MINISTERIO DE EXTERIORES DE SUIZA
Bombardeios israelenses logo pela manhã deixam sete mortos no sul do Líbano
Navios de carga indianos atravessam o Estreito de Ormuz, apesar de o Irã ter anunciado seu fechamento devido à continuação da ofensiva israelense
MADRID, 21 jun. (EUROPA PRESS) -
As delegações de negociação dos Estados Unidos, do Irã e do Paquistão já se encontram na cidade suíça de Bürgenstock, às margens do Lago de Lucerna, para iniciar, por volta do meio-dia, sua primeira reunião após a assinatura, nesta semana, de um acordo preliminar de negociações que, neste momento, atravessa sua primeira grande crise, depois que o Irã anunciou, no último sábado, um novo fechamento do Estreito de Ormuz em retaliação à continuação da ofensiva israelense no sul do Líbano.
Os bombardeios israelenses, em retaliação — segundo o Exército — a novos ataques das milícias do Hezbollah, aliadas estratégicas do Irã, deixaram, nas últimas 48 horas, mais de uma centena de mortos no sul do país. O Irã alertou desde o início que a cessação das operações israelenses na região é uma condição imprescindível para dar continuidade aos 60 dias de negociações que tiveram início na última quinta-feira; por isso, a situação no Líbano dominará as conversas que, inicialmente, seriam voltadas principalmente a uma exploração preparatória.
A delegação norte-americana é liderada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, enquanto a iraniana é chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohamed Baquer Qalifab. Estão previstas duas sessões, uma pela manhã e outra à tarde, e, até o momento, nenhuma das duas partes confirmou a possibilidade de um encontro cara a cara diante das câmeras. Nas horas que antecedem o início das negociações, o trabalho está agora nas mãos do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.
Vance chegou à Suíça por volta das 6h, horário local, no domingo, duas horas antes da chegada do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e do chefe do Exército, Asim Munir. A delegação iraniana foi a primeira a chegar, na noite passada.
“Só poderei ficar lá um ou dois dias”, declarou Vance aos jornalistas antes de partir. “Espero que possamos avançar na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano”, acrescentou o vice-presidente, que mantém inalterada sua ideia de definir “a estrutura de negociação” durante o encontro.
Esses preparativos de última hora ocorrem em meio a novos ataques israelenses no Líbano: cinco pessoas, entre elas uma criança, morreram em um ataque aéreo israelense no vale de Bekaa, segundo a Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano, e outros dois palestinos morreram em um ataque separado perto da cidade litorânea de Tiro, no sul do país.
O Exército israelense declarou não ter conhecimento de nenhum ataque realizado por suas forças durante a noite.
De acordo com fontes de segurança libanesas, as forças terrestres israelenses vigiam de perto uma colina de importância estratégica perto de Nabatiye, a nordeste de Tiro, onde ainda não assumiram o controle. As fontes informam que combatentes da milícia Hezbollah e comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (CGRI) estão se escondendo na área.
Por outro lado, o site de notícias israelense Ynet informa que o Exército israelense de fato controla a área, suposto local de uma base subterrânea fortificada construída com apoio iraniano, que constitui um dos centros de comando e controle mais importantes do Hezbollah no sul do Líbano.
O Hezbollah negou essas informações à emissora Al Jazeera e afirmou que o Exército israelense as utiliza para elevar o moral após o fracasso das forças israelenses na tomada da colina.
Enquanto isso, em Ormuz, três superpetroleiros com carga completa, ligados à Índia, reapareceram no Golfo de Omã, o que aumenta o tráfego bidirecional observado pelas rotas norte e sul do Estreito de Ormuz, apesar das versões contraditórias sobre a situação dessas travessias.
Os navios “Desh Vibhor”, “Desh Vaibhav” e “Sanmar Herald” foram avistados no domingo no Golfo de Omã e no Mar Arábico, após terem sido vistos pela última vez na noite de sexta-feira tentando atravessar o Estreito de Ormuz, de acordo com dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg News.
Os superpetroleiros, cada um com indícios de propriedade indiana ou carga com destino à Índia, transportam, juntos, quase seis milhões de barris de petróleo iraquiano e kuwaitiano. Não foi possível determinar imediatamente a rota seguida por esses navios, mas suas tentativas de navegar em direção à ilha de Qeshm sugerem que eles possam ter seguido uma rota aprovada por Teerã.
A Shipping Corporation of India, que figura como proprietária e gestora dos navios “Desh Vibhor” e “Desh Vaibhav” no banco de dados Equasis, não respondeu imediatamente aos e-mails solicitando comentários fora do horário comercial habitual. A Sanmar Shipping Ltd., operadora do “Sanmar Herald”, também não respondeu.
O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz no sábado, alegando que tomava essa medida porque os contínuos ataques de Israel no sul do Líbano haviam violado o acordo de cessar-fogo. O Comando Central dos Estados Unidos rejeitou essa afirmação no mesmo dia, indicando que o tráfego havia aumentado, com 55 navios mercantes, que transportavam quase 17 milhões de barris de petróleo para os mercados mundiais, tendo cruzado o estreito.
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