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Solicita a Guterres a contribuição da ONU para “impedir uma agressão militar” dos EUA contra Cuba
MADRID, 27 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, criticou duramente nesta terça-feira o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificando-o como “um dos artífices do endurecimento extremo” que a ilha sofre “em todos os âmbitos”, em alusão ao bloqueio e às crescentes pressões sobre Havana, como a acusação contra o ex-presidente Raúl Castro.
“O secretário de Estado (dos Estados Unidos) é um dos principais artífices da ameaça militar contra Cuba, do bloqueio energético e total do fornecimento de combustível a Cuba”, destacou o ministro caribenho em entrevista à rede Fox, na qual ressaltou que Rubio tem sido “um dos artífices do endurecimento extremo do bloqueio contra o país em todos os âmbitos”.
Ele fez isso em alusão a um vídeo do próprio chefe da diplomacia norte-americana, divulgado na semana passada, no qual Rubio propunha ao povo cubano estabelecer uma “nova relação” direta e sem a tutela das autoridades de Havana, às quais acusou de “saquear bilhões de dólares” por meio de empresas como o Grupo de Administração Empresarial S.A. (GAESA), conglomerado de propriedade das Forças Armadas cubanas que tem sido alvo de recentes sanções por parte de Washington.
Afirmando assim que o secretário de Estado norte-americano “mente” em questões como a negação da existência de um bloqueio energético contra o país, Rodríguez considerou que tal “mensagem” foi incorporada como um “ato infeliz à percepção que os cubanos têm” sobre Rubio.
“É uma pessoa que não nasceu em Cuba, que não conhece Cuba, que não sabe nada sobre Cuba”, retrucou o ministro das Relações Exteriores da ilha, questionando igualmente que, se o Estado cubano fosse “ineficaz” e a economia do país “não fosse viável”, para que seria necessária a “ordem executiva do presidente dos Estados Unidos (Donald Trump) de 29 de janeiro declarando um bloqueio energético total”.
UM PEDIDO À ONU PARA QUE OS EUA CESEM SUAS AMEAÇAS
Nesta mesma terça-feira, Rodríguez se reuniu com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a quem solicitou a “contribuição” da ONU com o objetivo de “impedir uma agressão militar dos Estados Unidos contra Cuba que provocaria um banho de sangue” e de conseguir que “cessem as ameaças de uso da força”.
Nessa ocasião, o ministro cubano reiterou a rejeição do Executivo cubano à “infame, fraudulenta e ilegal acusação” contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, que foi indiciado na semana passada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos pelo abate, em 1996, de dois aviões civis em águas internacionais pertencentes à organização de exilados cubanos Hermanos al Rescate.
“Denunciamos a infame e arbitrária acusação criminal contra o líder da Revolução cubana, o General do Exército Raúl Castro Ruz. Trata-se de um ato moralmente infame, que abusa da jurisdição dos tribunais norte-americanos, manipula o local do abate dos aviões ocorrido no espaço aéreo e marítimo do território cubano; ignora as missões terroristas e ilegais que estes frequentemente cumpriam, em violação às leis norte-americanas, e desrespeita o direito à legítima defesa dos Estados”, argumentou Rodríguez.
Por fim, a chefe da pasta das Relações Exteriores de Havana informou Guterres sobre a “grave situação humanitária” que o povo cubano enfrenta, algo que ela atribuiu ao “recrudescimento extremo do bloqueio pelo governo dos Estados Unidos, com medidas adicionais, sanções secundárias e um cerco energético brutal”.
Apesar disso e da “incoerência da contraparte”, esclareceu Rodríguez, a ilha está disposta a “continuar as conversações bilaterais com os Estados Unidos sem ingerência em assuntos internos, no sistema político ou nas eleições”.
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