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MADRID 27 jan. (EUROPA PRESS) - As críticas às políticas migratórias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão ganhando força dentro do próprio Partido Republicano, com dezenas de representantes, legisladores e senadores que começaram a se manifestar publicamente contra as medidas da Casa Branca após a morte de manifestantes nas mãos de agentes no estado de Minnesota.
O governador de Oklahoma, Kevin Stitt, aplaudiu a recente decisão de Trump de enviar ao estado de Minnesota o chamado “czar das fronteiras”, Tom Homan, para controlar a crise no estado — uma decisão que relega a um segundo plano o chefe da Patrulha de Fronteira, Greg Bovino —, embora tenha instado a Casa Branca a definir melhor sua estratégia migratória diante da perda de credibilidade do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). “(Trump) está recebendo maus conselhos neste momento. Qual é o objetivo final? Não acredito que seja deportar todos os cidadãos não americanos”, afirmou em entrevista à CNN, na qual argumentou que a maioria dos cidadãos quer que o governo aborde a questão da imigração, embora “não estejam gostando” do que estão vendo nas ruas de Minneapolis.
Na mesma linha, um dos maiores aliados de Trump, o governador do Texas Greg Abbott, afirmou que a Casa Branca deveria “reconsiderar” sua postura para garantir que a sociedade americana recupere sua confiança no ICE. RETIRADA DE UM CANDIDATO REPUBLICANO EM MINNESOTA
Os acontecimentos no estado também precipitaram a retirada do advogado conservador Chris Madel da corrida para governador de Minnesota, que afirmou que a operação Metro Surge — iniciada em dezembro para deter imigrantes indocumentados e realizar deportações — foi “além” de combater as “verdadeiras ameaças à segurança pública”.
“Os cidadãos americanos, em particular os negros, vivem com medo. Eles carregam documentos para provar sua cidadania. Isso é errado”, destacou em um vídeo Madel, candidato às primárias republicanas para as eleições de 3 de novembro, que, embora não fosse o favorito, anunciou sua saída de surpresa.
A morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, às mãos de um agente da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) é o último exemplo do uso excessivo da força e ocorre menos de três semanas depois que, também em Minnesota, um agente do ICE atirou mortalmente em outra cidadã americana, Renee Good. Ambos os incidentes provocaram manifestações massivas neste estado contra sua implantação, mas também em diferentes pontos dos Estados Unidos. DÚVIDAS NO CONGRESSO
O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Senado, o republicano Rand Paul, solicitou aos diretores do ICE, da Patrulha de Fronteira e Alfândega (CBP) e do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) — Todd Lyons, Rodney Scott e Joseph Edlow, respectivamente — que compareçam ao Congresso.
A iniciativa foi apoiada por vários republicanos, entre eles o senador por Utah John Curtis, que expressou sua discordância nas redes sociais com a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, figura que se encontra na corda bamba e que ele acusa de “minar a confiança pública” ao “se apressar” em julgar o ocorrido “antes que todos os fatos sejam conhecidos”.
Uma medida semelhante à proposta pelo senador Rand Paul, do Kentucky, foi apresentada pelo presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara dos Representantes, Andrew Gabarino, que solicitou o depoimento dos três altos funcionários responsáveis pelas questões migratórias do governo Trump.
Outros legisladores, como o senador por Indiana Todd Young ou o ex-presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes Michael McCaul, juntaram-se à lista de republicanos que levantaram dúvidas sobre a atuação dos agentes, instando que sejam realizadas investigações “transparentes” sobre os tiroteios.
Por sua vez, o senador da Califórnia, Thom Tillis, afirmou — na mesma linha de Curtis — que “qualquer funcionário do governo que se apresse em emitir um julgamento e tente encerrar uma investigação antes mesmo de ela começar está prestando um péssimo serviço à nação e ao legado do presidente Trump”.
Dentro da ala mais moderada do Partido Republicano, Lisa Murkowski — senadora que votou a favor da abertura de um processo de impeachment contra Trump — também se pronunciou, defendendo que “portar uma arma de fogo legalmente não justifica que agentes federais matem um americano”, especialmente se “a vítima havia sido desarmada” antes, em referência ao caso de Pretti.
Da mesma forma, o senador da Louisiana Bill Cassidy, que também apoiou o processo de impeachment contra o magnata nova-iorquino, classificou os acontecimentos em Minneapolis como “incrivelmente inquietantes” e afirmou que “a credibilidade do ICE e do Departamento de Segurança Nacional está em jogo”.
Outras vozes mais tímidas, como a do presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, James Comer, apontaram que o presidente deveria considerar a retirada do ICE de Minnesota. “Se eu fosse Trump, pensaria: ‘Bem, se o prefeito (Jacob Frey) e o governador (Tim Walz) vão colocar nossos agentes em risco e existe a possibilidade de perder mais vidas inocentes, então talvez eles devessem ir para outra cidade’”, declarou ele à Fox News.
O senador republicano pela Pensilvânia, David McCormick, também destacou que “a retórica irresponsável e a falta de cooperação dos políticos de Minnesota estão agravando uma situação perigosa”, embora também tenha se posicionado ao lado dos legisladores que pediram uma investigação sobre as mortes.
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