Publicado 21/06/2026 05:38

A crise no Líbano domina a primeira reunião de hoje entre os EUA e o Irã desde a assinatura do acordo preliminar

Bombardeios israelenses logo pela manhã deixam sete mortos no sul do Líbano

Navios de carga indianos atravessam o Estreito de Ormuz, apesar de o Irã ter anunciado seu fechamento devido à continuação da ofensiva israelense

Chegada da delegação dos EUA às negociações com o Irã em Bürgenstock (Suíça), em 21 de junho de 2026
MINISTERIO DE EXTERIORES DE SUIZA

Bombardeios israelenses logo pela manhã deixam sete mortos no sul do Líbano

Navios de carga indianos atravessam o Estreito de Ormuz, apesar de o Irã ter anunciado seu fechamento devido à continuação da ofensiva israelense

MADRID, 21 jun. (EUROPA PRESS) -

As delegações de negociação dos Estados Unidos, do Irã e do Paquistão já se encontram na cidade suíça de Bürgenstock, às margens do Lago de Lucerna, para iniciar, por volta do meio-dia, sua primeira reunião após a assinatura, nesta semana, de um acordo preliminar de negociações que, neste momento, atravessa sua primeira grande crise, depois que o Irã anunciou, no último sábado, um novo fechamento do Estreito de Ormuz em retaliação à continuação da ofensiva israelense no sul do Líbano.

Os bombardeios israelenses, em retaliação — segundo o Exército — a novos ataques das milícias do Hezbollah, aliadas estratégicas do Irã, deixaram, nas últimas 48 horas, mais de uma centena de mortos no sul do país. O Irã alertou desde o início que a cessação das operações israelenses na região é uma condição imprescindível para dar continuidade aos 60 dias de negociações que tiveram início na última quinta-feira; por isso, a situação no Líbano dominará as conversas que, inicialmente, seriam voltadas principalmente a uma exploração preparatória.

A delegação norte-americana é liderada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, enquanto a iraniana é chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohamed Baquer Qalifab. Estão previstas duas sessões, uma pela manhã e outra à tarde, e, até o momento, nenhuma das duas partes confirmou a possibilidade de um encontro cara a cara diante das câmeras. Nas horas que antecedem o início das negociações, o trabalho está agora nas mãos do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.

Vance chegou à Suíça por volta das 6h, horário local, no domingo, duas horas antes da chegada do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e do chefe do Exército, Asim Munir. A delegação iraniana foi a primeira a chegar, na noite passada.

“Só poderei ficar lá um ou dois dias”, declarou Vance aos jornalistas antes de partir. “Espero que possamos avançar na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano”, acrescentou o vice-presidente, que mantém inalterada sua ideia de definir “a estrutura de negociação” durante o encontro.

Esses preparativos de última hora ocorrem em meio a novos ataques israelenses no Líbano: cinco pessoas, entre elas uma criança, morreram em um ataque aéreo israelense no vale de Bekaa, segundo a Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano, e outros dois palestinos morreram em um ataque separado perto da cidade litorânea de Tiro, no sul do país.

O Exército israelense declarou não ter conhecimento de nenhum ataque realizado por suas forças durante a noite.

De acordo com fontes de segurança libanesas, as forças terrestres israelenses vigiam de perto uma colina de importância estratégica perto de Nabatiye, a nordeste de Tiro, onde ainda não assumiram o controle. As fontes informam que combatentes da milícia Hezbollah e comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (CGRI) estão se escondendo na área.

Por outro lado, o site de notícias israelense Ynet informa que o Exército israelense de fato controla a área, suposto local de uma base subterrânea fortificada construída com apoio iraniano, que constitui um dos centros de comando e controle mais importantes do Hezbollah no sul do Líbano.

O Hezbollah negou essas informações à emissora Al Jazeera e afirmou que o Exército israelense as utiliza para elevar o moral após o fracasso das forças israelenses na tomada da colina.

Enquanto isso, em Ormuz, três superpetroleiros com carga completa, ligados à Índia, reapareceram no Golfo de Omã, o que aumenta o tráfego bidirecional observado pelas rotas norte e sul do Estreito de Ormuz, apesar das versões contraditórias sobre a situação dessas travessias.

Os navios “Desh Vibhor”, “Desh Vaibhav” e “Sanmar Herald” foram avistados no domingo no Golfo de Omã e no Mar Arábico, após terem sido vistos pela última vez na noite de sexta-feira tentando atravessar o Estreito de Ormuz, de acordo com dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg News.

Os superpetroleiros, cada um com indícios de propriedade indiana ou carga com destino à Índia, transportam, juntos, quase seis milhões de barris de petróleo iraquiano e kuwaitiano. Não foi possível determinar imediatamente a rota seguida por esses navios, mas suas tentativas de navegar em direção à ilha de Qeshm sugerem que eles possam ter seguido uma rota aprovada por Teerã.

A Shipping Corporation of India, que figura como proprietária e gestora dos navios “Desh Vibhor” e “Desh Vaibhav” no banco de dados Equasis, não respondeu imediatamente aos e-mails solicitando comentários fora do horário comercial habitual. A Sanmar Shipping Ltd., operadora do “Sanmar Herald”, também não respondeu.

O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz no sábado, alegando que tomava essa medida porque os contínuos ataques de Israel no sul do Líbano haviam violado o acordo de cessar-fogo. O Comando Central dos Estados Unidos rejeitou essa afirmação no mesmo dia, indicando que o tráfego havia aumentado, com 55 navios mercantes, que transportavam quase 17 milhões de barris de petróleo para os mercados mundiais, tendo cruzado o estreito.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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