Afirma que a ausência de lesões nas palmas das mãos não permite concluir que não se tratou de uma morte acidental
BARCELONA, 29 maio (EUROPA PRESS) -
A defesa de Jonathan Andic, liderada pelo advogado Cristóbal Martell, apresentou ao Tribunal de Instrução 5 de Martorell (Barcelona) um laudo pericial com um vídeo anexo de uma queda acidental anterior sofrida pelo fundador da Mango, Isak Andic, 10 meses antes de seu falecimento, em 14 de dezembro de 2024, após cair em um barranco nas Cuevas del Salnitre, em Collbató (Barcelona)
O laudo, ao qual se faz referência no recurso apresentado pela defesa contra a decisão de prisão preventiva com fiança, ao qual a Europa Press teve acesso, foi elaborado por dois médicos e um investigador particular.
Os peritos concluíram que o fato de Isak Andic não ter apresentado lesões nas palmas das mãos após a queda, nem a forma como ele se precipitou, não levam a “afirmações científicas” de que se tratou de uma morte não acidental, ao contrário do que argumentou a juíza de instrução em sua decisão.
PROBLEMA NOS JOELHOS
Eles se baseiam em uma dor que o fundador da Mango sentia nos joelhos, o que explicaria a redução nos tempos de reação durante a queda, a incapacidade de correção postural e o colapso articular, “onde os joelhos cedem em vez de sustentar o peso, produzindo uma queda mais vertical e menos controlada”.
Nessas perdas de equilíbrio, prosseguem, não há uma reação defensiva, o que explicaria a ausência de lesões nas palmas das mãos.
COMPARAÇÃO COM A QUEDA MORTAL
A partir da queda anterior sofrida por Isak Andic, registrada por uma câmera de segurança, é possível “estabelecer uma tese pericial altamente confiável” se o padrão biomecânico observado nessas imagens for transferido e aplicado ao cenário de Montserrat onde ocorreu o incidente fatal.
Essa reconstrução biomecânica leva à conclusão, segundo os peritos da defesa, de que isso explica por que ele não apresentava lesões nas palmas das mãos, sem que seja necessário qualquer elemento dinâmico adicional, como “a intervenção de um terceiro por meio de um empurrão”.
“Essa mesma queda foi recriada no local exato da queda e fica evidente a compatibilidade da queda acidental com a ausência de lesão palmar e com a queda em deslizamento”, afirmam.
Além disso, eles lembram que o relatório de contradições e indícios que reúne as conclusões da Unidade de Montanha dos Mossos d'Esquadra aponta, a respeito da queda, que “os agentes não conseguiram determinar a natureza de como ela ocorreu, uma vez que o resultado das simulações não foi conclusivo”.
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