Publicado 17/09/2025 00:37

Congresso do Brasil aprova emenda constitucional que amplia a imunidade de parlamentares contra processos judiciais

Archivo - Arquivo - O presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Hugo Motta
BRUNO SPADA/CÂMARA DOS DEPUTADOS - Arquivo

O Congresso pode bloquear os processos criminais do Supremo Tribunal Federal contra senadores e deputados

MADRID, 17 set. (EUROPA PRESS) -

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou na terça-feira por ampla maioria a proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade de deputados e senadores e os protege de possíveis processos no Supremo Tribunal Federal e nas esferas penal e civil.

Apelidada de "PEC das Prerrogativas", a emenda foi aprovada em segundo turno com 344 votos a favor e 133 contra, depois de 353 votos a favor no primeiro turno, que foi realizado em segredo, apesar da oposição do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), uma dissidência do Partido dos Trabalhadores (PT) do presidente do país, Luis Inácio Lula da Silva.

De acordo com o serviço de notícias da Câmara, o texto significa que os deputados e senadores só podem ser submetidos a medidas cautelares pessoais ou financeiras, uma regra que se aplica a partir do momento em que o parlamentar é eleito e que perdura após o seu mandato se o processo judicial se referir ao seu mandato em qualquer uma das câmaras. Além disso, elas só podem ser impostas pela Suprema Corte, que também teria que autorizar medidas decorrentes de processos civis.

Além disso, o texto dá ao Congresso o poder de bloquear processos criminais na Suprema Corte contra parlamentares, exigindo autorização prévia do legislativo. Essa autorização teria que ser deliberada pela respectiva Casa em até 90 dias após o recebimento da ordem do Supremo Tribunal Federal, em votação secreta.

As prerrogativas "são, na realidade, garantias indispensáveis à própria viabilidade institucional do Poder Legislativo, pilar fundamental do Estado Democrático de Direito", defendeu o deputado que propôs a emenda, Claudio Cajado. Ele argumentou que essas condições "só foram suprimidas em períodos autoritários" e que são indispensáveis para que os membros do Congresso exerçam suas funções de forma independente, sem medo de perseguições políticas ou intimações.

No entanto, a blindagem parlamentar da emenda é mais ampla do que a estabelecida na Constituição de 1988, que foi revogada em 2001 diante da pressão popular contra a impunidade e substituída pela regra, em vigor até hoje, que estipula que deputados e senadores devem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

Os deputados também aprovaram a extensão da imunidade aos presidentes de partidos políticos representados no Congresso, mesmo que não tenham assento, segundo o jornal 'Folha'.

Para conseguir os votos necessários, que deveriam ser de pelo menos 308 dos 513 deputados federais, o presidente da Câmara, Hugo Motta, autorizou a participação remota dos deputados, o que não é comum às terças-feiras. No final, a PEC foi apoiada por quase todos os partidos, com apenas o PT, PSOL, Partido Comunista, Rede e Novo se opondo a ela.

Após ser aprovado pela Câmara dos Deputados, o texto seguirá agora para o Senado. Se aprovado novamente, a lei seria promulgada diretamente pelo Congresso e entraria em vigor sem a necessidade de sanção ou veto presidencial.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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