Publicado 22/05/2026 03:34

Conflitos por terras entre indígenas deixam pelo menos seis mortos e mais de 100 feridos na Colômbia

Archivo - Arquivo - 20 de junho de 2025, São Petersburgo, Rússia: A bandeira nacional da Colômbia tremula ao vento num mastro.
Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov

Petro convoca os povos misak e nasa para uma reunião na Casa de Nariño na próxima segunda-feira, a fim de abordar a questão

Francia Márquez se oferece para “ajudar a construir caminhos de diálogo social”

MADRID, 22 maio (EUROPA PRESS) -

Pelo menos seis pessoas morreram e mais de uma centena ficaram feridas devido a disputas violentas por terras ancestrais entre membros dos povos indígenas misak e nasa em uma zona rural do município de Silva, no departamento do Cauca, no sudoeste da Colômbia.

Isso foi confirmado pelo ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, em uma mensagem em vídeo divulgada nas redes sociais, na qual ele classificou esse confronto como “absurdo” entre os dois povos indígenas do Cauca.

Por sua vez, o governador do Cauca, Octavio Guzmán, fez um apelo “urgente” para “interromper imediatamente qualquer agressão ou confronto entre as comunidades”, ao mesmo tempo em que defendeu que não se pode “permitir” que “continue a se agravar uma situação que hoje está deixando pessoas feridas, famílias afetadas e vidas perdidas”.

Salientando que “nenhuma diferença” pode “justificar a dor, a morte e o risco a que a população está sendo exposta”, Guzmán instou as autoridades indígenas, líderes, organismos de direitos humanos e instituições a se unirem em prol de “construir caminhos de conciliação que permitam conter qualquer ato violento e proteger a vida”.

ARGUMENTOS DAS PARTES EM CONFLITO

De acordo com a governadora da comunidade misak, Liliana Pechene, o território em disputa estava sendo ocupado de forma “ilegal” pelo povo Nasa. Esse argumento teria motivado esse povo a entrar na madrugada de quinta-feira no referido território para recuperá-lo, provocando uma reação imediata por parte dos membros da reserva indígena Nasa de Pitayó e, com isso, os subsequentes confrontos violentos.

Por sua vez, o governador do conselho indígena de Pitayó, Pablo Edison Pacho, afirmou que sofreram um “ataque” por parte da comunidade misak, no qual foram “encurralados” e privados de seus telefones.

“Estamos tentando evitar que essa situação piore, mas ela saiu do controle”, lamentou Pacho, ressaltando que as pessoas estão “muito ressentidas com a questão da expropriação” de seus membros e que, por isso, é “muito difícil controlar os ânimos”.

Rejeitando esses fatos, pelos quais teriam perdido a vida, pelo menos, dois indígenas do povo nasa e um misak, a Associação de Autoridades Ancestrais Territoriais Nasa exigiu que o governo colombiano intervenha neste conflito para que sejam tomadas medidas para “acabar com esse confronto”.

“Vocês são os responsáveis por essas mortes por serem tão permissivos, indiferentes e negligentes diante dessa situação que já havia sido anunciada”, rezou o comunicado dessa associação que, segundo informou, não permitirá que continuem “mais abusos” nem esses “atos graves” que, insistiu, decorrem da “teimosia caprichosa de líderes misak que não entendem razões”.

RESPOSTA DO GOVERNO

A respeito desses fatos que levaram os dois povos a se confrontarem com paus, pedras e armas brancas, o responsável pela pasta da Defesa informou que foram mobilizadas “as forças da Força Pública diretamente no terreno” com o objetivo de “proteger a vida”.

“Nossos militares, que estão no terreno, vão acompanhar a população, mas também protegê-la, não apenas do confronto entre eles, mas também de outros atores criminosos que poderiam estar por trás de ações contra a população e os povos indígenas”, indicou Sánchez após realizar um conselho de segurança extraordinário.

Por sua vez, o ministro colombiano confirmou que, para a próxima segunda-feira, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, convidou os povos nasa e misak para uma reunião na Casa de Nariño a fim de abordar essa questão por meio do “diálogo” e da “sensatez”.

Da mesma forma, a vice-presidente do país latino-americano, Francia Márquez, ofereceu-se como uma espécie de mediadora para “ajudar a construir caminhos de diálogo social” que, “em meio às diferenças”, permitam “cuidar da vida entre povos irmãos”.

“Me coloco como líder, como mulher de Cauca e como vice-presidente para ajudar a construir caminhos de diálogo social”, afirmou ela em uma mensagem nas redes sociais, na qual lamentou que o povo de Cauca já “tenha sofrido demais” ao passar por “violência e abandono”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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