Publicado 13/02/2026 10:07

O CSIC transforma resíduos de gesso em materiais de construção sustentáveis através de um processo que captura CO2.

O cimento obtido a partir da vaterita pode ser usado sozinho ou misturado com cimento tradicional.
AKSAKAL. PEXELS

GRANADA 13 fev. (EUROPA PRESS) - Um estudo liderado pelo Instituto Andaluz de Ciências da Terra do Conselho Superior de Investigação Científica (IACT-CSIC) desenvolveu uma técnica que permite transformar gesso em vaterita, um mineral escasso e de alto valor industrial.

Esses cientistas também demonstraram que a vaterita assim obtida pode ser usada como material de construção sustentável, uma vez que sua produção consome dióxido de carbono (CO2). O trabalho, publicado na revista científica “Advanced Functional Materials”, abre as portas para a valorização de resíduos industriais de gesso por meio de uma técnica que, além disso, contribui para o sequestro e a redução das emissões de carbono.

O gesso é um resíduo muito abundante em diversos processos industriais, como a produção de fertilizantes, atividades de demolição e construção ou a produção de dióxido de titânio. No entanto, sua reutilização e reciclagem são mínimas, cerca de 15% em toda a União Europeia.

Por sua vez, a vaterita é um mineral instável que raramente é encontrado na natureza, mas que — justamente por sua instabilidade e grande reatividade — tem aplicações interessantes na indústria farmacêutica, na fabricação de papel e no desenvolvimento de novos materiais de construção.

Neste estudo, os pesquisadores conseguiram converter gesso em vaterita usando apenas água e dióxido de carbono, sem a necessidade de aditivos químicos e operando em condições ambientais. Além disso, eles demonstram que a vaterita resultante tem uma aplicação direta como substituto do cimento tradicional, com resistência comparável, mas com a vantagem de que sua fabricação consome muito menos energia, pois é feita a temperaturas mais baixas.

“Isso é crucial porque não só permite capturar e armazenar carbono no próprio material, mas também contribui para reduzir indiretamente as emissões associadas à indústria do cimento convencional, que é responsável por aproximadamente 8% das emissões globais de CO2”, explica Alexander Van Driessche, pesquisador do CSIC no Instituto de Ciências da Terra, no qual também participam o Institut des Sciences de la Terre (CNRS-Universidade de Grenoble-Alpes, na França) e a empresa química alemã BASF. De fato, os cálculos teóricos indicam que, para cada quilo de gesso processado, é possível sequestrar (ou seja, capturar e fixar) cerca de 0,26 quilos de carbono. Este número, que pode parecer modesto, ganha relevância quando se considera o volume massivo de resíduos de gesso disponíveis à escala global. O método, que não necessita de aditivos e pode ser realizado à temperatura ambiente, consiste em dissolver o pó de gesso numa solução aquosa rica em carbonatos (solução alcalina) de captura de carbono. O resultado é uma vaterita com pureza superior a 95%, alta superfície específica e grande reatividade, propriedades que abrem as portas para múltiplas aplicações tecnológicas, não apenas na construção, mas também na farmácia ou na fabricação de papel.

Para realizar os experimentos, os pesquisadores utilizaram diferentes tipos de gesso puro (tanto sintético quanto natural), o que lhes permitiu obter uma compreensão detalhada do mecanismo de cristalização envolvido. Embora os experimentos tenham sido realizados com gesso de alta pureza, os pesquisadores apontam que a conversão também funciona com gesso proveniente de resíduos industriais, uma vez que o processo químico envolvido é o mesmo em ambos os casos.

Os pesquisadores apontam que o trabalho abre caminho para a valorização dos resíduos de gesso, embora ainda haja desafios a serem resolvidos. O primeiro, no qual já estão trabalhando, é integrar a eliminação eficiente das impurezas contidas nos resíduos industriais de gesso ao mecanismo de produção de vaterita, de forma que não afetem a pureza do mesmo. Posteriormente, trabalharão na ampliação do processo para consolidar a técnica como uma solução eficaz para o tratamento de grandes volumes de resíduos. “Do ponto de vista social e ambiental, enfrentamos os grandes desafios de reduzir o CO2 da atmosfera e gerenciar o acúmulo de resíduos industriais. Nosso método não apenas ajuda a eliminar resíduos poluentes do meio ambiente, mas também permite obter um material útil cuja comercialização contribuiria para cobrir os custos, tornando o processo economicamente mais viável”, concluiu Van Driessche.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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