Publicado 17/04/2026 16:05

Corina Machado defende o "desafio" do voto nas urnas para que a "soberania popular seja respeitada"

Parafraseando Dom Quixote, a líder da oposição defendeu que “pela liberdade, pode-se e deve-se arriscar a vida”

A líder da oposição venezuelana e Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, na cerimônia de entrega da Chave de Ouro de Madri
DIEGO RADAMÉS

MADRID, 17 abr. (EUROPA PRESS) -

A líder da oposição venezuelana e Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, reivindicou o “desafio” que representa, após a “destituição” de (Nicolás) Maduro, o voto nas urnas para que “a soberania popular seja respeitada”.

Ela defendeu isso na Casa de la Villa, em Madri, onde o prefeito da capital espanhola, José Luis Martínez-Almeida, lhe entregou a Chave de Ouro da cidade.

Em um discurso emocionante, no qual teve que interromper suas palavras algumas vezes diante dos aplausos dos venezuelanos reunidos na Plaza de la Villa —onde foi instalado um telão que transmitiu o evento institucional—, María Corina Machado agradeceu a Madri pelo reconhecimento e, em especial, ao prefeito, a quem parabenizou tanto por ser hoje seu aniversário quanto pela semifinal da Liga dos Campeões do Atlético de Madri, ciente do coração “colchonero” do primeiro-prefeito.

Para ela, o dia de hoje é “um dia inesquecível”, pois vem recebendo constantes demonstrações de afeto do povo espanhol para com os venezuelanos após “27 anos diante de uma tirania brutal, que encontrou na Venezuela condições únicas para se apropriar de enormes recursos a fim de promover uma visão totalitária que subjugasse uma sociedade para sempre”.

“O SILÊNCIO É VENCIDO PELA CONVICÇÃO”

“Forças extracontinentais se uniram e encontraram na Venezuela recursos extraordinários, recursos naturais, infraestrutura e uma localização geográfica única. Era indiscutivelmente um tesouro para aqueles que queriam promover o mal e minar as bases de nossas democracias liberais. Contaram com enormes cumplicidades de múltiplos países e setores, mas não contaram com a força de um povo decidido a ser livre”, exclamou para elogiar a força da expressão de um povo, “quando o silêncio é vencido pela convicção”.

Machado defendeu que a Chave recebida hoje é “uma honra que reafirma a união entre dois povos que enfrentaram tiranias, os desafios de avançar pelos valores que definem a dignidade humana, a liberdade e a justiça”.

“Em janeiro de 2023, a Venezuela parecia não ter futuro; o mundo inteiro nos via quase com tristeza, pois parecia impossível reverter a consolidação de uma tirania feroz. Fomos ao encontro de um país, derrubamos uma a uma as barreiras que essa tirania havia construído para nos dividir por raça, por religião, por regiões, por posições políticas ou sociais, entre aqueles que estavam dentro e aqueles que tiveram que fugir. Unimos um país em torno de nossa fé na dignidade humana, na justiça, na responsabilidade individual, mas acima de tudo por um anseio pelo retorno de nossos filhos para casa”, afirmou.

Foi um movimento que “surguiu das entranhas da Venezuela quando todos diziam que era impossível”. “Não apenas unimos um país, mas enfrentamos a tirania e a derrotamos. Em menos de 48 horas, com aquelas famosas atas em mãos, mostramos ao mundo do que nós, venezuelanos, fomos capazes”, destacou a líder da oposição.

A “enorme vitória” da oposição a Maduro “deu legitimidade” à “retirada de Maduro” pelas forças americanas no último dia 3 de janeiro, que “hoje enfrenta a justiça internacional”.

"OS POVOS DECIDIDOS A SEREM LIVRES SÃO IMPARÁVEIS"

"No entanto, ainda temos um longo caminho pela frente para que essa soberania popular seja respeitada. Temos pela frente um desafio monumental. Há uma Venezuela que, apesar da distância, possui essa união profunda, que conseguimos construir, e a convicção de que os povos decididos a serem livres são imparáveis”, argumentou ela, na convicção de que “a soberania expressa no voto deve sempre prevalecer como um mandato”.

"Esta é a ordem natural das coisas e uma ordem natural que encontra sua expressão jurídica na plena vigência de uma ordem constitucional. Esse é o desafio que nós, venezuelanos, temos pela frente e para o qual hoje precisamos de todos os homens e mulheres que amam a liberdade em todo o mundo e que hoje, aqui na Espanha, se expressa neste reconhecimento ao povo da Venezuela. Em breve retornaremos ao nosso país para dar continuidade a uma fase decisiva dessa tarefa”, comprometeu-se.

María Corina Machado aplaudiu o “povo corajoso que foi subjugado, perseguido, humilhado, separado e que hoje bate firme e orgulhoso pelo que conquistou e porque sabe que muito em breve respirará em liberdade”.

Suas últimas palavras foram para retomar a citação que o prefeito Almeida fez de Dom Quixote: “A liberdade é o dom mais desejado que enche os céus, um dom pelo qual se pode e se deve arriscar a vida”. “De fato, pela liberdade se pode e se deve arriscar a vida. Obrigado e que possamos repetir muito em breve este dia histórico em terras de uma Venezuela livre. Que Deus nos abençoe”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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