Publicado 07/06/2026 08:16

O Congresso da Bolívia aprova a Lei de Estados de Exceção, que amplia as competências presidenciais

A promulgação definitiva da lei depende do presidente, que poderia recorrer ao Exército para reprimir os protestos e bloqueios

Archivo - Arquivo - LA PAZ, 9 de novembro de 2025  -- Esta foto, tirada em 8 de novembro de 2025, mostra Rodrigo Paz participando de sua cerimônia de posse em La Paz, na Bolívia.   Rodrigo Paz tomou posse como presidente constitucional do Estado Plurinaci
Europa Press/Contacto/Li Mengxin - Arquivo

MADRID, 7 jun. (EUROPA PRESS) -

A Câmara dos Deputados da Bolívia aprovou na madrugada deste domingo a Lei de Regulamentação dos Estados de Exceção, que amplia as competências do presidente, Rodrigo Paz, para declarar o estado de exceção e facilitar, assim, o uso das Forças Armadas na repressão aos protestos que, há mais de um mês, mantêm bloqueada a região da capital, La Paz, para exigir a renúncia do presidente.

A lei já havia sido aprovada no Senado e, neste domingo, às 5h52, recebeu a aprovação da Câmara dos Deputados por dois terços dos deputados, após uma sessão maratona de quase 14 horas. Agora, o projeto foi encaminhado ao presidente para promulgação.

A lei estabelece que a declaração do estado de exceção deverá ser feita por meio de um decreto supremo fundamentado, com a especificação de seu alcance territorial, duração, medidas extraordinárias autorizadas e instituições responsáveis por sua execução.

Também determina uma vigência máxima de até 90 dias, com possibilidade de prorrogação somente mediante autorização da Assembleia Legislativa.

O próprio Paz publicou nas redes sociais que, embora “La Paz e El Alto ainda enfrentem momentos difíceis”, “também começam a ser registrados avanços concretos, fruto do trabalho e do diálogo com aqueles que realmente apostam em um futuro melhor para a Bolívia”.

Em particular, destaca a chegada de mais de um milhão de litros de gasolina e 40.000 botijões de gás à região, “aliviando aos poucos uma situação que afetou muitas famílias bolivianas”.

“Ainda há muito a ser feito. Agradeço ao povo boliviano pela resistência e pela força nestes momentos difíceis. Continuaremos trabalhando com determinação até devolver a tranquilidade a cada lar e a estabilidade que a Bolívia merece”, afirmou.

Mais tarde, aproximadamente na hora em que foi aprovada a reforma da Lei de Estados de Exceção, Paz publicou em sua conta uma foto histórica da coalizão de esquerda Unidade Democrática e Popular (UDP), que assumiu o poder democraticamente após a ditadura em 1982.

O governo da UDP, liderado por Hernán Siles Zuazo, enfrentou uma grave crise econômica com hiperinflação, na qual a Central Obrera Boliviana (COB) se mobilizou para protestar, como ocorre atualmente. Por fim, convocou eleições antecipadas em 1985, nas quais se impôs Víctor Paz Estenssoro, tio-avô do atual presidente, Rodrigo Paz.

As mobilizações contra o presidente Paz, iniciadas há cinco semanas, já causaram a morte de dez pessoas, deixaram 37 feridos e mais de uma centena de indiciados, segundo o balanço da Defensoria do Povo.

Sete das mortes são de pessoas que não tiveram acesso a atendimento médico devido aos bloqueios ou sofreram atrasos no transporte para os centros de saúde.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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