Publicado 10/03/2026 06:30

Costa distanciou-se de Von der Leyen e defendeu “garantir que o mundo continue a basear-se em regras”.

DIVULGAÇÃO - 09 de março de 2026, Bélgica, Bruxelas: O presidente do Conselho da UE, António Costa, fala durante uma videoconferência com líderes do Oriente Médio. Foto: Alexandros Michailidis/Conselho da UE/dpa - ATENÇÃO: uso editorial exclusivo e soment
Alexandros Michailidis/EU Counci / DPA

Critica os EUA por “desafiarem a ordem internacional” e defende que “a ONU deve ser reformada, mas não substituída” BRUXELAS 10 mar. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, distanciou-se nesta terça-feira da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e defendeu “garantir que o mundo continue baseado em regras” num cenário global em que, segundo ele, os Estados Unidos “desafiam a ordem internacional”, depois que a alemã questionou ontem a vigência da ordem mundial.

Durante sua intervenção na Conferência Anual de Embaixadores da UE, que se realiza desde segunda-feira em Bruxelas, Costa defendeu as “soluções multilaterais”, apenas um dia depois de Von der Leyen ter afirmado no mesmo fórum que a UE “já não pode confiar” num sistema internacional baseado em regras como “a única forma” de defender os seus interesses face às ameaças.

Na opinião do socialista português, a UE deve aplicar uma política externa “multidimensional”, colaborando ativamente com a comunidade internacional para “defender os princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional”, entendendo que o que interessa ao bloco comunitário é “garantir que o mundo continue baseado em regras e na cooperação, evitando uma maior fragmentação global”.

“Este mundo multipolar requer soluções multilaterais, não esferas de influência onde a política do poder substitui o direito internacional”, acrescentou Costa, constatando que a nova realidade internacional já é conhecida: “A Rússia viola a paz, a China altera o comércio e os Estados Unidos desafiam a ordem internacional baseada em regras”.

Depois de apontar Washington, o ex-primeiro-ministro português afirmou que a guerra no Médio Oriente “é motivo de grande preocupação”, que “o Irão é responsável pelas causas fundamentais desta situação”, mas que, em qualquer caso, “o unilateralismo nunca pode ser o caminho”. Além disso, pediu ao Irã e aos “seus aliados, como o Hezbollah”, que cessem os seus ataques, incluindo contra Estados-Membros da UE, como Chipre.

Costa reiterou que a UE está “com o povo do Irã e seu direito de viver em paz e determinar seu futuro”, ao mesmo tempo em que afirmou que “a liberdade e os direitos humanos não se conquistam com bombas” e que “somente o direito internacional os garante”. “Devemos evitar uma escalada que ameace a região e a Europa, especialmente dadas as graves consequências econômicas, como o bloqueio do estreito de Ormuz”, continuou. A ONU DEVE SER REFORMADA, NÃO SUBSTITUÍDA

Após analisar a guerra no Oriente Médio e o atual contexto internacional, o presidente do Conselho Europeu reivindicou que o papel da União Europeia deve ser “defender a ordem internacional e a Carta da ONU” e não aceitar “violações do direito internacional”, seja na Ucrânia, Groenlândia, América Latina, África, Gaza ou Oriente Médio. “Também não se devem tolerar violações dos direitos humanos no Irã, Sudão ou Afeganistão”, acrescentou.

Ele também instou a “reforçar a cooperação multilateral” e garantiu que a UE continuará apoiando as reformas do secretário-geral da ONU, António Guterres, com a iniciativa UN80, porque “a ONU deve ser reformada, mas não substituída; ela é a pedra angular do sistema multilateral”.

Em terceiro lugar, Costa apelou ao aprofundamento da rede de parceiros, cooperando com “democracias afins” e continuando a construir “a rede de acordos comerciais mais extensa do mundo, abrangendo 80 países”, entre os quais destacou os acordos com o Mercosul e a Índia.

Por último, apostou na ampliação da UE como “o melhor investimento geopolítico para o nosso futuro”. “O impulso gerado pela Ucrânia se estende à Moldávia e aos Balcãs Ocidentais. O futuro deles está na UE. O sistema internacional está mudando drasticamente e a UE responde sendo mais autônoma e resiliente”, acrescentou.

“É VITAL QUE A UE FALE A UMA SÓ VOZ” Dito isto, Costa admitiu que sabe “como é difícil gerar consenso” no bloco comunitário quando se trabalha com 27 políticas externas nacionais e perspetivas geográficas diferentes. No entanto, mostrou-se firmemente convencido de que “esta diversidade é a riqueza da nossa União”.

“Ela nos dá uma perspectiva de 360 graus sobre o mundo: África, América, Oriente Médio, Ásia e Ártico são nossos vizinhos, com quem compartilhamos fronteiras e laços históricos, econômicos e diplomáticos. Em tempos de polarização, a visão global da Europa é um verdadeiro ativo estratégico”, destacou.

“É vital que a União Europeia fale a uma só voz para defender os seus valores e interesses”, salientou, lembrando que a resposta da UE às “ameaças” contra a Gronelândia e a rapidez “em situações urgentes como Gaza” demonstram que “a unidade fortalece” a posição global da UE.

“Em tempos como estes, os valores e a confiança são os alicerces da nossa influência. É isso que nos torna poderosos”, concluiu o presidente do Conselho Europeu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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