Europa Press/Contacto/John Duran
O TSE convoca à votação em meio a advertências sobre interferências externas MADRID 26 jan. (EUROPA PRESS) -
Os candidatos às eleições de 1º de fevereiro na Costa Rica encerraram neste domingo a campanha eleitoral mais longa da história recente do país, com a oposição apostando em um improvável segundo turno, de acordo com as últimas pesquisas que colocam a candidata do governo Laura Fernández como vencedora no primeiro turno com 40% dos votos.
Até vinte candidatos se apresentam neste domingo para suceder o presidente Rodrigo Chaves, a quem Fernández já prometeu um cargo em seu próximo governo. Ela é uma das cinco mulheres que aparecem nas cédulas eleitorais, nas quais se destacam figuras conhecidas de ciclos anteriores, como a ex-primeira-dama Claudia Dobles, ou antigos candidatos como o conservador Fabricio Alvarado Muñoz.
Além do presidente e dos dois vice-presidentes, mais de 3,7 milhões de costarriquenhos são chamados a votar para renovar os 57 assentos que compõem o Parlamento. Um hipotético segundo turno seria realizado em 5 de abril, caso nenhum dos candidatos alcance os 40% necessários.
Não parece ser o caso nestas eleições. Fernández, ministra sob as ordens de Chaves até um ano atrás, venceria neste domingo com essa porcentagem, de acordo com as últimas pesquisas. “Vamos vencer no primeiro turno com 40 deputados”, disse a candidata do Pueblo Soberano neste fim de semana durante um ato de campanha.
Fernández, de 39 anos, apostou em um projeto continuísta, aproveitando a popularidade de Chaves, que encerrará seu mandato com 60% de aprovação, apesar das críticas de um setor do país que alerta para uma possível deriva autoritária, com o Poder Judiciário e a Constituição na mira.
O segundo nas pesquisas é Álvaro Ramos, com 8% dos votos. Candidato do Partido Liberação Nacional (PLN), uma das forças políticas históricas do país, ele pediu aos costarriquenhos que votem livremente. “O povo não quer mais do mesmo”, disse ele em um vídeo divulgado neste domingo.
Por sua vez, Claudia Dobles, da Coalizão Agenda Cidadã (CAC), mal alcança 5% dos votos. Ainda assim, ela confia que no próximo dia 5 de abril haverá novas eleições. “Vamos para o segundo turno entre duas mulheres”, afirmou em um último comício realizado neste domingo na capital, San José.
“Somos o movimento que pode derrotar a continuidade. A Costa Rica está pronta para um debate entre duas mulheres, duas mulheres muito diferentes que acreditam na política de maneiras muito diferentes. Laura quer queimar pontes, eu quero construí-las. Laura quer se desculpar, eu quero trabalhar”, afirmou.
Dobles também aproveitou o último ato da campanha para lembrar as antigas acusações de assédio sexual contra Chaves, que não a impediram de vencer as eleições de 2022 com 53% dos votos no segundo turno. “A Costa Rica merece mais do que ter um assediador sexual”, disse ela, segundo o jornal La Nación.
O TSE CONVOCA O VOTO “SEM MEDO” E SEM INTERFERÊNCIAS EXTERNAS
O Tribunal Supremo de Eleições (TSE) dirigiu-se neste domingo aos costarriquenhos por meio de um discurso televisionado no qual enfatizou a importância de ir às urnas neste próximo domingo “sem medo”, em um momento em que a democracia está recuando em várias partes do mundo. “Ninguém nos deu nossa democracia de presente. Ela foi construída com esforço, generosidade e confiança mútua”, afirmou a presidente do TSE, Eugenia Zamora Chavarría. “Escolher em liberdade, em paz e em segredo suas novas autoridades não é um simples trâmite”, ressaltou, em meio a um índice de indecisos de 32%.
Por sua vez, Héctor Fernández Masís, um dos magistrados do TSE, destacou que a eleição de seus governantes é uma “decisão exclusivamente costarriquenha” e alertou para as tentações de permitir que “atores externos” intervenham na vontade soberana do povo da Costa Rica.
“Nossa democracia não precisa de tutela nem pressões do exterior”, enfatizou Fernández Masís, em uma mensagem que aponta para as últimas intervenções dos Estados Unidos na América Latina, sendo o caso hondurenho o mais paradigmático de todos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático