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MADRID 5 set. (EUROPA PRESS) -
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu nesta sexta-feira que os acordos firmados recentemente com empresas internacionais permitirão ao país ampliar sua capacidade energética e reforçar sua posição no mercado mundial.
Durante um encontro com trabalhadores do setor petrolífero transmitido pela televisão estatal venezuelana (VTV), Rodríguez destacou o alcance dos contratos firmados com empresas privadas e afirmou que esses acordos abrem uma nova etapa para a indústria de hidrocarbonetos venezuelana.
“Esses contratos marcarão a Venezuela em seu desenvolvimento energético e a posicionarão no cenário energético internacional”, afirmou a mandatária, que apresentou as novas alianças como resultado de um processo de negociação baseado no entendimento entre as partes.
Rodríguez descreveu os acordos como “uma expressão extraordinária de como, por meio da negociação e do respeito mútuo por um acordo ‘ganha-ganha’, (é possível) hoje olhar para o futuro da Venezuela”.
Nesse contexto, a presidente interina da Venezuela agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “por retomar uma relação energética que remonta a 1859” e defendeu que as divergências entre Caracas e Washington devem ser abordadas “por meio da diplomacia e da negociação”.
Segundo Rodríguez, a estratégia energética permitirá à Venezuela não apenas aumentar sua produção de petróleo bruto, mas também avançar na expansão do gás e da indústria petroquímica, com o objetivo de transformar o país em uma potência produtora e exportadora.
O PARADOXO VENEZUELANO
A líder venezuelana também destacou a evolução recente da produção de petróleo e lembrou que, em dezembro, foi alcançada uma extração de 1,2 milhão de barris por dia.
A esse respeito, Rodríguez destacou o paradoxo entre a magnitude das reservas venezuelanas e o peso do país nas exportações internacionais, valorizando especialmente o papel desempenhado pelos trabalhadores do setor.
“A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do planeta, mas ocupa a 20ª posição entre os países exportadores. De que servem essas riquezas se não as desenvolvemos? Queremos ser o país com as maiores reservas, sim, mas também queremos ser uma potência produtora e que essa produção se traduza na felicidade do povo venezuelano, dos trabalhadores da indústria”, afirmou.
O BEM-ESTAR DO POVO VENEZUELANO COMO OBJETIVO FINAL
Por outro lado, a presidente explicou que as negociações para chegar a novos acordos se prolongaram por meses e garantiu que seu objetivo final é que a recuperação do setor energético tenha um impacto direto nas condições de vida da população.
“Foram meses árduos de negociações, árduos, difíceis, mas nunca perdemos de vista o horizonte; nosso horizonte é a felicidade do nosso povo, é que nossos trabalhadores tenham melhores salários, que suas famílias vivam melhor, que os hospitais estejam equipados, que as escolas ofereçam educação de qualidade”, ressaltou.
Rodríguez relacionou essa estratégia com sua visão de recuperação do Estado de bem-estar social e destacou o acordo alcançado com os Estados Unidos. “Queremos e nos concentramos em que o Estado de bem-estar social concebido por Bolívar, em seu discurso de Angostura, se torne realidade, a maior felicidade possível; foi isso que nos inspirou durante esses meses de árduas negociações e chegamos a um acordo binacional com o governo dos Estados Unidos”, acrescentou.
UMA POTÊNCIA NO SETOR DE GÁS E PETROQUÍMICA
Quanto aos contratos assinados recentemente, a presidente ressaltou que seu alcance vai além do aumento da produção de petróleo e se estende ao desenvolvimento de novos campos, bem como ao fortalecimento de outros segmentos da indústria.
“Eles marcarão a Venezuela em seu desenvolvimento energético, posicionando-a no cenário energético internacional. Estamos assinando para desenvolver campos novos; estamos definindo não apenas o futuro da Venezuela, mas também a contribuição que a Venezuela dará ao mundo, à segurança energética internacional e ao equilíbrio da economia mundial”, destacou.
Além disso, Rodríguez defendeu a aspiração de que a Venezuela se torne uma potência no setor de gás e petroquímica. Nesse sentido, ela lembrou que, ao assumir o cargo de ministra de Hidrocarbonetos, estabeleceu como objetivo transformar o país em exportador de gás, meta que, segundo ela, já começou a se concretizar com as primeiras exportações.
Especificamente, a presidente estimou em 50 o número de acordos energéticos assinados recentemente e destacou que sua execução terá efeitos sobre a produção de petróleo, o crescimento do setor de gás e a recuperação da indústria petroquímica nacional.
Chegando a esse ponto, ela elogiou mais uma vez a capacidade dos trabalhadores do setor petrolífero de recuperar a produção após os momentos mais difíceis e os comparou à “fênix” por sua capacidade de superar as dificuldades e atribuiu à classe trabalhadora grande parte do esforço que permitiu atingir os 1,2 milhão de barris diários registrados em dezembro, um resultado que ela definiu como “esforço próprio”.
A líder venezuelana também antecipou que, ao longo deste ano, começarão a surgir novas atividades relacionadas à perfuração e à produção de insumos destinados ao setor petrolífero, especialmente no oeste do país e na Faixa Petrolífera do Orinoco. Em sua opinião, esse processo contribuirá para reativar diversos setores da economia e gerará novas oportunidades de trabalho, especialmente para os jovens e para os venezuelanos que emigraram e desejam retornar ao país.
Os anúncios ocorrem após Caracas e Washington terem divulgado, na semana passada, um acordo qualificado de “histórico”, voltado para facilitar novos investimentos e impulsionar a produção petrolífera venezuelana.
Cinco dias depois, a Venezuela formalizou as novas parcerias com operadores privados. O plano prevê o desenvolvimento de 17 campos considerados estratégicos, com um potencial estimado de 65 bilhões de barris de petróleo, um investimento superior a 100 bilhões de dólares e uma receita tributária de mais de 209 bilhões de dólares para o Estado, conforme divulgado pela televisão estatal venezuelana.
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