Francisco J. Olmo - Europa Press
ADAMUZ (CÓRDOBA), 23 (EUROPA PRESS)
Os trabalhos na zona do acidente ferroviário em Adamuz (Córdoba) continuam nesta sexta-feira, centrados na remoção dos destroços dos dois trens e na limpeza dos trilhos, tudo isso após o término das operações de emergência, após a localização, na tarde desta quinta-feira, das duas últimas vítimas desaparecidas, o que elevou para 45 o número de mortos neste acidente.
Isso foi confirmado por fontes da Adif à Europa Press, que detalharam que, antes de começar a recuperar a infraestrutura, é necessário retirar os destroços dos comboios Iryo e Alvia envolvidos no acidente do último domingo para, posteriormente, fazer uma avaliação dos danos e começar a reconstruir todos os elementos danificados.
Assim sendo, vale lembrar que o Governo da Andaluzia desativou na tarde desta quinta-feira o Plano Territorial de Emergências de Proteção Civil que havia sido acionado devido ao acidente, pois “as tarefas de emergência foram concluídas após a localização das duas últimas vítimas desaparecidas”, conforme informado em sua conta na rede social 'X' pelo secretário de Saúde, Presidência e Emergências, Antonio Sanz.
A este respeito, o presidente do Governo andaluz, Juanma Moreno, explicou que, uma vez localizados os corpos das duas últimas vítimas mortais que faltavam encontrar, «começa-se a desmontar» o dispositivo que a Junta montou «no terreno» em Adamuz, embora «continue em funcionamento outro dispositivo de assistência e acompanhamento» às pessoas hospitalizadas em consequência do acidente e aos seus familiares.
O presidente andaluz agradeceu tanto ao povo de Adamuz como aos diferentes efetivos que intervieram nos trabalhos que foram necessários para responder à tragédia ferroviária, e dedicou uma menção específica a “todos esses heróis e heroínas anônimos” que se fizeram presentes nestes dias, e a quem agradeceu “em nome de todos os andaluzes pelo seu trabalho, compromisso, empatia, compaixão, esforço e carinho”.
Moreno voltou a deslocar-se na quinta-feira passada à localidade cordobesa para verificar pessoalmente como decorriam as últimas tarefas de busca pendentes e reunir-se com os responsáveis pelos serviços de emergência antes da retirada dos dispositivos que estiveram operacionais ao longo de toda a semana.
“Uma vez concluídas as tarefas que nos foram confiadas no terreno, a intervenção da Junta da Andaluzia centra-se agora na assistência médica aos feridos e no acompanhamento, também do ponto de vista psicológico, daqueles que precisam. O meu carinho e o de toda a Andaluzia está com as suas famílias e, claro, com aqueles que perderam um ente querido”, afirmou Moreno. O Plano Territorial de Emergência passa da situação operacional 1 para 0, o que significa a sua desativação após a conclusão das tarefas do Governo da Andaluzia no terreno.
Desde que o Plano Territorial de Emergência foi ativado pelo Governo da Andaluzia, no domingo, 18 de janeiro, às 21h26, participaram no resgate e atendimento às vítimas 19 UTI dos Serviços de Emergência de Montoro, Adamuz, El Carpio e Bujalance e os do 061 de Jaén, Córdoba e Sevilha; 16 ambulâncias e 2 veículos de apoio logístico (VAL) do 061.
“Praticamente chegava ao local do acidente uma ambulância por minuto, o que dá uma ideia da importância do destacamento e da eficácia do trabalho dos profissionais”, destacou o presidente em relação a um dispositivo sanitário que, no total, atendeu 125 pessoas (120 adultos e cinco menores).
RELATÓRIO PRELIMINAR DA GUARDA CIVIL O primeiro relatório preliminar entregue pela Guarda Civil nesta quinta-feira no Tribunal de Instrução número dois de Montoro (Córdoba) sobre o acidente ferroviário em Adamuz inclui um inventário de todas as evidências recolhidas pelos agentes, correspondentes a cerca de 2.500 fotografias na “zona zero”, bem como as duas caixas pretas dos trens e também o depoimento do maquinista do Iryo — o do Alvia faleceu —, da tripulação e dos passageiros.
A Guarda Civil solicitou também as imagens das câmaras da estação ferroviária da Adif e das câmaras internas dos vagões dos comboios, conforme exposto numa conferência de imprensa pela Direção-Geral da Guarda Civil, pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, e pelo coronel chefe do Serviço de Criminalística, Fernando Domínguez.
Também foram comunicados às autoridades judiciais outros elementos, como o pedaço de via que se soltou dos trilhos por onde circulava o Iryo no domingo às 19h45, quando descarrilou e acabou colidindo com outro trem Alvia que circulava na direção contrária, com destino a Huelva.
Esse trecho da via será analisado em um laboratório “especializado no tratamento de material metalúrgico” da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), embora parte dele seja entregue à Guarda Civil, que, na qualidade de polícia judiciária, é responsável por investigar as responsabilidades penais.
As duas caixas pretas dos trens, por sua vez, serão abertas na presença tanto da Guarda Civil quanto da CIAF, uma vez que são um elemento-chave tanto para a investigação judicial quanto para o relatório dos especialistas da comissão, que tem a tarefa de emitir uma avaliação sobre as causas do acidente e evitar que ele se repita no futuro. ASPECTO JUDICIAL
Por outro lado, o Tribunal de Primeira Instância nº 2 de Montoro (Córdoba) já recebeu pelo menos dez denúncias e sete comparecimentos por causa do acidente ferroviário. Sobre as denúncias, o presidente do Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia (TSJA), Lorenzo del Río, garantiu que “será um gotejamento permanente”, pelo que será necessário realizar “um trabalho processual importante”, com o trabalho de até três juízes.
Em relação ao “tratamento das vítimas, identificação dos corpos e agilização de todos os trâmites relacionados com as licenças de sepultamento e entrega aos familiares, foi trabalhado da melhor maneira possível, com o tempo, com toda a urgência”, garantiu Del Río, indicando que “estiveram no tribunal desde o primeiro momento com um reforço que foi feito por dois funcionários”, pelo que acredita que “o resultado, dentro da dor e do tempo que tiveram de esperar, foi correto”.
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