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MADRID 21 jun. (EUROPA PRESS) -
O jornalista e ativista colombiano Beto Coral defendeu, neste domingo, sua inocência por meio de um comunicado dirigido ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. A declaração ocorre após sua deportação na última terça-feira, depois que veio à tona, a partir de uma reportagem do “The New York Times”, que o próprio Rubio assinou a ordem de expulsão em decorrência de uma denúncia apresentada por Coral contra o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, uma figura próxima ao governo dos Estados Unidos.
“Hoje compartilho este comunicado porque acredito que a verdade deve ser conhecida e porque ninguém deveria ser perseguido por expressar suas opiniões. Falar não é crime. Ideias não se prendem”, denunciou o jornalista em uma publicação em suas redes sociais.
No comunicado, Coral defendeu seu trabalho como jornalista e ativista, garantindo que em nenhum momento se “envolveu em assuntos relacionados à política interna dos Estados Unidos ou ao governo de Donald Trump” após o vazamento do documento oficial assinado por Rubio e divulgado pelo ‘The New York Times’, que afirmava que sua permanência no país “prejudicava os interesses da política externa dos Estados Unidos”.
“No início de junho, apresentei uma queixa criminal na Flórida contra o candidato Aberlardo de la Espriella por gravação ilegal de uma ligação (...) No entanto, fui detida pelo governo dos Estados Unidos sem que me explicassem claramente os motivos da minha detenção”, diz o comunicado de Coral.
A decisão do presidente dos Estados Unidos causou comoção em meio ao segundo turno das eleições presidenciais deste domingo na Colômbia, que opõe o candidato do partido governista, Iván Cepeda, ao candidato de extrema direita e próximo à Casa Branca, Abelardo de la Espriella.
De acordo com a cópia do documento, Rubio teria argumentado que Coral “aproveitou sua estadia nos Estados Unidos para realizar atividades políticas em apoio ao governo de Petro”, aliado de Cepeda e adversário de de la Espriella.
Da mesma forma, Coral defendeu sua permanência nos Estados Unidos e esclareceu seus pedidos de asilo após “descobrir” a identidade dos responsáveis pelo assassinato de seu pai, o capitão Humberto Coral, que foi assassinado por ter sido um dos oficiais mais destacados na operação que levou à morte do chefe do Cartel de Medellín, Pablo Escobar, em dezembro de 1993.
“Nunca fui agente do referido governo, muito menos funcionário ou contratado. Sou um colombiano que vive no exílio; sou um imigrante colombiano que pensa livremente”, concluiu.
O caso gerou polêmica por se tratar, aparentemente, da primeira vez em que Marco Rubio utilizou sua autoridade para recomendar a expulsão de um ativista devido ao seu envolvimento em eleições no exterior. Até agora, o secretário de Estado vinha reservando esse mecanismo principalmente para punir pessoas ligadas aos protestos contra Israel.
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