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MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
A defesa do braço direito do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, Mauro Cid, argumentou na primeira audiência do julgamento pela tentativa de golpe de Estado que seu cliente, uma figura-chave na trama do golpe, não foi coagido a concordar em colaborar com o sistema judiciário em troca de uma possível redução em sua sentença.
A defesa de Cid abriu a fase de sustentação oral após o sumário processual realizado na terça-feira pelo juiz Alexandre de Moraes, relator do caso, e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, no âmbito do processo contra o ex-presidente Bolsonaro e outros sete réus do chamado núcleo central da conspiração golpista.
"Não há uma única mensagem dele que proponha, incentive ou valide qualquer ataque à democracia ou ao sistema eleitoral. O que há é o recebimento passivo de mensagens em seu WhatsApp, que ele nem sequer encaminhou", disse um de seus advogados.
A defesa de Mauro Cid - uma figura-chave na trama porque evidências do golpe supostamente liderado por Bolsonaro foram encontradas em seu celular - também revelou que o tenente-coronel solicitou sua dispensa do exército, alegando que "não tem mais condições psicológicas" de continuar dentro da autoridade militar, de acordo com a mídia brasileira.
Na primeira audiência do julgamento, que foi aberta na terça-feira pelo presidente da primeira câmara do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, apenas o ex-ministro da Defesa Paulo Sergio Nogueira estava presente, um dos oito acusados de até cinco crimes, incluindo participação em uma organização criminosa armada ou abolição violenta do estado democrático de direito.
O juiz Alexandre de Moraes defendeu, durante sua vez de falar, que o papel do Supremo Tribunal Federal é julgar com imparcialidade, independentemente de ameaças ou coerção interna, em uma aparente alusão velada a Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente e acusado de obstrução da justiça.
O plano supostamente arquitetado por Bolsonaro, sob o nome de "Punhal Verde e Amarelo", previa o assassinato de autoridades públicas como o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin e De Moraes, além de Lula, que os golpistas pretendiam envenenar.
De acordo com a acusação, o ex-presidente Bolsonaro esteve diretamente envolvido na elaboração de um "decreto golpista" que foi apresentado a membros do alto escalão das Forças Armadas em uma suposta reunião realizada na casa do ex-ministro da Defesa Walter Braga Metto com o objetivo de pressionar os militares e cujo rascunho foi encontrado na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
O suposto documento estabelecia um estado de sítio no Brasil "dentro dos limites" da Constituição, uma técnica usada para tentar dar um ar de legitimidade à tentativa de golpe, embora parte da liderança militar tenha se oposto à proposta e a trama tenha fracassado.
Dos oito acusados, apenas um, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, é acusado de apenas três crimes: participação em organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado de Direito e tentativa de golpe de Estado.
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