Publicado 11/04/2026 00:08

A Comunidade Andina insta a Colômbia e o Equador a retomarem o diálogo para proteger 57 anos de integração

Archivo - Arquivo - 26 de maio de 2019 - Lima, Lima, Peru - Da esquerda para a direita: bandeiras do Equador, da Bolívia, do Peru, da Colômbia e da Comunidade Andina, expostas como parte das atividades do 19º Conselho Presidencial Andino e da comemoração
Europa Press/Contacto/Carlos Garcia Granthon

MADRID 11 abr. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral da Comunidade Andina, Gonzalo Gutiérrez, fez nesta sexta-feira um apelo “urgente” aos presidentes da Colômbia e do Equador, Gustavo Petro e Daniel Noboa, respectivamente, para que retomem “o mais rápido possível” o diálogo direto entre os dois países, com o objetivo de preservar uma trajetória de 57 anos de integração.

Em uma comunicação dirigida aos dois mandatários, o secretário-geral deste órgão manifestou sua preocupação com as recentes decisões adotadas e anunciadas tanto por Bogotá quanto por Quito, ao considerar que essas medidas têm efeitos diretos sobre o bem-estar dos cidadãos de ambos os países, bem como sobre o tecido empresarial e as economias familiares, além de impactar o processo de integração sub-regional.

Gutiérrez alertou que tais disposições, longe de facilitar uma conclusão “mutuamente satisfatória”, poderiam gerar consequências negativas tanto para as partes envolvidas quanto para o conjunto do bloco andino, afetando inclusive compromissos internacionais já assumidos e o princípio de solidariedade que sustenta o projeto de integração.

Nesse sentido, o secretário-geral lembrou a ambos os presidentes que o processo andino de integração é fruto de cerca de seis décadas de trabalho contínuo, durante as quais os países membros consolidaram um espaço comum de cooperação, comércio e desenvolvimento.

Nesse contexto, ele destacou a evolução do comércio intrarregional, que passou de 52,7 milhões de dólares para 9.152 milhões de dólares, ao mesmo tempo em que ressaltou o aumento da sofisticação produtiva, com 82,9% das exportações correspondendo a bens manufaturados com valor agregado.

No caso da Colômbia, Gutiérrez assinalou que a integração teve um impacto significativo em sua atividade exportadora na região, passando de 31 milhões de dólares em 1969 para 3.197 milhões em 2024, o que representa um aumento de 103 vezes.

Além disso, indicou que esse dinamismo também beneficiou cerca de 3.540 empresas exportadoras, das quais 3.109 são micro, pequenas e médias empresas. Ele também destacou o fluxo anual de cerca de 350.000 toneladas de mercadorias colombianas através da fronteira terrestre com o Equador, um movimento que, segundo ele, favorece especialmente as economias locais.

Em relação ao Equador, o representante da Comunidade Andina destacou igualmente a evolução positiva do comércio intracomunitário, que passou de 7,5 milhões de dólares no momento da assinatura do Acordo de Cartagena para 2.033 milhões em 2024, o que representa um crescimento de 271 vezes. Esse avanço, acrescentou, beneficiou cerca de 1.220 empresas exportadoras, das quais 1.010 são MPMEs.

Além disso, ele observou que cerca de 690.000 toneladas de produtos equatorianos cruzam a fronteira com a Colômbia a cada ano, refletindo a importância do intercâmbio para as economias regionais e as comunidades das zonas limítrofes.

Gutiérrez destacou ainda o desenvolvimento do marco jurídico e institucional do processo andino, que permitiu avanços em áreas como a livre concorrência, a propriedade intelectual, a livre circulação de pessoas, o roaming sem custos adicionais e a cooperação na luta contra o crime organizado transnacional.

Neste último âmbito, ele lembrou a implementação de um plano de ação que facilitou operações coordenadas nas fronteiras e o intercâmbio de informações entre os países membros, destacando também o trabalho em andamento para a criação do Mercado Elétrico Regional Andino, voltado para reforçar a segurança energética da sub-região.

Nesse contexto, o secretário-geral enfatizou que, em um cenário internacional marcado pela incerteza, o direito internacional adquire uma relevância crescente para a América Latina e o Caribe.

Em sua opinião, para países de médio porte como os andinos, esse marco normativo constitui uma garantia essencial para a defesa de seus interesses, de modo que o cumprimento dos compromissos assumidos fortalece a confiança mútua e contribui para evitar cenários de instabilidade.

Consequentemente, ele insistiu na necessidade de retomar rapidamente o diálogo direto entre a Colômbia e o Equador, por meio de delegações de alto nível com capacidade de chegar a acordos concretos, e apelou para que o processo se desenvolva em um clima de moderação e construção, em consonância com o acordado pelos ministérios das Relações Exteriores no comunicado conjunto de 25 de março passado.

Nesse sentido, levantou a possibilidade de que organismos como a Corporação Andina de Fomento (CAF) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) possam contribuir com recursos de cooperação para reforçar as capacidades nas zonas fronteiriças, ao mesmo tempo em que reiterou a “total disposição” da Secretaria-Geral da Comunidade Andina para atuar como “facilitadora” nesse processo, a fim de alcançar “uma solução mutuamente satisfatória que proteja os interesses dos Países-Membros e fortaleça o processo de integração andina”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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