Gustavo Moreno/STF/dpa - Arquivo
MADRID 3 set. (EUROPA PRESS) -
A equipe jurídica do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro declarou na quarta-feira, durante a segunda audiência de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal, que "não há uma única prova" sobre sua participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022.
Seu advogado Celso Vilardi garantiu que "não há nenhuma prova" que ligue Bolsonaro ao plano para matar o atual presidente do país sul-americano, Luiz Inácio Lula da Silva, uma operação conhecida como 'Punhal Verde e Amarelo'. Tampouco com o documento encontrado em um pendrive contendo um plano para "restaurar a ordem e a lei" no Brasil "nem com o dia 8 de janeiro".
"De fato, nem mesmo o delator, que eu afirmo que mentiu, disse 'participação' (nesses casos). Nem mesmo o delator. Não há uma única prova", observou ele durante a audiência, de acordo com declarações relatadas pela Agência Brasil.
Para Vilardi, Bolsonaro "não violou o Estado de Direito" e acusou seu ex-braço direito, o general Mauro Cid, de "mentir" após concordar em colaborar com a Justiça. Ele considerou Cid "não confiável" por ter mudado sua versão várias vezes durante os interrogatórios. De fato, por causa das contradições, ele propôs que o acordo fosse anulado.
Ele também criticou o fato de que este caso é "baseado em um acordo de delação e um rascunho encontrado em um telefone celular de alguém que é um colaborador do sistema de justiça". Nesse sentido, argumentou que Bolsonaro foi "arrastado" para os fatos investigados pela Polícia Federal.
Nesta segunda data perante o tribunal superior, também depôs a defesa do ex-chefe de segurança Augusto Heleno, que tentou mostrar que seu cliente se distanciou de Bolsonaro no final de seu mandato, quando mal se encontrou com o então presidente. Por essa razão, disse, nunca falou com ele sobre qualquer golpe de Estado.
Seu advogado Matheus Milanez tentou minimizar a importância de algumas declarações feitas pelo general durante uma reunião ministerial, na qual argumentou que era "necessário fazer algo antes das eleições". Nesse sentido, ele explicou que, após as eleições, "não há discussão, (já que) quem tiver mais votos ganha".
Em meio a fortes medidas de segurança e na ausência de Bolsonaro, a primeira câmara do Supremo Tribunal Federal do Brasil iniciou na terça-feira um julgamento histórico contra o ex-presidente - em prisão domiciliar - pelo plano de golpe com o qual ele pretendia permanecer no poder após as eleições de 2022.
O líder da extrema direita e outras sete pessoas fazem parte do chamado núcleo central da conspiração. Eles são acusados de associação criminosa, tentativa de abolir violentamente o estado de direito, golpe de estado e danos à propriedade durante o ataque às instituições em 8 de janeiro de 2023.
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