MADRID 9 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de pressionar os países da região para que ponham fim aos seus acordos de cooperação médica com Havana, no âmbito da campanha de asfixia econômica imposta pelo governo Trump.
“O governo dos Estados Unidos persegue, pressiona e extorque outros governos para que ponham fim à presença das Brigadas Médicas Cubanas em diversos países, sob pretextos falsos, como de costume”, afirmou em uma mensagem publicada nas redes sociais.
Rodríguez afirmou que esse tipo de medida vem sendo promovido por Washington há “mais de seis décadas” contra o comércio, os investimentos, as transferências bancárias e qualquer outro tipo de atividade que gere receita para a economia cubana.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba afirmou ainda que as missões médicas cubanas “desempenham tarefas solidárias em locais de difícil acesso”, além de ajudar “no desenvolvimento de sistemas de saúde com recursos humanos experientes”.
“Seu pessoal é contratado de forma voluntária, legal e soberana, em conformidade com as normas internacionais. Os objetivos do governo norte-americano e da campanha diplomático-midiática que desenvolve são continuar cercando a economia cubana e cortar fontes de receita legítimas para asfixiar o povo de Cuba”, declarou.
Vários países latino-americanos, entre eles a Guatemala e Honduras, anunciaram a rescisão desses acordos — que representam uma importante fonte de receita para a ilha — em meio às pressões exercidas pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Suas palavras foram proferidas dias depois de a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicar um relatório que denuncia violações dos direitos trabalhistas desses médicos, incluindo “tratamento diferenciado, níveis de remuneração insuficientes, práticas de retenção de rendimentos, jornadas de trabalho prolongadas e a atribuição de tarefas alheias ao trabalho de saúde”.
Segundo o relatório, o Estado cubano rejeitou categoricamente as denúncias sobre a violação dos direitos humanos no âmbito das missões médicas, em particular no que diz respeito às alegações de “escravidão moderna” e de “tráfico de pessoas”.
“Caso abandonem a missão, os profissionais de saúde podem enfrentar graves represálias, como a proibição de retornar ao país, o que acarreta separações familiares forçadas e pressões sobre seus familiares em Cuba”, afirma o texto divulgado na terça-feira.
Da mesma forma, o relatório alerta para a “retenção de uma parte significativa de seus salários pelo Estado cubano, severas restrições às suas liberdades fundamentais e uma falta generalizada de proteção jurídica”.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, alertou em várias ocasiões sobre o “bloqueio energético” promovido pelos Estados Unidos contra a ilha. A decisão de Trump de impedir a entrada de petróleo nos últimos três meses está afetando os sistemas de saúde e educação da ilha, bem como o abastecimento de água potável.
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