Publicado 01/05/2026 00:40

O Congresso do Brasil derruba o veto de Lula à redução das penas dos envolvidos na trama golpista liderada por Bolsonaro

Archivo - Arquivo - FOTO DE ARQUIVO - 10 de junho de 2025, Brasil, Brasília: Jair Bolsonaro (à esquerda), ex-presidente do Brasil, conversa com seu advogado durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público Federal acusa os réus de pl
Gustavo Moreno/Supreme Court of / DPA - Arquivo

MADRID 1 maio (EUROPA PRESS) -

O Congresso do Brasil revogou nesta quinta-feira o veto do presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, ao projeto de lei que reduz as penas dos condenados por participação na tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre pena de mais de 27 anos de prisão.

No Senado, foram registrados 49 votos a favor da revogação do veto e 24 contra, superando com certa folga o mínimo necessário de 41. De forma semelhante, mas com margem ainda maior, a Câmara dos Deputados fez o mesmo, obtendo 318 votos a favor contra os 257 necessários e apenas 144 parlamentares que votaram contra, segundo informou a agência Brasil.

O líder do governo na Câmara, Pedro Uczai, tentou impedir a votação com uma questão de ordem, alegando que outros dos mais de 50 vetos parciais ou totais pendentes de revisão parlamentar deveriam ter prioridade sobre o projeto de lei de redução de penas, conhecido como “Dosimetria” devido ao recálculo das penas que estipula.

Além disso, ele alertou os demais deputados de que sua decisão não se referia simplesmente a uma redução das sentenças proferidas pela Suprema Corte, mas “à questão da democracia e, portanto, ao futuro de novas tentativas de golpe de Estado”. “Não se trata de esquerda ou direita. Trata-se de saber se queremos democracia, um golpe de Estado ou uma ditadura”, afirmou.

Por outro lado, o relator do projeto de lei no Senado, Espiridião Amim — do partido de direita Progressistas —, defendeu na Câmara Alta a anulação do veto com o argumento de que o julgamento pela conspiração golpista não teria sido justo. “Este é um dia que pode nos permitir avançar, ou mesmo superar, o primeiro passo rumo à justiça e à harmonia política no Brasil”, afirmou antes de seus colegas aprovarem o texto.

O projeto de lei de Dosimetria estabelece que as penas por crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado de Direito democrático não devem ser aplicadas de forma cumulativa quando cometidos no mesmo contexto. O texto também prevê uma redução da pena de um a dois terços para os crimes de tentativa de golpe de Estado ou abolição quando cometidos em grupo, desde que o autor não tenha financiado o ato nem exercido um papel de liderança.

A medida beneficiaria os condenados pela trama golpista contra o atual presidente, Lula da Silva, entre os quais se destacam o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, o ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto e o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno.

A decisão do Congresso representa um novo revés para o presidente, que vetou a medida em 8 de janeiro deste ano, alegando que “aumentaria a incidência de crimes contra a ordem democrática e indicaria um retrocesso no processo histórico de redemocratização que deu origem à Nova República”.

“O dia 8 de janeiro está marcado na história como o dia da vitória da nossa democracia”, afirmou, declarando a data “uma vitória sobre aqueles que tentaram tomar o poder pela força, ignorando a vontade popular expressa nas urnas”.

Era então o terceiro aniversário do assalto à Praça dos Três Poderes, em Brasília, ponto alto de uma trama que pretendia impedir a transição de poder para o próprio Lula após sua vitória eleitoral e deter figuras de destaque do Poder Judiciário, como o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, entre outros planos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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