Publicado 08/09/2025 22:59

O Congresso do Peru busca declarar Sheinbaum persona 'non grata' por seu apoio ao ex-presidente Castillo

A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, fala durante uma coletiva de imprensa sobre a implementação de programas sociais para vários setores da sociedade no Palácio Nacional, em 8 de setembro de 2025, na Cidade do México, México.
Europa Press/Contacto/Luis Barron

MADRID 9 set. (EUROPA PRESS) -

O Comitê de Relações Exteriores do Congresso peruano aprovou na segunda-feira uma moção para declarar a presidente do México, Claudia Sheinbaum, persona 'non grata', depois que ela denunciou que o ex-presidente peruano Pedro Castillo, detido sob a acusação de rebelião e abuso de autoridade após o fracassado autogolpe de dezembro de 2022, é vítima de uma "perseguição política".

A medida, que recebeu doze votos a favor e seis contra, será apresentada ao plenário da câmara antes de ser votada, de acordo com o órgão em uma declaração na qual defendeu a proposta ao considerar que a presidente mexicana manteve uma "conduta hostil" em relação ao Peru desde que assumiu o cargo em outubro de 2024.

Em particular, os deputados do Fuerza Popular (FP), partido que propôs a iniciativa, acusaram Sheinbaum de ter se "referido" a Castillo como "presidente legítimo do Peru", declarações que são "altissonantes e ofensivas" ao país e suas instituições, conforme indicado na nota.

Nesse sentido, consideraram a moção como uma "punição" ao presidente mexicano, ao mesmo tempo em que asseguraram que isso "não é um ato contra o povo mexicano, com quem estamos unidos pela história e pela amizade, mas uma legítima defesa da dignidade nacional".

"O Peru exige respeito à sua soberania e às suas instituições. Não podemos permitir que uma tentativa de golpe de Estado seja minimizada ou que nossa democracia seja distorcida", disse a deputada da FP, Carmen Alva Prieto.

A iniciativa ocorre depois que o presidente mexicano recebeu Guido Croxatto, advogado de Castillo, no palácio presidencial no final de agosto e denunciou que Castillo está "injustamente preso no Peru".

"A liberdade de Pedro Castillo é também a defesa da democracia e da dignidade", disse ela em sua conta na rede social X, onde expressou sua "mais profunda solidariedade" com o ex-presidente e sua família no que descreveu como "um grave precedente de perseguição política e discriminação em nossa região".

Castillo está em prisão preventiva sob a acusação de rebelião e abuso de autoridade pelo fracassado autogolpe de dezembro de 2022, quando tentou dissolver o parlamento e arrogar-se mais poderes depois de se proclamar vencedor das eleições de junho de 2021.

Seu mandato foi um verdadeiro reflexo da política peruana, uma instabilidade que ficou evidente nas cinco equipes de governo - com mais de 70 ministros - que ele teve em apenas 16 meses. Incapaz de trazer estabilidade e direção ao país, ele também teve que enfrentar um Congresso hostil, perdendo até mesmo o apoio de seu próprio partido, o Perú Libre.

A demissão de Castillo trouxe ao Peru uma de suas piores crises recentes, com quase 50 pessoas mortas pelas forças de segurança em protestos contra sua prisão e contra a pessoa que assumiu o cargo, sua vice-presidente até então, Dina Boluarte, cujo mandato foi questionado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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