A. Pérez Meca - Europa Press
Ele pede "unidade, solidariedade e imaginação" para que a UE continue avançando e "ouse olhar além".
MADRID, 29 set. (EUROPA PRESS) -
O Presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, pediu que a UE se defenda "com unhas e dentes" em um momento em que a confiança nos aliados está diminuindo e a ameaça dos adversários está crescendo, pedindo que a UE-27 se defenda e faça com que suas vozes sejam ouvidas.
"Não somos americanos, russos ou chineses. Somos europeus. E temos orgulho disso. Da nossa diversidade cultural, do nosso modelo social, das nossas liberdades, da nossa tolerância e da nossa democracia", disse o ex-primeiro-ministro português após receber o Prêmio Fórum Europa 2025 em uma cerimônia presidida pelo rei Felipe VI no Teatro Real.
De acordo com Costa, "neste mundo novo, mais perigoso e mais duro" que está surgindo atualmente, "devemos defender nosso modelo com unhas e dentes". "Quando nossos aliados inspiram menos confiança e nossos adversários aumentam suas ameaças, devemos ser capazes de nos defender", disse ele.
Nesse sentido, ele deixou claro que, se a UE-27 quiser ser "livre e autônoma", não pode "depender militarmente de outras potências", em uma clara referência aos Estados Unidos, embora sem mencioná-lo. "Se quisermos ter influência e sermos ouvidos, por exemplo, no Oriente Médio, não será suficiente levantar grandes princípios, emitir comunicados ou exercer nosso poder econômico", ressaltou.
É por isso, acrescentou, que "estamos aumentando maciçamente nosso investimento em defesa". "Porque a paz sem defesa é uma ilusão. Porque apenas o soft power não é suficiente em um mundo onde o hard power prevalece cada vez mais", alertou Costa.
O presidente do Conselho Europeu admitiu que os "ibéricos" podem achar que o conflito na Ucrânia está distante, ressaltando que os problemas e as ameaças são compartilhados. Sobre esse ponto, ele contou a anedota do então Ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, quando em 2005 ele pediu solidariedade europeia após o ataque às cercas de Ceuta e Melilla.
MIGRAÇÃO, UM DOS MAIORES DESAFIOS
Naquela época, lembrou ele, "para os países do norte e do leste da Europa essa era uma questão distante, apenas Portugal e os outros países do sul o apoiavam sem reservas". Agora, acrescentou, 20 anos depois, "ninguém contesta que a migração é um dos maiores desafios que a Europa enfrenta, mesmo aqueles que disseram na época que era apenas uma questão do sul".
Em sua opinião, "quanto mais avançarmos na integração europeia, menos problemas haverá 'do norte' ou 'do sul', 'do leste' ou 'do oeste'. É uma questão de tempo. Todos eles são desafios europeus. Porque somos uma União Europeia.
Por outro lado, Costa pediu que não perdêssemos de vista o objetivo prioritário de "continuar a fortalecer" a UE "apesar de todos os problemas e decepções que às vezes enfrentamos". A esse respeito, ele disse entender a "frustração" porque "todos nós sempre esperamos mais".
"Sempre queremos mais, porque a Europa sempre conseguiu se destacar. Mas, apesar do progresso, surgem novas dificuldades que nos lembram que ainda não chegamos ao fim do caminho", disse ele.
Ele argumentou com veemência que a UE não estaria em melhor posição para enfrentar os desafios atuais por conta própria. "Poderíamos ser um aliado indispensável na luta pela soberania da Ucrânia contra a guerra de agressão da Rússia? Poderíamos ter mais influência para impedir a barbárie inaceitável em Gaza separadamente?
COM BASE NO QUE JÁ FOI ALCANÇADO
"Não é suficiente manter o que já conquistamos. A Europa precisa avançar, transformar-se, ousar olhar além", alertou Costa, enfatizando que isso deve ser feito com base nos princípios de "unidade, solidariedade e imaginação".
"Unidade, porque somente juntos podemos ser fortes em um mundo de gigantes. Solidariedade, porque não podemos deixar ninguém para trás. Imaginação, porque o futuro não está escrito, e precisamos de coragem e visão para construí-lo", explicou. "Esse é o caminho a seguir: uma Europa unida, unida e imaginativa", resumiu o veterano político português.
Costa foi acompanhado no evento pelo ex-Alto Representante da UE para Política Externa, Josep Borrell, que fez sua 'laudatio', enquanto a Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, também fez algumas palavras de elogio em um vídeo.
A cerimônia contou com a presença da Segunda Vice-Presidente, Yolanda Díaz, do Ministro da Economia, Carlos Cuerpo, do Presidente do Senado, Pedro Rollán, e do Presidente do Tribunal Constitucional, Cándido Conde Pumpido, bem como do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático