Publicado 09/07/2025 23:42

Congresso peruano ratifica anistia para policiais e militares processados por violações de direitos humanos

O Comitê Coordenador de Direitos Humanos do país adverte sobre o "grave retrocesso" que a lei representa e sobre o "crescente enfraquecimento institucional".

Archivo - 29 de julho de 2016 - Lima, Lima, Peru - Soldados peruanos marchando no dia da independência. Todo dia 29 de julho, no dia da independência do Peru, é realizado o tradicional desfile militar ao longo da Avenida Brasil, em Lima.
Europa Press/Contacto/Carlos Garcia Granthon

MADRID, 10 jul. (EUROPA PRESS) -

O Congresso peruano ratificou na quarta-feira, em segunda votação, uma lei de anistia para policiais, militares e grupos de autodefesa processados por violações de direitos humanos durante o período de conflito armado interno (1980-2000).

A iniciativa, idealizada pelo pró-Fujimori Fernando Rospigliosi, recebeu 16 votos a favor e 11 contra no Comitê Permanente da câmara, de acordo com a agência de notícias estatal Andina.

A medida diz respeito aos membros do exército, da polícia e dos comitês de autodefesa que estão sendo processados por supostos crimes como os massacres de Barrios Altos e La Cantuta. A anistia também beneficiará os membros dos três grupos acima mencionados que tenham mais de 70 anos de idade e que tenham sido condenados por crimes contra os direitos humanos.

Os que não se qualificarão para o perdão são aqueles processados por crimes de terrorismo ou corrupção, cometidos durante essas duas décadas marcadas por inúmeros ataques, golpes de Estado, ações armadas e violência generalizada e sistemática contra as liberdades em todos os lados do conflito.

O Comitê Nacional de Coordenação de Direitos Humanos do Peru expressou sua rejeição à anistia em uma declaração em sua conta na rede social X, na qual advertiu que essa lei "apaga décadas de luta pela justiça e pela verdade", uma vez que mais de 156 condenações e 600 julgamentos por violações "graves" dos direitos humanos, incluindo execuções extrajudiciais, tortura e desaparecimentos forçados "correm o risco de serem arquivados, o que constituiria um grave retrocesso".

"Essa lei viola as sentenças internacionais e protege os violadores dos direitos humanos, não a democracia", acrescentou a organização, antes de denunciar que a medida "constitui uma grave violação das obrigações internacionais do Estado, ao consolidar um marco regulatório destinado a perpetuar a impunidade".

A Coordinadora aproveitou a oportunidade para denunciar o "crescente enfraquecimento institucional, marcado por tentativas de se apoderar do sistema de justiça, ataques ao Ministério Público e decisões promovidas pelo Congresso com a complacência do Executivo", e fez um apelo "urgente" para a mobilização dos cidadãos para mostrar sua oposição à lei.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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