Publicado 20/08/2026 08:16

CSIF e Jupol afirmam estar “no limite” em Ceuta e exigem acomodações “dignas” e reforço de pessoal

Eles afirmam que os policiais estão “amontoados” em alojamentos com até oito beliches e sem ar-condicionado, atendendo cerca de 200 chamadas por dia

Vários agentes da Polícia Nacional vigiam uma praia, em 19 de agosto de 2026, em Ceuta (Espanha). Ceuta continua enfrentando uma grave crise humanitária após a histórica entrada em massa de mais de 70.000 migrantes que atravessaram a nado o Tarajal durant
Marcos Moreno - Europa Press

MADRI, 20 ago. (EUROPA PRESS) -

A Central Sindical Independente e de Funcionários (CSIF) e o sindicato policial Jupol afirmaram nesta quinta-feira que os policiais mobilizados em Ceuta após a entrada em massa de imigrantes provenientes do Marrocos estão “no limite” e exigiram acomodações “dignas” e o reforço do quadro de pessoal.

O CSIF e o Jupol se reuniram “de emergência” para discutir as condições de trabalho e de vida dos policiais no contexto do destacamento em Ceuta, que se encontra em um estado de “preocupante abandono, colapso organizacional e de segurança”, conforme denunciaram em um comunicado.

Nesse contexto, informaram que o tratamento dispensado aos policiais é “inadmissível e degradante” , uma vez que “estão amontoados em módulos militares, em quartos com até oito beliches, onde se alojam sete ou oito policiais sem climatização nem ar-condicionado, com um único ventilador por módulo em pleno verão, banheiros e chuveiros manifestamente insuficientes e graves problemas de ventilação”.

PRIORIDADE AOS ASSALTANTES

O CSIF e o Jupol afirmam que os migrantes “têm até mais chuveiros do que os disponíveis para as forças de segurança”. “Está-se dando prioridade aos assaltantes (...) não se pode continuar exigindo disponibilidade absoluta e desempenho ao limite sem oferecer, em troca, condições mínimas de dignidade e proteção legal”, acrescentaram.

Assim, reivindicam acomodações “ótimas” e a atualização “imediata” das diárias para todos os funcionários públicos em Ceuta, que, segundo denunciaram, estão “totalmente desatualizadas” em relação à realidade socioeconômica atual da cidade autônoma.

Em relação aos quadros de pessoal, ambos os órgãos apontam para a “escassez estrutural” de pessoal que “sufoca” o serviço policial regular. Especificamente, de acordo com os números fornecidos, há cerca de 60 policiais de choque por turno, num total de 180, um número “absolutamente insuficiente” para lidar com a situação atual em Ceuta, “com ainda cerca de 10.000 invasores, no mínimo, estabelecidos de forma irregular” após a entrada em massa.

Eles destacam que a Polícia Local executa “escrupulosamente” as ações que lhe são ordenadas, mas sempre “dentro de suas competências e áreas designadas”.

Enquanto isso, os policiais federais “estão sobrecarregados”, atendendo a até 200 chamadas diárias com efetivos “abaixo do mínimo” que precisam ser distribuídos em turnos de 24 horas, o que “impossibilita” garantir uma proteção “segura” tanto para a população quanto para os próprios policiais.

INTERVENÇÕES HOSTIS SEM APOIO

Por fim, o CSIF e a Jupol denunciam que as intervenções diárias que realizam são “extremamente complexas e hostis” e não contam com o apoio de “diretrizes operacionais claras nem de uma cobertura jurídica sólida por parte da Administração”.

Nesse contexto, consideram “imperativo” dotar os funcionários de um marco de segurança jurídica “eficaz” para que não fiquem “desamparados legalmente” após cumprirem seu dever.

O CSIF aproveitou para reiterar sua exigência ao Governo de que seja ativada imediatamente a Lei de Segurança Nacional em Ceuta sob um comando único de caráter “estritamente técnico”. “É inaceitável que a gestão de uma crise de Estado fique paralisada por disputas partidárias e atritos de competência”, lamenta o sindicato, que afirma que um comando único garantiria uma “agilidade operacional real”, “uma coordenação integral dos serviços essenciais” e “a segurança e o dimensionamento dos quadros de pessoal”

“A pressão que Ceuta vem suportando ultrapassou todos os limites da capacidade humana”, concluíram.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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