Europa Press/Contacto/Mikhail Metzel
BRUXELAS 13 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, advertiu o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, na terça-feira, após sua viagem a Moscou na última sexta-feira, que "não condenar uma invasão" como a da Rússia na Ucrânia não é compatível com o processo de adesão à União Europeia.
Em uma coletiva de imprensa conjunta, Costa disse que o líder sérvio havia explicado a ele que sua viagem às celebrações do "Dia da Vitória" do regime de Vladimir Putin fazia parte da comemoração de "um evento do passado", mas que a Sérvia está "totalmente comprometida" com o processo de adesão ao clube da UE.
No entanto, o ex-primeiro-ministro português advertiu que, embora "seja muito importante esclarecer" o contexto da viagem, também deve ficar claro que "o mais importante não é a história, mas o presente e o futuro".
"A Sérvia sabe que, para isso (adesão), precisamos ter um alinhamento total da nossa política externa e de segurança comum", disse Costa, que, em seguida, afirmou "entender perfeitamente" que a Sérvia está comemorando sua libertação, mas ressaltou que "não se pode comemorar a libertação há 80 anos e não condenar a invasão de outros países hoje".
"Para mim, o mais importante não é a história, mas o presente e o futuro", reiterou Costa a Vucic, a quem ressaltou que a União Europeia é, em si, um "esforço comum de todos os estados-membros para superar sua própria história, seus conflitos históricos e suas batalhas históricas, guerras, e compartilhar uma vontade comum de construir um futuro juntos". "É por isso que estamos onde estamos hoje, para continuar virando páginas difíceis e continuar escrevendo juntos uma nova história de paz", reiterou.
Costa também disse que "tomou nota" dos compromissos "concretos" que o próprio presidente sérvio e seu governo assumiram nas áreas de liberdade de imprensa, lei eleitoral e reformas anticorrupção.
Esses são "elementos-chave" que devem estar em vigor para que seja possível abrir negociações sobre novos capítulos, disse o presidente do Conselho Europeu, antes de advertir que "não se pode perder mais tempo" e que a "confiança" dos cidadãos no processo de adesão deve ser "reconstruída".
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