Publicado 25/04/2025 13:04

A comunidade educacional, do jardim de infância à universidade, se mobilizará nesta segunda-feira em defesa da educação pública.

Será a segunda greve e manifestação até agora neste ano, depois da que ocorreu no final de fevereiro.

Archivo - Arquivo - Dezenas de pessoas durante uma manifestação pela educação pública em 23 de fevereiro de 2025 em Madri (Espanha). Cerca de vinte organizações e associações que abrangem os vários estágios da educação, desde o ensino obrigatório até o tr
Rafael Bastante - Europa Press - Arquivo

MADRID, 25 abr. (EUROPA PRESS) -

A comunidade educacional em todos os níveis, desde o jardim de infância até a universidade, incluindo o primário e o secundário, se mobilizará na próxima segunda-feira, 28 de abril, na capital, em defesa da educação pública. Assim, de acordo com a convocação promovida por dezenas de grupos, plataformas, sindicatos e assembléias, haverá um dia de greve e uma manifestação a partir das 18 horas que partirá de Atocha sob o lema "Salve a educação pública".

Ambos os protestos serão um reflexo do cabo de guerra que a comunidade educacional vem mantendo há meses com o Ministério Regional da Educação, Ciência e Universidades, tanto nas negociações sobre a redução das horas letivas e melhor remuneração dos professores do ensino obrigatório quanto no financiamento das seis universidades públicas da Comunidade de Madri (Complutense, Autónoma, Carlos III, Politécnica, Rey Juan Carlos e Alcalá).

Assim, esta segunda-feira será o segundo dia de manifestações que unirão todos os níveis de ensino, após a manifestação realizada em 23 de fevereiro, da qual participaram cerca de 25.000 pessoas, de acordo com a Delegação do Governo.

PROTESTOS UNIVERSITÁRIOS

Por um lado, a comunidade universitária vem expressando há meses seu desconforto com a "asfixia econômica" sofrida pelas universidades públicas, que eles temem que seja agravada pela nova lei sobre universidades regionais, a Lei de Educação Superior, Universidades e Ciência (LESUC), da qual só se conhece um rascunho até o momento e que o governo regional está negociando com os reitores.

Nesse sentido, as plataformas unidas sob o nome "Para o público" das seis universidades públicas da região delinearam em uma declaração divulgada há duas semanas os 10 pontos que motivam o protesto.

Entre eles estavam a "asfixia econômica, já que o governo regional fornecerá apenas 70% do financiamento", "a tendência a um modelo empresarial de universidades públicas e a uma maior privatização pela frouxidão em reconhecer os chiringuitos que lucram com o ensino superior" e "a "interferência do governo regional na autonomia universitária, com maior controle do capital privado e da Comunidade de Madri nos órgãos de coordenação do ensino superior", bem como "o aumento da "repressão à liberdade e às associações de estudantes".

Paralelamente ao decálogo de reclamações, as plataformas dos seis campi universitários da região elaboraram 10 questões que pedem que sejam incluídas na nova lei, como "controles mais exigentes sobre as universidades privadas", "fim dos contratos precários" e "fim da interferência do governo regional e do capital privado".

Por todos esses motivos, durante todo o mês de abril, foram realizadas várias ações de protesto e contestação, como os lock-ins de dezenas de professores e alunos na Faculdade de Matemática da Universidade Complutense de Madri (UCM) e na Faculdade de Humanidades da Universidade Carlos III (UC3M). Ou a exibição de um mural na fachada da Faculdade de Ciências Físicas da UCM para exigir uma "universidade pública com investimento em qualidade".

O sindicato Comisiones Obreras (CC.OO.) também se juntou a todas essas reivindicações nesta sexta-feira e, em uma declaração, descreveu a situação como "estrangulamento orçamentário" e deu seu apoio à mobilização de segunda-feira. "O subfinanciamento das universidades vem ocorrendo há mais de 15 anos e está levando-as a uma situação de deterioração que põe em risco seu funcionamento normal", disse o sindicato.

POSIÇÃO DO MINISTÉRIO REGIONAL

Até o momento, o ministério regional argumentou que ainda está em um processo de negociação com os reitores e que a minuta não é um documento definitivo. Uma posição com a qual o Ministro Regional da Presidência, Justiça e Administração Local, Miguel Ángel García Martín, concordou nesta quarta-feira na coletiva de imprensa após o Conselho Administrativo. "É uma lei que ainda está, no momento, sendo redigida, preparada e acordada, entre outros, com os próprios reitores das universidades públicas", enfatizou.

Sobre o financiamento, García Martín disse que estão "investindo muito nas universidades públicas de Madri". "Um crescimento de 4% no orçamento de 2025 e um aumento de 20% desde que Isabel Díaz Ayuso é presidente da Comunidade de Madri", acrescentou.

Além disso, em seus últimos discursos, o Ministro Regional da Educação, Ciência e Universidades, Emilio Viciana, defendeu a contribuição do governo regional para as universidades públicas. Ele fez isso na terça-feira, 8 de abril, quando afirmou que "há pouquíssimas regiões no mundo, não apenas na Espanha, mas em todo o mundo, que atingem 4% do orçamento em financiamento" para universidades, como faz a Comunidade de Madri. Também na sessão de controle do governo regional na Assembleia, dois dias depois, ele especificou que "nenhuma universidade receberá menos dinheiro".

EDUCAÇÃO OBRIGATÓRIA PROTESTOS

Por outro lado, além das demandas das universidades, a comunidade educacional em outros níveis também é chamada a apoiar as manifestações. Nesse caso, foi a Menos Lectivas, um grupo de mais de 200 assembleias de centros educacionais da Comunidade de Madri, que convocou as manifestações.

Há pouco mais de um mês, os sindicatos da Mesa Setorial da Educação (CCOO, ANPE, CSIF e UGT) e o Ministério Regional da Educação chegaram a um acordo, após meses de negociação, para reduzir as horas letivas no Ensino Médio - que passarão de 20 para 19 horas a partir do próximo ano letivo e cairão para 18 a partir do ano letivo de 2028/2029 - e para incorporar 850 novos professores nos próximos três anos no Ensino Infantil e Primário, entre outras questões.

Um dos objetivos é conscientizar a sociedade como um todo sobre os maus tratos e o desmantelamento da educação pública em Madri e envolver-se em sua defesa", disseram em um comunicado.

A Menos Lectivas exige "índices mais baixos" em todos os níveis, a "redução das horas de ensino na escola primária", maior atenção à diversidade e o fim da "crescente segregação".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado