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MADRID 19 ago. (EUROPA PRESS) -
A Coreia do Sul anunciou nesta quarta-feira um acordo com os Estados Unidos para reduzir os exercícios militares conjuntos entre os dois países, atualmente em andamento — uma medida tomada a pedido de Washington e após o morador da Casa Branca, Donald Trump, tivesse anunciado no domingo uma “redução substancial” das tradicionais manobras devido à sua boa relação com o líder norte-coreano Kim Jong Un, ao alto custo das operações e à recusa de Seul em se juntar à guerra contra o Irã.
“A Coreia do Sul e os Estados Unidos concordaram em realizar alguns ajustes na duração e no alcance do exercício, entre outros aspectos, a proposta da parte norte-americana”, anunciou em um comunicado verificado pela Europa Press o Estado-Maior Conjunto da República da Coreia.
Dessa forma, Seul e Washington, que vêm realizando o exercício conhecido como Escudo da Liberdade Ulchi (UFS, na sigla em inglês) desde segunda-feira, dia 17, concordaram, em primeiro lugar, em “ajustar a duração deste exercício do dia 17 ao dia 21”, encerrando-o assim na próxima sexta-feira.
“Em segundo lugar, foi decidido realizar o treinamento de manobras combinadas no terreno em escala reduzida, e a Coreia do Sul e os Estados Unidos estão atualmente analisando os detalhes específicos”, .
Além disso, o Comando das Forças Combinadas de ambos os países “está realizando os exercícios dividindo seus centros de comando de guerra” entre as bases militares “CP TANGO e Camp Humphreys”.
“De cara ao futuro, a Coreia do Sul e os Estados Unidos concordaram em debater e aplicar diversas medidas para alcançar os objetivos do exercício UFS e estabelecer uma postura de defesa combinada”, acrescenta o comunicado.
Essa mensagem contrasta com o que foi afirmado na véspera pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, que ressaltou seu compromisso de recuperar para o país o comando operacional total das Forças Armadas, inclusive em tempos de guerra, antes do término de seu mandato em 2030.
Seul exerce o controle operacional (OPCON) de suas Forças Armadas em tempos de paz desde 1994. Por outro lado, em caso de conflito armado em grande escala na Península da Coreia, as tropas sul-coreanas e americanas se integrariam a um comando conjunto administrado por Washington, o Comando das Forças Combinadas.
Trata-se de um legado da Guerra da Coreia, por meio do qual Seul cedeu o comando operacional durante o conflito a um comando da ONU, então liderado por Washington. No final da década de 70, esse comando foi transferido para o Comando Conjunto das Forças da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.
Essa transferência total do comando de suas Forças Armadas depende do cumprimento, por parte da Coreia do Sul, de uma série de condições, principalmente de natureza operacional e tecnológica, como o desenvolvimento de sistemas de defesa antimísseis.
As declarações de Lee ocorreram dois dias depois de Donald Trump anunciar nas redes sociais que havia dado ordem ao Pentágono para reduzir “substancialmente” os exercícios militares conjuntos na Coreia do Sul, mencionando a “ótima relação” com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.
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