Publicado 25/07/2025 17:28

A Corte de Cassação da França anula o mandado de prisão contra o ex-presidente sírio Bashar al-Assad

A mais alta corte da França decide que o ex-presidente tinha imunidade como chefe de Estado

Archivo - Arquivo - Presidente da Síria, Bashar al Assad
-/Sana/Dpa - Arquivo

MADRID, 25 jul. (EUROPA PRESS) -

A Corte de Cassação da França, a mais alta instância judicial do país, anulou nesta sexta-feira o mandado de prisão emitido em 2023 contra o ex-presidente sírio Bashar al-Assad por sua suposta cumplicidade em crimes de guerra e crimes contra a humanidade pelos ataques com armas químicas realizados em agosto de 2013 contra Ghuta Oriental, determinando que nenhuma exceção pode levantar a imunidade pessoal de um chefe de Estado no cargo.

Como o mandado de prisão foi emitido em novembro de 2023, quando Al Assad "ainda era um chefe de Estado em exercício", a medida é "ilegal", explicou o presidente do tribunal, Christophe Soulard, durante uma audiência pública. Ele argumentou que o direito internacional consuetudinário não reconhece nenhuma exceção ou limitação à imunidade de um chefe de Estado em exercício quando ele é suspeito de crimes contra a humanidade ou crimes de guerra.

Ao fazer isso, ele rejeitou os argumentos da acusação, que deixou de lado a imunidade pessoal com base no fato de que, desde 2012, Paris não considerava Al Assad como o "legítimo chefe de Estado em exercício" à luz dos "crimes em massa cometidos pelas autoridades sírias".

"O mandado de prisão de 13 de novembro de 2023 deve ser anulado", diz a decisão, que reconhece que essa anulação não afeta a validade de um mandado de prisão emitido após a perda do status de chefe de Estado em exercício, já que ele foi derrubado em dezembro de 2024 e, em janeiro de 2025, o judiciário francês emitiu um novo mandado por "crimes" cometidos durante seu mandato.

No entanto, ele enfatizou que "imunidade não é o mesmo que impunidade", pois "não exime de responsabilidade criminal aqueles que se beneficiam dela" e, por outro lado, indicou que "a imunidade pessoal é temporária, pois se limita ao período do mandato, embora "após deixar o cargo, é provável que um chefe de Estado se beneficie da imunidade funcional".

Os ataques pelos quais ele pediu sua prisão ocorreram em agosto de 2013 e resultaram em centenas de mortes, embora não haja um número claro de mortos. Os especialistas confirmaram o uso de gás sarin, que é proibido pela lei internacional, e embora o regime de Assad nunca tenha reconhecido a responsabilidade, potências como os Estados Unidos e a União Europeia o fizeram. O governo sírio, por sua vez, apontou os rebeldes como responsáveis pelo incidente.

Tanto em Ghuta Oriental quanto em outros locais onde crimes semelhantes também foram registrados, incluindo Duma e Adra, o padrão foi semelhante, pois eram áreas controladas por forças de oposição ao regime de Al Assad.

As forças rebeldes, lideradas pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS) e suas facções aliadas, tomaram Damasco no início de dezembro de 2024 após uma ofensiva relâmpago que levou à queda de Al Assad, que fugiu com sua família para a Rússia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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