Marcos Moreno - Europa Press
Marlaska será o principal alvo das perguntas, diante da ausência de Robles, Albares e Torres
MADRID, 6 set. (EUROPA PRESS) -
A crise em Ceuta, decorrente da entrada em massa de imigrantes nos dias 30 e 31 de julho, será o tema central na próxima quarta-feira da primeira sessão de questionamento ao Governo da nova legislatura do Congresso, na qual o PP e o Vox dirigirão perguntas ao presidente Pedro Sánchez e a seis de seus ministros. A ausência dos ministros das Relações Exteriores, da Defesa e da Política Territorial na sessão plenária de quarta-feira fez com que a oposição concentrasse sua atenção principalmente no ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Uma semana após a audiência dedicada exclusivamente a Pedro Sánchez, a cidade autônoma voltará a estar no centro do debate parlamentar. O primeiro a abordar esse assunto na sessão de quarta-feira será o presidente, a quem o líder do Vox, Santiago Abascal, pedirá que esclareça se está sendo “chantagem” por Marrocos “devido às informações que eles possuem sobre sua corrupção e a de sua família”, algo que ele já denunciou no debate desta quinta-feira.
As outras duas perguntas que o chefe do Executivo terá de responder serão formuladas pelo líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, e pelo porta-voz do ERC no Congresso, Gabriel Rufián, que coincidem em pedir a Sánchez que esclareça aos espanhóis como pretende enfrentar o que resta da legislatura.
Assim, Feijóo perguntará diretamente a Sánchez “como ele pretende continuar governando o que resta da legislatura?”, enquanto Rufián optou por uma formulação mais sucinta: “Como ele encara o que resta?”.
Apesar de se tratar, neste caso, de declarações genéricas, é mais do que provável que Ceuta surja no debate, depois que, na sessão plenária dedicada exclusivamente à crise nessa cidade, ficou evidente a falta de apoio à gestão conduzida pelo governo, que não só recebeu críticas do PP e do Vox, mas praticamente de todo o espectro parlamentar.
CRÍTICAS DE TODOS OS SEUS ALIADOS
O próprio parceiro minoritário do governo, o Sumar, repreendeu o presidente por ter reagido “tarde” à crise e considerou que sua versão para isentar Marrocos não era credível, enquanto o porta-voz do ERC, Gabriel Rufián, afirmou que “não se sustenta” desvincular Rabat do ocorrido e acusou o Executivo de estar abrindo mão de sua “dignidade” em sua resposta à crise.
O Junts também atacou Sánchez, a ponto de sua porta-voz no Congresso, Míriam Nogueras, afirmar que a crise de Ceuta havia deixado claro que o presidente está “inapto” para permanecer na Moncloa.
O PNV, outro dos partidos que permitiu a investidura de Sánchez, acusou o Executivo de “autocomplacência”, de ter “chegado tarde” e de “não estar à altura”, mesmo argumento utilizado pela porta-voz do Bildu, Mertxe Aizpurúa. O Podemos, por sua vez, acusou Sánchez de “ceder” diante de Marrocos e de manter uma “inércia calculada” diante da emergência migratória, enquanto a Coalizão Canária pediu ao presidente que deixasse de colaborar com “ditaduras corruptas” como a marroquina.
No entanto, a maior parte das perguntas sobre Ceuta será dirigida ao ministro do Interior, já que tanto Margarita Robles quanto José Manuel Albares e Ángel Víctor Torres comunicaram que estarão ausentes da sessão plenária desta quarta-feira.
Especificamente, o PP pedirá a Marlaska que se pronuncie sobre se esteve “à altura” como ministro do Interior após o início da crise em Ceuta e se considera que está agindo “com a devida diligência”, enquanto o Vox quer perguntar-lhe diretamente: “por que traíram os ceutianos?”.
MOÇÃO DE DESCONFIANÇA CONTRA MARLASKA?
Ambos os partidos também registraram, cada um, uma interpelacão ao ministro do Interior, o que dará origem, uma semana depois, à votação das respectivas moções, nas quais não se descarta que o PP e o Vox solicitem a reprovação de Marlaska.
Assim, o partido de Santiago Abascal espera que, por meio de sua interpelacão, o ministro detalhe “as medidas que o governo vai adotar para reverter a situação de insegurança causada pela invasão em Ceuta”, enquanto o PP quer que ele fale em termos gerais “sobre a crise que a cidade está enfrentando”.
Também o Sumar, parceiro do PSOE no governo, apresentou uma pergunta ao ministro do Interior. Mais especificamente, o deputado do Compromís vinculado ao grupo plurinacional, Alberto Ibáñez, pretende que ele informe sobre as consequências para a democracia “de se agredir e impedir que jornalistas possam reportar diante da passividade da Polícia Nacional”.
E O QUE YOLANDA DÍAZ PENSA SOBRE A CRISE EM CEUTA?
Os “populares” também querem que a segunda vice-presidente e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, se pronuncie sobre a crise em Ceuta; até o momento, ela não fez qualquer avaliação sobre o assunto, embora tenha apoiado com aplausos a audiência de Sánchez nesta quinta-feira.
Além disso, querem interrogar o ministro da Presidência e da Justiça, Félix Bolaños, para que esclareça quando será restabelecida a normalidade naquela cidade autônoma; e questionarão a ministra da Educação, Milagros Tolón, para que explique se os direitos educacionais dos alunos de Ceuta estão garantidos.
Além disso, os parlamentares de Alberto Núñez Feijóo esperam que a ministra da Saúde, Mónica García, afirme se seu ministério tomou todas as medidas necessárias durante a crise em Ceuta, e que a ministra da Igualdade, Ana Redondo, se pronuncie sobre se realmente acredita que as mulheres estão seguras na cidade autônoma após a entrada em massa de migrantes no final de julho.
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