FREDERIC SIERAKOWSKI / EUROPEAN COUNCIL - Arquivo
BRUXELAS 21 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu nesta quinta-feira, no México, o multilateralismo e o fortalecimento das alianças internacionais contra aqueles que “profetizam um retorno à lei da selva”, reivindicando a cooperação “frente à ruptura e ao isolamento” num momento em que, segundo ele alerta, “está sendo posto em causa o ordenamento multilateral baseado em regras”.
“De forma especialmente preocupante, está sendo questionada a ordem multilateral baseada em regras que surgiu após a Segunda Guerra Mundial. E não é de se admirar que proliferem aqueles que profetizam um retorno à lei da selva”, afirmou Costa durante um discurso perante o Senado mexicano, na véspera da cúpula entre a UE e o México, na qual ambas as partes assinarão a modernização de seu acordo de associação e reforçarão sua cooperação política e econômica.
Durante sua intervenção, Costa assegurou que a União está respondendo às atuais tensões internacionais por meio do fortalecimento de suas relações com parceiros estratégicos como Índia, Austrália, Mercosul, Indonésia, Chile, África do Sul ou México e defendeu o diálogo “entre parceiros que acreditam na estabilidade e no respeito ao direito internacional”.
“A União Europeia precisa do México. O mundo precisa do México”, afirmou o líder europeu, que insistiu que “o futuro não está escrito”, apesar do atual contexto de incerteza internacional.
Segundo ele destacou, o novo acordo permitirá eliminar mais tarifas, impulsionar o comércio e o investimento e abrir novas oportunidades para as empresas mexicanas na UE. “É uma nova ponte entre a Europa e o México: mais ampla, mais sólida e melhor preparada para os desafios do século XXI”, afirmou.
ATUALIZAÇÃO DO ACORDO COMERCIAL
O presidente do Conselho Europeu defendeu ainda que o acordo reforçará a cooperação política entre ambas as partes em áreas como segurança, migração, clima, transição verde e digital, inovação e direitos humanos.
Costa também destacou o peso econômico da relação bilateral e lembrou que o acordo atual gera 5,5 milhões de empregos no México, 82 bilhões de euros em comércio de bens e mais de 25 bilhões em comércio de serviços.
O líder europeu também agradeceu à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, por ter “relançado” as relações com a UE e possibilitado a assinatura da modernização do acordo, ao mesmo tempo em que destacou que a agenda europeia de investimentos “Global Gateway” apoiará o chamado “Plano México”.
“A Europa quer investir mais no México. E quer fazê-lo especialmente em setores estratégicos: energias limpas, digitalização, infraestruturas sustentáveis, indústrias tecnológicas e cadeias de abastecimento resilientes”, afirmou Costa.
No âmbito internacional, o presidente do Conselho Europeu reiterou o apoio europeu à Ucrânia diante da invasão russa e defendeu uma “paz integral, justa e duradoura” que respeite “plenamente” a independência, a soberania e a integridade territorial do país.
“A guerra de agressão contra a Ucrânia por parte de um membro permanente do Conselho de Segurança é inaceitável e ameaça a segurança de todas as nações do planeta”, sustentou Costa.
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