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MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -
O diretor da Comissão de Paz, Nikolai Mladenov, instou nesta quarta-feira as autoridades de Israel a cumprirem o cessar-fogo alcançado em outubro passado, alertando que cada ataque “que não responda a uma ameaça iminente” dificulta a reconstrução e a estabilização da Faixa de Gaza.
“Para que o processo siga adiante, três condições devem ser atendidas: a Força Internacional de Estabilização deve ser mobilizada; os compromissos assumidos por Israel nos termos do Protocolo de Sharm el-Sheikh devem ser cumpridos e o Hamas deve respeitar seus compromissos”, declarou ele perante o Conselho de Segurança da ONU.
Nesse sentido, ele alertou que “cada uso da força que não responda a uma ameaça iminente custa a esse processo algo muito difícil de recuperar”, declarações feitas um dia depois de o Exército israelense ter bombardeado as imediações de uma escola administrada pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados no Oriente Próximo (UNRWA) no norte da Faixa de Gaza, causando pelo menos cinco mortos.
Ao mesmo tempo, o diplomata búlgaro destacou que “cada arma que permanecer nas mãos de alguém, cada túnel que continuar em funcionamento e cada comboio que continuar sendo impedido representa um retrocesso para o processo” de paz formulado pelos Estados Unidos para o enclave palestino.
Mladenov quis esclarecer que o “roteiro”, rejeitado por Israel, mas aceito pelo Hamas, inclui a entrega de todos os tipos de armas pelas milícias palestinas. “O ‘roteiro’ abrange o desarmamento de todas as categorias de armas em Gaza. Não há zonas cinzentas nem categorias excluídas”, precisou ele.
Referindo-se à retirada das forças israelenses destacadas na Faixa de Gaza, prevista nesse plano, o diretor do Conselho de Paz afirmou que ela ocorrerá “após um desarmamento verificado” e será realizada “em fases”.
“Cada etapa depende da conclusão bem-sucedida da anterior. O progresso se baseia nos resultados, não no cronograma. Nossa abordagem durante a implementação será não confiar em nada e verificar tudo”, insistiu, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu tem afirmado repetidamente que suas forças permanecerão no enclave.
Mladenov defendeu que “a crise em Gaza nunca foi apenas um problema de segurança ou humanitário, (mas) sempre foi um problema político e de governança”.
Assim, ele garantiu que o sucesso dessa “transição” dependerá de “os palestinos desfrutarem de maior segurança, de serviços mais confiáveis e de uma melhoria mensurável em sua vida cotidiana”.
“Agora temos a oportunidade de melhorar de forma espetacular e sustentável a vida dos palestinos de Gaza; de proporcionar segurança duradoura aos israelenses; e de passar de um conflito que desestabilizou a região para um ambiente que ofereça paz, prosperidade e oportunidades econômicas para todo o Oriente Médio”, declarou perante o grupo de 15 países.
As autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas, denunciaram nesta mesma quarta-feira que mais de 1.300 palestinos morreram em ataques das tropas israelenses desde a entrada em vigor do referido acordo de cessar-fogo.
Além disso, destacaram que, desde o início da ofensiva lançada por Israel após os ataques de 7 de outubro de 2023 — que deixaram cerca de 1.200 mortos e cerca de 250 sequestrados, segundo o balanço oficial — foram registrados 73.438 mortos e 174.447 feridos, embora tenham destacado que ainda há corpos entre os escombros e em áreas ocupadas por Israel.
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