Publicado 08/07/2026 02:52

Cuba acusa os EUA perante a ONU de “punição coletiva” devido ao bloqueio imposto à ilha

Archivo - Arquivo - 29 de outubro de 2025, Nova York, Nova York, EUA: BRUNO RODRIGUEZ PARRILLA, Ministro das Relações Exteriores de Cuba, discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas antes da votação de uma resolução que pede o fim do embargo econômico
Europa Press/Contacto/Bianca Otero - Arquivo

MADRID 8 jul. (EUROPA PRESS) -

Cuba e os Estados Unidos protagonizaram um confronto acirrado na última sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, convocada a pedido de Havana, que chegou a acusar Washington de “punição coletiva”, sob o título “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba”.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou os Estados Unidos de travar uma “guerra multidimensional e não convencional” contra seu país, a qual “tem se tornado cada vez mais cruel nos últimos sete meses”.

Comparando o bloqueio energético a um bloqueio naval, como ato de guerra, o chefe da diplomacia cubana destacou que o acesso de Cuba ao abastecimento de combustível é dificultado por “ameaças diretas, ações coercitivas unilaterais” e intimidação a petroleiros por parte do Exército dos Estados Unidos.

A essas pressões somam-se, alegou ele, “ações sem precedentes de caráter extraterritorial extremo”, que ele associou ao objetivo “macabro” de provocar uma crise humanitária e a desestabilização total de Cuba. Isso “impulsionaria fortemente uma intervenção militar imperialista” e provocaria um banho de sangue, argumentou ele.

“Nestes meses, os danos humanitários à nossa população se multiplicaram”, alertou o ministro, citando “a deterioração da qualidade de vida, a redução das fontes de subsistência, a limitação das potencialidades de desenvolvimento pessoal, familiar e social, (e) a violação maciça, flagrante e sistemática dos Direitos Humanos de todo um povo”, um conjunto de fatores que ele qualificou como “um ato de punição coletiva”.

Nesse contexto, ele criticou o governo dos Estados Unidos, e especialmente seu Departamento de Estado — liderado por Marco Rubio, filho de cubanos —, que “divulgam a mentira de que o bloqueio não é dirigido contra o povo cubano, mas apenas contra o governo”.

“Perguntem ao povo de Cuba se ele sofre ou não com o bloqueio. Perguntem até mesmo aos diplomatas, correspondentes e outros estrangeiros que vivem em Cuba”, rebateu ele, após ressaltar que “o bloqueio sufoca e mata silenciosamente”.

EUA INSISTEM QUE “O COMUNISMO NUNCA FUNCIONOU”

Por sua vez, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Michael Waltz, afirmou que, apesar das conversas sobre um apagão, “parece sempre haver energia suficiente para a ditadura cubana”.

De fato, afirmou ele, energia suficiente para que “o aparato de propaganda cubano” possa “editar, publicar e traduzir as mentiras que estão divulgando a partir deste órgão, mais uma vez, para todo o mundo”.

Alegando que “o comunismo nunca funcionou, (...) não funciona nem funcionará”, o diplomata norte-americano instou o Executivo cubano a “mudar de atitude, devolver a luz ao seu povo”, referindo-se também aos protestos de 2021 de cubanos “cansados de um regime que acumula bilhões enquanto seu povo morre de fome”.

O debate, no qual Havana contou com o apoio de alianças internacionais como a Comunidade do Caribe (CARICOM) e o Grupo dos 77 — do qual fazem parte mais de 130 países— e a China, foi precedido por protestos contra a realização do evento, emitidos pelo diplomata norte-americano Jeffrey Bartos, que denunciou um “desperdício” de 84 mil dólares de recursos da ONU para uma única reunião de três horas.

Com esse montante, “poderíamos alimentar 3.500 crianças cubanas durante um mês”, afirmou ele, pouco antes de criticar que “o regime cubano já tem um espetáculo anual de encobrimento neste órgão”, em alusão à tradicional votação sobre uma declaração para pôr fim ao bloqueio norte-americano contra a ilha.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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