privados, defensores públicos, do Ministério Público”.

O presidente da Comissão Especial para o Acompanhamento, que lembrou que “o espírito da lei é a coexistência democrática (e) a paz”, pediu que “não voltemos à confrontação, à polarização que criou as condições para que esses fatos e outros fatos que ocorreram depois acontecessem”.

“Faremos o maior esforço possível e apostamos que assim será, e se não for, que não fique por parte da revolução bolivariana, do presidente Nicolás Maduro, da presidente Delcy Rodríguez, que não se fez a tentativa de avançar, e mais ainda neste momento em que os venezuelanos e as venezuelanas devemos nos unir como um bloco, como um monólito, para defender nossa soberania, que foi violada em 3 de janeiro”, declarou, aludindo ao ataque realizado pelo Exército dos Estados Unidos, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, bem como em uma centena de mortos.

“Cabe a nós nos unirmos, porque o que aqueles que nos atacam buscam é que tenhamos fraturas para terminar de nos agredir e tomar o controle de nosso país”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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