Publicado 24/02/2026 13:27

A Defensoria do Povo da Colômbia alerta para os riscos eleitorais diante das ameaças dos grupos armados

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo de uma bandeira da Colômbia
EUROPA PRESS - Arquivo

Relata 457 casos de ameaças de morte contra líderes sociais, defensores dos direitos humanos e atores políticos no contexto pré-eleitoral MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -

A Defensoria do Povo da Colômbia alertou para a “persistência” de riscos ao livre exercício eleitoral nos processos previstos ao longo de 2026 no país, dado o “fortalecimento das governanças armadas ilegais” com grupos criminosos que “substituem” funções do Estado, regulam campanhas e “vetam” candidaturas em diversas regiões.

“O risco não é o cancelamento das votações, mas a consolidação de uma democracia meramente formal em algumas regiões que ignora o silêncio forçado das comunidades diante da governança dos grupos armados”, destacou a Defensora do Povo, Iris Marín Ortiz, durante a apresentação do Relatório de Acompanhamento do Alerta Eleitoral Precoce (ATE) que foi emitido em outubro passado.

Entre os principais grupos identificados como fontes de ameaça, a entidade apontou o autodenominado Exército Gaitanista da Colômbia (EGC), as Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN), o Exército de Libertação Nacional (ELN), grupos dissidentes das extintas Farc, o Novo Estado-Maior Central (Nuevo EMC) ou a Segunda Marquetalia, entre outros.

Concretamente, os cidadãos colombianos são chamados às urnas no próximo dia 8 de março para eleger os membros do Senado e da Câmara dos Representantes, ao mesmo tempo que serão realizadas consultas internas para definir os candidatos presidenciais que se enfrentarão em um primeiro turno previsto para 31 de maio. ZONAS E POPULAÇÕES EM RISCO

Durante a apresentação, a entidade pública colombiana apontou que a resposta institucional para mitigar esses riscos, até agora, alcança um cumprimento “parcial”, preocupando especialmente a “coação eleitoral” nas macrorregiões do Caribe, com os departamentos de Bolívar, Sucre, La Guajira, Magdalena, Atlántico, Cesar e o Arquipélago de San Andrés e Providencia; Noroeste, com os departamentos de Antioquia, Córdoba e Chocó, e Sudoeste, com o Vale do Cauca, Cauca e Nariño.

Nessas regiões, são especialmente evidentes as ameaças, as restrições à mobilidade e a imposição de “normas de conduta” que, lamentavelmente, “distorcem a liberdade” do eleitor, num contexto em que os grupos armados “definem, em algumas zonas, regras que condicionam o comportamento eleitoral” da população civil.

Tanto é assim que o documento revela um total de 457 casos de ameaças de morte contra líderes sociais, defensores dos direitos humanos e atores políticos no contexto pré-eleitoral, concentrando-se os casos mais graves nos departamentos de Santander, Guainía, Nariño, Sucre, Antioquia e Magdalena.

No caso dos próprios candidatos, a Defensoria destacou que eles enfrentam um “risco estrutural” na forma de homicídios seletivos, ameaças sistemáticas, estigmatização, restrições à mobilidade e proibições para realizar suas campanhas em zonas onde grupos armados não estatais exercem governança criminosa. MULHERES E SIGNATÁRIOS DA PAZ

Por sua vez, entre as mulheres, registrou-se uma redução na liderança e autonomia política devido à violência de gênero perpetrada por atores armados em zonas como a sub-região de Catatumbo.

“As mulheres enfrentam um risco maior para realizar suas atividades proselitistas, o que faz com que sua participação tenda a ser formal e enfrentem maiores dificuldades para ocupar uma cadeira no Congresso”, explicou Marín Ortiz.

Da mesma forma, os signatários da paz são alvo de ameaças por parte de estruturas armadas ilegais, sendo um exemplo disso Caño Indio, zona rural do departamento de Norte de Santander, onde o deslocamento forçado ameaça afetar o direito ao voto.

Os riscos também se estendem aos líderes sociais e defensores dos direitos humanos, que enfrentam um risco acentuado de serem vítimas de homicídios, atentados e intimidação.

Diante dessa conjuntura, a Defensoria do Povo instou o Ministério da Defesa e as Forças Armadas a “adaptar” sua estratégia integral de segurança eleitoral por meio de uma presença “eficaz” nas zonas de risco, bem como da proteção dos candidatos e das comunidades.

Também pediu ao Ministério Público que “fortaleça” as investigações, facilite os mecanismos de denúncia e “judicialize” os responsáveis por ameaças, violência ou interferência no processo eleitoral.

Por fim, a Defensora do Povo instou a Procuradoria-Geral da Nação a “verificar”, por meio de sua Comissão Especial Temporária de Acompanhamento, o cumprimento das recomendações, adotando medidas disciplinares contra os funcionários que não cumprirem sua missão em matéria de prevenção e proteção diante das ameaças alertadas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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