Publicado 16/04/2026 10:47

Damasco considera concluído o processo de entrega das bases nas quais os EUA mantinham soldados destacados na Síria

O governo sírio destaca seus esforços para “unificar o país” e afirma estar preparado para combater o terrorismo

Archivo - Arquivo - O presidente de transição da Síria e líder do grupo jihadista sírio Hayat Tahrir al-Sham (HTS), Ahmed Hussein al-Shara
PRESIDENCIA DE SIRIA - Arquivo

MADRID, 16 abr. (EUROPA PRESS) -

As autoridades instaladas na Síria após a queda, em dezembro de 2024, do regime de Bashar al Assad afirmaram nesta quinta-feira que o processo de entrega das bases militares pelos Estados Unidos foi concluído, ao mesmo tempo em que agradeceram a Washington pelo processo, que encerra a “missão militar” americana no país asiático.

O Ministério das Relações Exteriores sírio assinalou em um comunicado publicado nas redes sociais que “aplaude a conclusão da entrega ao Governo sírio das instalações militares nas quais anteriormente estavam presentes forças americanas na Síria”, sem que Washington tenha se pronunciado a respeito.

“A extensão da autoridade do Estado sírio sobre áreas que anteriormente estavam fora de seu controle, incluindo o nordeste e as regiões fronteiriças, é o resultado dos esforços contínuos do Governo sírio para unificar o país dentro da estrutura de um único Estado”, afirmou.

Assim, ele ressaltou que esse processo de transferência de instalações “reflete, além disso, a integração bem-sucedida das Forças Democráticas Sírias (FDS) nas estruturas nacionais e a assunção, por parte do Estado sírio, da plena responsabilidade de combater o terrorismo e enfrentar as ameaças regionais em seu território”.

“O governo sírio considera que a decisão dos Estados Unidos de concluir sua missão militar na Síria reflete uma análise compartilhada de que as circunstâncias que originalmente exigiram a presença militar americana na Síria, ou seja, conter a ascensão regional do Estado Islâmico, mudaram de forma fundamental”, argumentou.

Nesse sentido, defendeu que “o Estado sírio é hoje plenamente capaz de liderar os esforços antiterroristas a partir de dentro, em cooperação com a comunidade internacional”, ao mesmo tempo em que destacou que o processo de entrega dessas instalações “foi realizado com grande profissionalismo” e com “total coordenação”.

Damasco argumentou que este fato reflete também “a natureza construtiva da relação que se desenvolveu entre Damasco e Washington” após a “reunião histórica” realizada em novembro de 2025 na Casa Branca entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente interino sírio, Ahmed al Shara, antigo líder do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS).

“A Síria continua comprometida em avançar nessa trajetória por meio do fortalecimento da diplomacia, do desenvolvimento de parcerias econômicas e da ampliação das áreas de cooperação, de modo a servir aos interesses de ambos os países”, concluiu o ministério, sem que Washington tenha se pronunciado até o momento sobre a conclusão dessa retirada.

Apenas algumas horas antes, o Ministério da Defesa sírio anunciou que Damasco havia assumido o controle da base aérea de Qasrak, na província de Hasaka, após as instalações terem sido transferidas pelos Estados Unidos, conforme informou a agência de notícias estatal síria, SANA.

O Exército dos Estados Unidos concluiu, em meados de março, sua retirada de uma das últimas bases nas quais mantinha presença militar na Síria, conhecida como Rumalyn Landing Zone (RLZ), “como parte de uma transição deliberada e sujeita a condições por parte da operação ‘Resolução Inerente’”, segundo afirmou Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), em declarações concedidas à Europa Press.

A operação foi lançada em junho de 2014 pela coalizão internacional contra o Estado Islâmico, liderada pelos Estados Unidos, para enfrentar a ofensiva relâmpago do grupo jihadista, que tomou partes do Iraque e da Síria onde declarou um “califado” liderado por seu então líder, Abu Bakr al-Baghdadi.

Por isso, Hawkins destacou, após a retirada da RLZ, que “as forças americanas continuam preparadas para responder a qualquer ameaça do Estado Islâmico que surja na região, enquanto apoiamos os esforços liderados pelos parceiros para evitar o ressurgimento dessa rede terrorista”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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