Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov
MADRID, 15 abr. (EUROPA PRESS) -
Duas organizações de defesa do trabalho jornalístico denunciaram a detenção no Kuwait de um jornalista kuwaitiano-americano no contexto do conflito desencadeado no Oriente Médio pela ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e exigiram sua libertação imediata e incondicional.
Ahmed Shihab-Eldin, um jornalista que já recebeu vários prêmios por seu trabalho, não publicou nada nas redes sociais nem foi visto em público desde 2 de março, segundo informou o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), que destacou que o homem estava no país visitando sua família.
Assim, o CPJ destacou que Shihab-Eldin teria sido detido por suposta divulgação de informações falsas e por atos contra a segurança nacional, após publicar comentários nas redes sociais sobre vídeos e fotografias relacionados à ofensiva contra o Irã, incluindo um vídeo sobre a derrubada de um avião norte-americano perto de uma base no Kuwait.
“Pedimos ao Kuwait que liberte Ahmed Shihab Eldin e retire todas as acusações contra ele”, disse a diretora do CPJ no Oriente Médio, Sara Qudah, que destacou que “o jornalismo não é crime”. “O caso de Shihab-Eldin reflete um padrão mais amplo de uso das leis de segurança nacional para reprimir a análise e controlar a narrativa”, explicou ela.
As autoridades do Kuwait alertaram, em 2 de março, contra a gravação ou publicação de vídeos ou informações sobre os ataques do Irã, que respondeu à ofensiva lançando drones e mísseis contra território de Israel e interesses americanos na região. Posteriormente, aprovaram uma lei com penas de até dez anos de prisão para aqueles que “divulgarem notícias, publicarem comunicados ou espalharem boatos falsos sobre entidades militares”.
Por sua vez, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que a detenção de Shihab-Eldin, que já trabalhou para a Al Jazeera, a PBS e o The Huffington Post, é “profundamente preocupante”, antes de acrescentar que ele teria sido acusado de divulgação de informações falsas.
“Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã em março e a retaliação iraniana contra os países do Golfo, incluindo o Kuwait, a RSF vem alertando sobre uma repressão contra jornalistas no Golfo”, destacou em comunicado publicado nas redes sociais.
Nesse sentido, a organização enfatizou que “as autoridades do Kuwait devem libertá-lo imediatamente e pôr fim à perseguição contra jornalistas”, antes de lamentar que o país tenha “endurecido as restrições e aprovado novas leis que expõem os jornalistas a penas de até dez anos de prisão por publicar informações que possam ‘prejudicar a segurança nacional’”.
O Exército dos Estados Unidos confirmou, em 2 de março, que três de seus aviões militares haviam caído no Kuwait após um incidente de aparente “fogo amigo”, horas depois de as autoridades nacionais terem confirmado o incidente, sem se pronunciar sobre as causas, que estão sendo investigadas.
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