Europa Press/Contacto/Lev Radin - Arquivo
MADRID 7 mar. (EUROPA PRESS) - A Justiça norte-americana condenou nesta sexta-feira um agente da inteligência iraniana identificado como Asif Merchant, acusado dos crimes de terrorismo e assassinato por encomenda, no âmbito de uma “conspiração frustrada” cujo objetivo era acabar com a vida de políticos e altos funcionários do governo norte-americano, entre os quais se incluiria o presidente Donald Trump.
“Hoje, um júri federal condenou Asif Merchant, também conhecido como “Asif Raza Merchant”, por assassinato por encomenda e tentativa de cometer um ato terrorista que transcende as fronteiras nacionais”, informou o Escritório de Assuntos Públicos do Departamento de Justiça (DOJ) em um comunicado no qual descreveu o acusado como “um agente treinado da força terrorista global do governo iraniano, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI)”.
O Executivo americano defende que o IRGC teria enviado Merchant aos EUA com o objetivo de “organizar assassinatos políticos e roubar documentos”, conforme ele mesmo admitiu no julgamento, congratulando-se pelo fato de que “as forças da ordem frustraram a conspiração antes que qualquer ataque pudesse ser realizado”.
Especificamente, a procuradora-geral Pamela Bondi esclareceu que o agente teria chegado ao país norte-americano “com a esperança de assassinar o presidente Trump”. “Em vez disso, ele se deparou com a força das forças da ordem americanas”, acrescentou.
O diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), Kash Patel, não só comemorou a notícia, como aproveitou para lembrar que “esta não é a primeira tentativa do Irã de causar danos aos cidadãos (dos EUA) em território americano”. “As outras tentativas também fracassaram”, acrescentou.
Assim sendo, Patel reiterou o compromisso do FBI com a detecção “desse tipo de ameaça” e a prevenção de atos de violência. “Exigiremos responsabilidades de qualquer pessoa que tente interferir em nosso sistema democrático”, afirmou.
De acordo com as provas e testemunhos apresentados durante o julgamento — incluindo a declaração do próprio acusado —, Merchant começou a colaborar com o CGRI no Paquistão entre o final de 2022 e o início de 2023, recebendo treinamento em técnicas de contravigilância.
Mais tarde, em 2023, foi enviado aos Estados Unidos com a tarefa de identificar possíveis recrutas para o CGRI que pudessem permanecer no país. Nesse período, também viajou várias vezes ao Irã para se reunir com seu contato dentro da organização, estando ciente o tempo todo — conforme constou em seu depoimento — de que o CGRI era classificado como organização terrorista.
Segundo ele, em 2024 foi novamente enviado aos EUA com a missão de recrutar membros da “máfia” que pudessem participar em diversas atividades criminosas, entre elas o roubo de documentos, a organização de protestos e o assassinato de funcionários ou políticos americanos. Com esse objetivo, Merchant entrou em contato em Nova York com um conhecido que ele considerava que poderia ajudá-lo a executar o plano. Essa pessoa, Nadeem Ali, informou os fatos às autoridades e passou a colaborar como fonte confidencial, de acordo com o comunicado do DOJ. No início de junho, Merchant e Ali se reuniram em Nova York. Durante o encontro, o acusado expôs ao seu acompanhante seu plano para cometer um assassinato: Merchant disse que tinha “uma oportunidade em andamento” enquanto fazia um gesto de “pistola com o dedo”, dando a entender que essa oportunidade estava relacionada a um homicídio.
Ele também indicou que o “alvo” estava “aqui”, nos Estados Unidos, e pediu a Ali que lhe facilitasse encontros com outras pessoas que ele pudesse contratar para realizar as diferentes ações que faziam parte de seu plano.
Segundo ele explicou, esse plano contemplava “múltiplos esquemas criminosos”, a saber: “(1) roubar documentos ou pen drives da residência de um alvo; (2) preparar um protesto; e (3) assassinar um político ou funcionário do governo”. Durante a mesma reunião, Merchant começou a propor cenários possíveis para o assassinato e consultou Ali sobre a maneira como cada caso poderia ser realizado. Em meados de junho, Merchant se reuniu em Nova York com aqueles que ele acreditava serem assassinos profissionais, embora na verdade fossem agentes secretos das forças de segurança americanas. Nessa reunião, ele explicou que precisava de três tipos de serviços: roubo de documentos, organização de protestos durante comícios políticos e assassinato de uma figura política. Ele também indicou que as instruções sobre quem matar seriam dadas depois que ele saísse do país.
Durante esse período, Merchant fez pesquisas na Internet sobre os locais dos comícios políticos e enviou relatórios ao seu contato no CGRI com detalhes sobre as medidas de segurança nesses eventos. Posteriormente, começou a providenciar a obtenção de US$ 5.000 (cerca de 4.300 euros) em dinheiro para entregar como adiantamento pelo assassinato. O dinheiro foi finalmente recebido com a ajuda de uma pessoa no exterior. Em 21 de junho, Merchant se reuniu com os agentes secretos em Nova York e entregou-lhes os US$ 5.000. Merchant planejava deixar os Estados Unidos na sexta-feira, 12 de julho de 2024; no entanto, nesse mesmo dia, ele foi detido pelas autoridades antes que pudesse deixar o território americano.
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