Publicado 12/07/2026 06:41

A decisão arbitral sobre o Mar da China Meridional completa 10 anos sem resolver a crise entre Pequim e Manila

As Filipinas comemoram um dia de “vitória”, enquanto a mídia oficial chinesa repudia um veredicto “defeituoso” e partidário

Archivo - Arquivo - MAR DA CHINA MERIDIONAL, 1º de março de 2026  -- Um agente da Guarda Costeira da China (CCG) a bordo do navio Wanshan observa embarcações filipinas nas águas ao largo de Huangyan Dao, na China, no Mar da China Meridional, em 27 de feve
Europa Press/Contacto/CCG - Arquivo

MADRID, 12 jul. (EUROPA PRESS) -

A decisão proferida em 12 de julho de 2016 pelo Tribunal Permanente de Arbitragem sobre o Mar da China Meridional completou dez anos sem praticamente nenhum impacto sobre a realidade do histórico conflito entre a China e as Filipinas, tendo servido, no máximo, para endurecer as posições.

O tribunal, estabelecido em virtude da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, decidiu que as reivindicações marítimas da China sobre as águas disputadas na região não têm qualquer fundamento jurídico, incluindo aquelas que Pequim defende como um “direito histórico”.

A China se recusou a participar do processo e vem afirmando, desde então, que o texto não tem valor prático diante das críticas dos Estados Unidos ou da União Europeia a esse respeito. Atualmente, é raro o mês, há algum tempo, em que barcos de pesca chineses e filipinos, bem como as guardas costeiras de ambos os países, não se enfrentem com jatos de água durante algum tipo de incidente nessas águas.

Para a China, a solução é clara: a zona de Nanhai Zhudao, o arquipélago de ilhas do Mar da China Meridional, é sua, incluindo Dongsha (as Ilhas Pratas), Xisha (as Ilhas Paracel), Zhongsha (Bajo de Masinloc/Macclesfield) e Nansha (ilhas Spratly), e possui “águas interiores, mar territorial e zona contígua, com base em Nanhai Zhudao, bem como uma zona econômica exclusiva e plataforma continental”, conforme declarou neste domingo a Embaixada da China nas Filipinas, em um comunicado contundente no qual assegura que garantirá a liberdade de navegação na região, desde que o assunto seja discutido previamente com Pequim.

No final da tarde deste último sábado, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Estônia, Alemanha, Itália, Japão, Letônia, Lituânia, Nova Zelândia, Filipinas, Romênia, Eslovênia e Reino Unido insistiram, em um comunicado conjunto, que “a decisão proferida há dez anos pelo Tribunal constitui um marco significativo e é definitiva e juridicamente válida”.

A resposta chinesa veio por meio de artigos publicados em seus principais meios de comunicação oficiais, como a agência Xinhua, onde se denuncia uma “decisão profundamente falha” por culpa das Filipinas, que decidiram acionar o procedimento de forma “unilateral”, contrariando a declaração de 2002 aceita pelos países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que instava ambas as partes a resolverem essa disputa por meio de negociações.

“O tribunal excedeu sua jurisdição e aprovou sem objeções as reivindicações juridicamente infundadas das Filipinas, ao mesmo tempo em que ignorava sistematicamente os direitos soberanos e os interesses históricos da China no Mar da China Meridional, o que colocou em dúvida sua jurisdição e imparcialidade desde o início”, condenaram as autoridades chinesas por meio de sua agência oficial.

Nas Filipinas, entretanto, reina um clima de comemoração. Navios como o “Teresa Magbanua” acionaram suas sirenes dez vezes em um minuto, simbolizando os dez anos de um veredicto que Manila interpreta como uma vitória internacional. “A Guarda Costeira das Filipinas tem o prazer de comemorar este aniversário, de cumprir nossa missão, proteger nossos mares, em valorizar nossos recursos naturais, em garantir a ordem marítima com base nessas regras e na ideia de continuar avançando”, declarou a capitã Noemie Cayabyab, porta-voz da Guarda Costeira das Filipinas, à emissora ABS-CBN.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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