Ricardo Rubio - Europa Press
MADRID 30 jul. (EUROPA PRESS) -
Equipes técnicas e operários da Comunidade de Madri compareceram novamente nesta quinta-feira ao Estádio de Vallecas para tentar acessar as instalações e dar início às obras urgentes previstas, embora não tenham conseguido entrar no recinto, segundo informaram fontes da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes à Europa Press.
É o segundo dia em que tentam acessar instalações cuja concessão já não pertence ao Rayo Vallecano. Nesta quarta-feira, após não conseguirem entrar no estádio, a Comunidade de Madri apresentou uma queixa junto à Polícia Nacional.
Enquanto o pessoal enviado pelo governo regional ficava do lado de fora, conforme pôde constatar a Europa Press, no interior do estádio era possível observar pessoas alheias ao Executivo regional realizando trabalhos de limpeza nas arquibancadas.
A Comunidade de Madri emitiu uma ordem de rescisão da concessão do Estádio de Vallecas ao Rayo, que inclui, como medida cautelar, a suspensão imediata da concessão. A decisão foi tomada depois que uma auditoria iniciada em outubro detectou “graves” deficiências de segurança, higiene e manutenção.
O governo regional anunciou que assumiria as medidas urgentes para garantir a segurança do recinto e fazer com que o time possa retornar a Vallecas “no menor tempo possível”. Enquanto durarem as obras, o Rayo terá que disputar suas primeiras partidas da Liga em um estádio alternativo escolhido pelo clube em coordenação com a LaLiga e a Federação Real Espanhola de Futebol.
Ao longo da manhã, torcedores foram chegando aos poucos ao estádio para renovar seus ingressos de temporada e demonstraram seu descontentamento com a situação.
Entre eles estava Antonio, sócio do Rayo Vallecano há mais de 20 anos, que garantiu à Europa Press que deixará seu assento vago caso o time tenha que se mudar temporariamente para outro estádio. “Vou deixar meu assento vago, não importa para onde eu vá. Só vou ocupá-lo se jogarmos aqui, no nosso estádio”, enfatizou.
Para esse sócio, o vínculo da torcida com o Rayo vai além dos resultados esportivos. “Quem é sócio do Rayo não o é porque vamos ganhar, mas por causa dos valores do bairro. Eu já fui sócio até na Segunda B”, contou.
“Aqui as famílias vêm com as crianças. É um estádio bonito para se vir assistir a um jogo de futebol”, acrescentou Antonio, que insistiu que sua decisão de renovar a assinatura responde ao seu compromisso com o clube, mas não significa que ele vá acompanhar o time se este acabar jogando fora de Vallecas.
AS TORCIDAS PEDEM A SUSPENSÃO DA CAMPANHA
Por sua vez, a Federação das Torcidas do Rayo Vallecano e a Plataforma ADRV exigiram que o clube suspenda imediatamente a campanha de renovações e novas adesões, diante da falta de informações sobre onde serão disputadas as primeiras partidas da temporada e se o público poderá comparecer.
Os grupos também solicitaram o reembolso do dinheiro para aqueles que já renovaram e que a campanha seja retomada, com uma prorrogação dos prazos, quando a situação estiver esclarecida.
“Sabemos que não jogaremos em Vallecas durante parte da temporada. Não sabemos onde esses jogos serão disputados, nem mesmo se haverá público”, alertaram em uma carta dirigida à diretoria do clube e divulgada nas redes sociais.
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