Publicado 21/08/2025 15:23

A Comunidade e a Tragsa abordam o conflito trabalhista das Brigadas Florestais nesta sexta-feira com posições consolidadas.

O governo regional proporá uma mesa de negociação e Tragsa enfatiza que "isso não é legitimado", pois é um acordo setorial autônomo.

Bombeiros florestais durante uma coletiva de imprensa do comitê de trabalho do Serviço Comunitário de Incêndios Florestais, em frente ao Ministério do Meio Ambiente, Agricultura e Interior, em 14 de agosto de 2025, em Madri (Espanha). O F
Ricardo Rubio - Europa Press

MADRID, 21 ago. (EUROPA PRESS) -

A Comunidade de Madri e a empresa pública Tragsa realizarão uma reunião nesta sexta-feira para tratar das condições de trabalho das tropas das Brigadas Florestais (BBFF) a cargo da empresa estatal que atua na região e para a qual ambas as partes têm posições arraigadas.

A reunião, proposta por iniciativa da Comunidade de Madri, deverá contar com a presença do Ministro do Meio Ambiente, Agricultura e Interior da Comunidade de Madri, Carlos Novillo, e de membros da gerência da Tragsa, com um convite feito ao seu presidente, Jesús Casas.

A reunião será realizada a partir das 11 horas na sede do Ministério Regional na Calle Alcalá, no contexto da greve que as Brigadas Florestais iniciaram em 15 de julho para exigir melhores condições de trabalho - com serviços mínimos de 80% - e que foram suspensas até 25 de agosto devido à "situação devastadora" que o país está enfrentando como resultado dos incêndios.

Eles são cerca de 500 bombeiros florestais - cerca de 350 na baixa temporada - que trabalham na Comunidade de Madri, mas são empregados pela empresa pública Tragsa, cujo acionista majoritário é a Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI), dependente do Ministério da Fazenda.

O conselho de trabalhadores - formado pelos sindicatos UGT, Firet e CGT - denuncia a situação precária e temporária em que realizam seu trabalho e exige melhorias para o coletivo e a negociação do acordo coletivo, que não é revisado desde 2008.

Entre outras demandas, eles pedem a atualização dos salários, congelados desde 2010, para levar em conta o perigo, as dificuldades e a toxicidade envolvidos em seu trabalho - eles não estão protegidos contra agentes cancerígenos - e para acabar com a natureza temporária de seu trabalho - 40% da equipe trabalha quatro meses por ano.

Em entrevista à Europa Press, Jesús Molina, da Firet, explicou que eles também estão exigindo melhorias nas bases que estão abandonadas há 20 anos e que a Lei 5/2024, aprovada em 8 de novembro de 2024, deve ser aplicada, algo que a Comunidade de Madri não está fazendo.

Em fevereiro de 2022, o governo regional encarregou a Tragsa de realizar as funções de prevenção, avaliação, vigilância, detecção e apoio ao corpo de bombeiros da Comunidade de Madri na extinção de incêndios florestais e em certas intervenções relacionadas a episódios meteorológicos adversos, uma comissão que expira este ano e espera-se que seja renovada. A despesa, co-financiada pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER), chega a 29 milhões por ano, de acordo com os orçamentos regionais deste ano.

Nesse contexto, os representantes dos trabalhadores estão pedindo ao governo regional que imponha essas melhorias trabalhistas e a negociação do acordo como condições para a renovação do contrato, que expira em dezembro.

UMA MESA DE NEGOCIAÇÃO

Na reunião desta sexta-feira, o governo regional proporá à empresa estatal que "convoque formalmente uma mesa de negociação com todos os atores envolvidos para a próxima semana", na qual estarão presentes representantes da Agência de Segurança e Emergência 112 de Madri (ASEM112).

O Ministério Regional do Meio Ambiente, Agricultura e Interior insistiu que considera as demandas das Brigadas Florestais "justas", embora enfatize "a impossibilidade legal de negociar suas condições salariais, conforme ratificado em um relatório emitido pela Direção Geral de Emprego".

Especificamente, o relatório afirma que, embora a Tragsa "não tenha o direito de negociar" esse acordo coletivo setorial, ela pode negociar "seu próprio acordo de empresa". De qualquer forma, a Agência de Segurança e Emergência de Madri 112 (ASEM112) "não tem legitimidade para negociar o acordo coletivo para trabalhadores que não são seus próprios funcionários públicos, mas sim funcionários de empresas concessionárias", de acordo com o relatório consultado pela Europa Press.

Em uma reunião realizada em meados de julho, a Comunidade já havia transmitido essa "impossibilidade legal de poder negociar" aos representantes do coletivo e antecipou que na nova ordem para o próximo ano "eles veriam uma série de melhorias, como a continuidade de 12 meses do pessoal que é contratado".

Em todo caso, Novillo reiterou nos últimos dias que a Comunidade de Madri fará "todo o possível" para ajudá-los em suas reivindicações. "Precisamos dignificar esses trabalhadores, que são fundamentais e fazem parte de um sistema de mais de 2.500 membros do Corpo de Bombeiros da Comunidade de Madri", disse ele recentemente.

A TRAGSA DIZ QUE NÃO É COMPETENTE

A Tragsa destacou que a empresa "não está autorizada a negociar um acordo coletivo setorial regional", em referência ao Acordo Setorial para a Prevenção, Vigilância e Extinção de Incêndios Florestais na Comunidade de Madri, que rege esses trabalhadores.

De acordo com a empresa pública, toda a atividade que desenvolve na Comunidade de Madri é realizada como parte dos "meios instrumentais próprios do Grupo Tragsa, e no âmbito das ordens específicas que recebe" e "desde que esteja dentro de seu objeto social, envolva uma recuperação dos custos incorridos pela empresa e cumpra as normas que regem o setor e as empresas públicas", disseram fontes da empresa à Europa Press.

De qualquer forma, de acordo com a Tragsa, a reunião servirá para analisar a situação e a possível continuidade do atual contrato com a empresa pública para a prestação do serviço, uma vez expirado o atual.

Nesse sentido, consideram a reunião, que agradecem a Novillo por tê-la proposto, como "totalmente razoável", "na medida em que lhes permitirá analisar a evolução do contrato nos últimos anos e sua possível continuidade se a Comunidade de Madri assim o considerar".

As mesmas fontes enfatizaram que, se houver um novo contrato com novas condições que melhorem a situação de emprego dos funcionários, a empresa o respeitará. "É uma decisão que corresponde à Comunidade de Madri dentro de suas competências em incêndios florestais e sua capacidade de auto-organização. As ordens de recursos próprios são de execução obrigatória e, se uma nova ordem for recebida, ela será executada de acordo com as determinações que ela contempla", insistiram.

Assim, especificaram, caso a Comunidade de Madri faça um novo pedido ao Grupo Tragsa para esse serviço, "todas as questões detalhadas nele serão incorporadas, sempre sujeitas à lei e às normas regulatórias do setor público estadual".

ESPERANÇA E CAUTELA ENTRE OS TRABALHADORES

Em entrevista à Europa Press Televisión, Rafael Fernández, bombeiro florestal e representante dos trabalhadores da UGT, disse estar "otimista" com a realização da reunião, embora permaneça cauteloso até ver o que acontece.

"Aquele que agora é conselheiro - Carlos Novillo - e que em 2018 foi diretor da ASEM112, já assinou um documento com alguns acordos que, até o momento, muitos deles ainda não foram cumpridos", lembrou para justificar essa cautela.

Em todo caso, assinalou, esperam que a Comunidade, "sob a responsabilidade que tem", tente fazer com que Tragsa "desbloqueie esta situação e haja uma mesa de negociações" na qual se possa chegar a certos acordos. Quanto ao governo regional, ele enfatizou que cabe a ele decidir se renova o contrato com a Tragsa "sabendo que, no momento, ela está imóvel" diante das demandas desse grupo ou se decide enfrentá-lo "diretamente", o que seria a "melhor" opção e "a mais adequada" para os trabalhadores.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado