MADRID 5 abr. (EUROPA PRESS) -
A advogada Sonia Vera, membro da equipe internacional de advogados de defesa do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, denunciou que ele sofre um deterioramento físico “verificável”, que ela atribui à falta de alimentação suficiente na prisão.
“A deterioração é verificável; ele perdeu 14 quilos de forma progressiva sob custódia do Estado. O Estado equatoriano o expõe de forma reiterada e sistemática a um risco real de morte”, publicou Vera nas redes sociais.
Dois anos após a detenção “arbitrária e ilegal” de Glas, após a invasão da Embaixada do México em Quito pelas forças de segurança equatorianas, o Estado “nem mesmo garante o mais básico: uma alimentação adequada de acordo com os critérios médicos da nutricionista”.
Enquanto isso, neste mesmo domingo, soube-se que o juiz Leonardo Lastra, da Unidade Judicial de Santa Elena, rejeitou o recurso de habeas corpus corretivo interposto pela defesa do ex-vice-presidente Jorge Glas por falta de alimentação.
Lastra considera que não há violação dos direitos fundamentais de Glas e que o Estado garante sua alimentação e atendimento médico na prisão de Encuentro, segundo o texto datado de 4 de abril.
“Estou lutando neste habeas corpus, respeitosamente, senhor juiz, para não passar fome, porque acordo com fome, passo a tarde com fome e vou dormir com fome... E a prova de que minha fome é real são 30 libras (15 quilos) a menos no peso... Aqui estão, meritíssimo, aqui estão meus ossos, aqui estão minhas costelas, o senhor pode contá-las todas como se fossem as cordas de um violão... Aqui estão as dobras de pele, de pele flácida, que resultam dessa perda de peso que eu nunca tive...”, afirmou Glas em um vídeo apresentado na audiência de habeas corpus corretivo.
Por sua vez, a advogada Vera informou que, na audiência, foi negada a violação dos direitos do detido, mas foram reconhecidas falhas na assistência médica e na alimentação, e foi solicitado que elas fossem corrigidas.
Aquele que foi vice-presidente de Rafael Correa em 2013 e de Lenín Moreno em 2017 cumpre duas penas por suborno e associação ilícita nos casos Obedrecht e Soborno. Sobre ele pesa ainda uma condenação em primeira instância a treze anos de prisão pelo caso Reconstrução de Manabí.
Após ter cumprido parte de uma pena conjunta por crimes de corrupção, Glas conseguiu acesso a um regime de liberdade condicional com certas condições, até que, em dezembro de 2023, entrou na embaixada do México. Em abril de 2024, foi retirado à força daquela sede diplomática, apesar de ter recebido asilo do governo mexicano, então presidido por Andrés Manuel López Obrador.
Após sua detenção, o ex-vice-presidente foi transferido para a prisão de segurança máxima conhecida como La Roca, no sudoeste do país, e já neste ano foi condenado a 13 anos de prisão por um suposto crime de peculato no já mencionado caso “Reconstrução da província de Manabí”, relacionado à gestão pós-terremoto de 2016.
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