Publicado 14/05/2026 05:51

Cuba confirma que não resta “absolutamente nada” de diesel e óleo combustível na ilha devido ao bloqueio dos EUA

Archivo - Arquivo - Bandeiras de Cuba em uma cerimônia em homenagem a Camilo Cienfuegos em Havana
PRESIDENCIA DE CUBA - Arquivo

As autoridades cubanas enfatizam que a situação “é muito tensa” e que o bloqueio “está causando muitos danos”

MADRID, 14 maio (EUROPA PRESS) -

As autoridades de Cuba confirmaram que não resta “absolutamente nada” de diesel e óleo combustível e destacaram que a situação é “crítica” devido ao impacto do endurecimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha desde o início deste ano.

“Não temos absolutamente nada de óleo combustível, não temos absolutamente nada de diesel”, afirmou o ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy. “A única coisa que temos é gás de nossos poços, cuja produção realmente cresceu, e o petróleo nacional, cuja produção também vem crescendo”, afirmou ele em entrevista à mídia cubana, transmitida pela Presidência de Cuba nas redes sociais.

“A situação é muito tensa. O efeito do bloqueio está nos prejudicando muito, continuamos sem receber combustível”, explicou, antes de ressaltar que esse “bloqueio energético implacável” ocorre após “um bloqueio que já dura muitos anos”, pelo que as medidas recentes “agravaram e tensionaram ainda mais a situação econômica e energética do país”.

De la O Levy especificou que Cuba ficou sem receber combustível durante quatro meses, até a chegada de “uma doação” da Rússia com “cerca de 100 mil toneladas de petróleo bruto”, o que permitiu aliviar ligeiramente a situação durante o mês de abril, embora a situação já esteja voltando aos seus piores momentos.

“Essa é a principal causa das longas horas de interrupções, às quais se soma também o estado técnico do parque tecnológico”, afirmou o ministro, que destacou que a escassez de combustível faz com que a saída do sistema de qualquer unidade termoelétrica por avaria ou manutenção resulte em apagões. “Hoje temos temperaturas mais altas e apenas o sistema elétrico está funcionando com as usinas termoelétricas, o gás e os parques solares fotovoltaicos”, observou.

Assim, ele ressaltou que “os apagões hoje duram cerca de 20 ou 22 horas e, quando o serviço volta, dura duas horas, uma hora e meia, duas horas, três horas, quatro horas em alguns circuitos”. “Do pouco que estamos gerando, todos os hospitais, locais econômicos de alta prioridade e uma série de outros circuitos que precisam ser protegidos estão sendo abastecidos, pois são o suporte contra as flutuações do sistema”, argumentou.

“Os sistemas elétricos funcionam com reserva (...) nós não contamos com essa reserva. Essa reserva foi se perdendo ao longo dos anos devido à situação econômica e financeira causada em 99,9% pelo bloqueio”, lamentou. “Continuaremos bloqueados, mas continuaremos resistindo e continuaremos encontrando soluções, continuaremos buscando alternativas próprias, nacionais, com nossos recursos”, destacou.

BUSCA POR “ALTERNATIVAS ENERGÉTICAS”

Nesse sentido, ele enfatizou que as autoridades cubanas estão trabalhando na busca por “alternativas energéticas” que “possam ser sustentáveis”, ao mesmo tempo em que reiterou que o governo “está aberto a comprar combustível”. "Não recusamos a ninguém que nos venda combustível a possibilidade de comprá-lo", disse o ministro, que ressaltou que "em nenhum momento foi interrompida a busca por negociações para a aquisição de combustível, de todos os tipos necessários".

“As negociações continuam, mas em condições extremamente diferentes, inclusive agora devido aos preços causados pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e pela situação no Estreito de Ormuz”, disse De la O Levy, que destacou a existência de “muitas dificuldades” decorrentes das múltiplas sanções impostas pelos Estados Unidos contra a ilha caribenha.

Washington impôs em janeiro um bloqueio petrolífero à ilha, ameaçando com sanções e tarifas qualquer país que forneça energia a Cuba, o que agravou a crise de abastecimento, especialmente após a perda do fornecimento da Venezuela no início do ano, na sequência da operação militar dos Estados Unidos em Caracas, que resultou em mais de cem mortos e na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.

As palavras do ministro cubano vêm depois que o Departamento de Estado dos Estados Unidos ofereceu uma ajuda humanitária adicional avaliada em 100 milhões de dólares (pouco mais de 85 milhões de euros) que “seria distribuída em coordenação com a Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes de confiança”.

“A decisão de aceitar nossa oferta de ajuda ou recusar uma assistência vital que salva vidas cabe ao regime cubano, que, em última instância, deverá prestar contas ao povo cubano por se interpor no caminho de uma ajuda fundamental”, disse ele, antes de ressaltar que o objetivo de Washington é continuar “buscando reformas significativas no sistema comunista cubano”.

A “oferta” foi divulgada no âmbito de uma visita oficial a Pequim do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para se reunir com seu homólogo chinês, Xi Jinping. A gigante asiática é justamente um dos principais aliados de Havana e um dos principais responsáveis pela entrega de ajuda externa à ilha.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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