Publicado 17/02/2026 16:58

O DAO da Polícia apresenta a sua demissão após a queixa por uma alegada agressão sexual

Archivo - Arquivo - O diretor adjunto operacional, José Ángel González, participa da apresentação da iniciativa para conscientizar sobre os perigos associados aos jogos online entre adolescentes, no Complexo Policial de Canillas, em 15 de setembro de 2021
Marta Fernández Jara - Europa Press - Arquivo

MADRID 17 fev. (EUROPA PRESS) -

O diretor adjunto operacional (DAO) da Polícia Nacional, o comissário principal José Ángel González, renunciou ao cargo de comandante máximo deste corpo após a decisão do Tribunal de Violência contra a Mulher Número 8 de Madri de citá-lo como investigado ao admitir uma queixa por um suposto crime de agressão sexual cometido contra uma subordinada.

Segundo informou o Ministério do Interior, José Ángel González comunicou sua decisão de renunciar ao cargo que ocupa, o que se tornará efetivo nas próximas horas. José Ángel González Jiménez ingressou na Polícia Nacional em 1984 e é, desde 2018, o comandante máximo da Polícia Nacional, desde que Fernando Grande-Marlaska é ministro do Interior e Francisco Pardo Piqueras diretor-geral da Polícia Nacional.

Em novembro de 2024, este Ministério anulou sua aposentadoria ao completar 65 anos para que ele continuasse no cargo, recorrendo a uma modificação legal que foi questionada pelos partidos da oposição e alguns setores policiais. AGRESSÃO SEXUAL, COAÇÃO, LESÕES E DESVIO DE RECURSOS

Em uma decisão, à qual a Europa Press teve acesso, o juiz concorda em ouvir o depoimento de José Ángel González “na qualidade de réu”. Além disso, ele marca o depoimento da suposta vítima, que é funcionária da Polícia, para o próximo dia 17 de março, às 10h30.

O magistrado indica que os fatos resultantes da queixa “levam a presumir a possível existência de crimes de agressão sexual, cuja instrução compete a este órgão judicial, e a praticar as medidas essenciais para efetuar tal determinação e, se for o caso, o procedimento aplicável”.

Na queixa, recolhida por esta agência de notícias, o advogado da vítima aponta para a suposta prática de crimes de agressão sexual, coação, lesões psíquicas e desvio de fundos públicos com o agravante de abuso de superioridade.

A queixosa, membro da Polícia Nacional, manteve “no passado uma relação afetiva” com o DAO, uma relação que “foi caracterizada desde o início por uma assimetria de poder institucional manifesta”, dada a sua posição no corpo.

“Esta situação de subordinação institucional foi sistematicamente instrumentalizada pelo arguido para gerar e manter uma dinâmica relacional de controlo, dominação e submissão psicológica sobre a vítima, que em múltiplas ocasiões manifestou a sua vontade inequívoca de terminar a relação, vendo-se impedida de concretizar efetivamente essa decisão”, refere. O DIA DOS FATOS

A relação, de acordo com o documento, terminou “por decisão unilateral” da vítima, uma “circunstância” que González “não aceitou”, iniciando “a partir de então uma conduta obsessiva de assédio e contato indesejado que culminou nos gravíssimos fatos” denunciados.

Concretamente, esses fatos teriam ocorrido em 23 de abril de 2025, quando a mulher estava prestando “serviço ativo ordinário na delegacia de Coslada”. A partir do meio-dia, ela teria recebido “múltiplas chamadas telefônicas” de González “exigindo sua presença imediata e perentória”.

“Diante da recusa inicial e reiterada da vítima, que alegou razões profissionais óbvias, o réu, fazendo uso explícito de sua autoridade institucional, instou-a e instruiu-a a abandonar seu posto de trabalho utilizando um veículo policial camuflado da delegacia de Coslada, com o objetivo de se reunir com ele com caráter de urgência”, consta no documento.

A vítima teria se deslocado a um restaurante onde o DAO estaria comendo com outro comissário. Depois de passar algum tempo com os dois, González e a mulher se dirigiram a um imóvel. Seu superior teria então proposto que ela subisse à residência, mas ela manifestou “seu desconforto e seu desejo de ir embora”.

Uma vez dentro da casa, o DAO teria servido duas cervejas e iniciado “imediatamente uma aproximação física de natureza sexual com a vítima”. “Aproximação que foi rejeitada de forma verbal, expressa, categórica e contínua pela vítima em todos os momentos”, acrescenta a denúncia.

O “PREÇO DO SILÊNCIO” Apesar das recusas, o DAO teria então iniciado “uma conduta agressiva de natureza sexual caracterizada por violência física e intimidação ambiental, aproveitando-se da situação de isolamento, superioridade física e autoridade institucional”. A denúncia relata inúmeras tentativas de González, que teria tocado a mulher sem seu consentimento em suas partes íntimas. Em determinado momento, e “depois de conseguir se livrar do réu e poder abandonar a residência, a vítima pegou o veículo policial camuflado que havia usado para se deslocar até o local, dirigiu-se à delegacia de Coslada onde prestava serviço, deixou o veículo e dirigiu-se à sua residência particular”.

De acordo com o documento, após esse incidente, o DAO iniciou uma “campanha sistemática, obsessiva e intensiva de assédio telefônico e manipulação psicológica sobre a vítima, com o objetivo de manter o controle sobre ela, minimizar a gravidade de sua conduta criminosa, culpar a vítima pelo ocorrido, impedir que ela apresentasse queixa pelos fatos” e “oferecer compensações trabalhistas como preço pelo silêncio”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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