Marta Fernández Jara - Europa Press - Arquivo
MADRID 17 fev. (EUROPA PRESS) -
O diretor adjunto operacional (DAO) da Polícia Nacional, o comissário principal José Ángel González, renunciou ao cargo de comandante máximo deste corpo após a decisão do Tribunal de Violência contra a Mulher Número 8 de Madri de citá-lo como investigado ao admitir uma queixa por um suposto crime de agressão sexual cometido contra uma subordinada.
Segundo informou o Ministério do Interior, José Ángel González comunicou sua decisão de renunciar ao cargo que ocupa, o que se tornará efetivo nas próximas horas. José Ángel González Jiménez ingressou na Polícia Nacional em 1984 e é, desde 2018, o comandante máximo da Polícia Nacional, desde que Fernando Grande-Marlaska é ministro do Interior e Francisco Pardo Piqueras diretor-geral da Polícia Nacional.
Em novembro de 2024, este Ministério anulou sua aposentadoria ao completar 65 anos para que ele continuasse no cargo, recorrendo a uma modificação legal que foi questionada pelos partidos da oposição e alguns setores policiais. AGRESSÃO SEXUAL, COAÇÃO, LESÕES E DESVIO DE RECURSOS
Em uma decisão, à qual a Europa Press teve acesso, o juiz concorda em ouvir o depoimento de José Ángel González “na qualidade de réu”. Além disso, ele marca o depoimento da suposta vítima, que é funcionária da Polícia, para o próximo dia 17 de março, às 10h30.
O magistrado indica que os fatos resultantes da queixa “levam a presumir a possível existência de crimes de agressão sexual, cuja instrução compete a este órgão judicial, e a praticar as medidas essenciais para efetuar tal determinação e, se for o caso, o procedimento aplicável”.
Na queixa, recolhida por esta agência de notícias, o advogado da vítima aponta para a suposta prática de crimes de agressão sexual, coação, lesões psíquicas e desvio de fundos públicos com o agravante de abuso de superioridade.
A queixosa, membro da Polícia Nacional, manteve “no passado uma relação afetiva” com o DAO, uma relação que “foi caracterizada desde o início por uma assimetria de poder institucional manifesta”, dada a sua posição no corpo.
“Esta situação de subordinação institucional foi sistematicamente instrumentalizada pelo arguido para gerar e manter uma dinâmica relacional de controlo, dominação e submissão psicológica sobre a vítima, que em múltiplas ocasiões manifestou a sua vontade inequívoca de terminar a relação, vendo-se impedida de concretizar efetivamente essa decisão”, refere. O DIA DOS FATOS
A relação, de acordo com o documento, terminou “por decisão unilateral” da vítima, uma “circunstância” que González “não aceitou”, iniciando “a partir de então uma conduta obsessiva de assédio e contato indesejado que culminou nos gravíssimos fatos” denunciados.
Concretamente, esses fatos teriam ocorrido em 23 de abril de 2025, quando a mulher estava prestando “serviço ativo ordinário na delegacia de Coslada”. A partir do meio-dia, ela teria recebido “múltiplas chamadas telefônicas” de González “exigindo sua presença imediata e perentória”.
“Diante da recusa inicial e reiterada da vítima, que alegou razões profissionais óbvias, o réu, fazendo uso explícito de sua autoridade institucional, instou-a e instruiu-a a abandonar seu posto de trabalho utilizando um veículo policial camuflado da delegacia de Coslada, com o objetivo de se reunir com ele com caráter de urgência”, consta no documento.
A vítima teria se deslocado a um restaurante onde o DAO estaria comendo com outro comissário. Depois de passar algum tempo com os dois, González e a mulher se dirigiram a um imóvel. Seu superior teria então proposto que ela subisse à residência, mas ela manifestou “seu desconforto e seu desejo de ir embora”.
Uma vez dentro da casa, o DAO teria servido duas cervejas e iniciado “imediatamente uma aproximação física de natureza sexual com a vítima”. “Aproximação que foi rejeitada de forma verbal, expressa, categórica e contínua pela vítima em todos os momentos”, acrescenta a denúncia.
O “PREÇO DO SILÊNCIO” Apesar das recusas, o DAO teria então iniciado “uma conduta agressiva de natureza sexual caracterizada por violência física e intimidação ambiental, aproveitando-se da situação de isolamento, superioridade física e autoridade institucional”. A denúncia relata inúmeras tentativas de González, que teria tocado a mulher sem seu consentimento em suas partes íntimas. Em determinado momento, e “depois de conseguir se livrar do réu e poder abandonar a residência, a vítima pegou o veículo policial camuflado que havia usado para se deslocar até o local, dirigiu-se à delegacia de Coslada onde prestava serviço, deixou o veículo e dirigiu-se à sua residência particular”.
De acordo com o documento, após esse incidente, o DAO iniciou uma “campanha sistemática, obsessiva e intensiva de assédio telefônico e manipulação psicológica sobre a vítima, com o objetivo de manter o controle sobre ela, minimizar a gravidade de sua conduta criminosa, culpar a vítima pelo ocorrido, impedir que ela apresentasse queixa pelos fatos” e “oferecer compensações trabalhistas como preço pelo silêncio”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático