Publicado 07/03/2025 05:44

Defesa de Bolsonaro denuncia "irregularidades" no julgamento contra ele por suposta tentativa de golpe

Ele alega que a promotoria "só publicou os elementos que apóiam a acusação" e critica as "restrições" à defesa.

Archivo - Arquivo - O ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro durante uma coletiva de imprensa em Brasília (arquivo).
Valter Campanato/Agencia Brazil/ DPA - Arquivo

MADRID, 7 mar. (EUROPA PRESS) -

A defesa do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro denunciou "irregularidades" no processo contra ele por uma suposta tentativa de golpe em 2022 para permanecer no poder após a vitória eleitoral do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

Paulo Cunha Bueno, advogado de Bolsonaro, disse em uma mensagem publicada em sua conta na rede social X que a equipe de defesa apresentou sua "resposta" às acusações, no último dia do prazo estabelecido pelo juiz do Supremo Tribunal responsável pelo caso, Alexandre de Moraes.

Ao fazer isso, ele disse que as "irregularidades processuais" no caso "anulam e ferem mortalmente a acusação", antes de apontar a "incompetência do tribunal" e criticar as "restrições que a defesa sofreu e continua sofrendo".

"Esta é, sem dúvida, a ferida mais profunda que macula uma das ações mais emblemáticas de nossa história jurídica", disse Bueno, que ressaltou que a equipe de Bolsonaro "sofre com a falta de acesso aos elementos colhidos durante a investigação", tendo em suas mãos "apenas aqueles previamente selecionados pela acusação".

Nesse sentido, ele apontou que "apenas os elementos que embasam a acusação foram publicados, enquanto os demais foram sonegados, sem justificativa plausível, como se coubesse à acusação deliberar previamente o que é ou não importante para a defesa".

"O pilar da defesa é uma conquista do direito penal moderno e representa um dos fundamentos mais profundos da democracia. Colocá-lo em risco é, acima de tudo, comprometer a credibilidade do próprio processo", argumentou, ao mesmo tempo em que denunciou "uma persecução penal semissecreta" contra Bolsonaro.

Por outro lado, ele também apontou a existência de "irregularidades" no acordo de colaboração do coronel Mauro Cid, ex-braço direito do ex-presidente e cujo depoimento foi de grande relevância para as investigações sobre a suposta conspiração golpista que tentou manter Bolsonaro no poder.

Em meados de fevereiro, a Procuradoria-Geral da República do Brasil denunciou o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado após a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2022, no que se tornou a primeira acusação contra um ex-chefe de Estado no país latino-americano por tentativa de atentar contra o Estado de Direito.

Assim, ele ressaltou que Bolsonaro tentou impedir que o resultado das eleições presidenciais fosse cumprido de forma coordenada, embora "o plano" tenha começado em 2021 com outra série de ações e declarações questionando as decisões dos tribunais e a limpeza do sistema eleitoral. Ele também alertou sobre a existência de um plano para assassinar Lula da Silva, De Moraes e o atual vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin.

Por sua vez, Bolsonaro disse que a acusação faz parte de um "truque" frequentemente usado na região para perseguir e silenciar as vozes da oposição e disse que continuará a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para divulgar "o que está acontecendo" no país.

"Todo regime autoritário, em sua ânsia de poder, precisa fabricar inimigos internos para justificar a perseguição, a censura e as prisões arbitrárias", disse ele, antes de argumentar que essa é uma prática já vista em lugares como Venezuela, Nicarágua, Cuba e Bolívia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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