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MADRID, 17 mar. (EUROPA PRESS) -
O Comitê Nacional Sírio que investiga a violência sectária desencadeada em julho de 2025 na província de Sueida, no sudoeste do país, onde morreram cerca de 1.800 pessoas, determinou em seu relatório final apresentado nesta terça-feira que foram cometidas “graves violações dos Direitos Humanos”.
“Com base em depoimentos, provas digitais, documentos analisados e inspeções no local, o comitê concluiu que os eventos ocorridos na província de Sueida em julho de 2025 constituíram graves violações dos direitos humanos”, declarou o comitê em uma coletiva de imprensa por ocasião da entrega do relatório final ao ministro da Justiça sírio, Mazhar al Wais.
O órgão, designado pelas autoridades de transição, citou entre os crimes cometidos “assassinatos, homicídios dolosos, saques armados, destruição e incêndio de residências e estabelecimentos comerciais, tortura, insultos sectários e incitação à violência sectária”.
Além disso, elevou para 1.760 o número total de mortos e para 2.188 o de feridos “de todos os lados” em meio a confrontos entre comunidades beduínas e drusas, bem como com a intervenção de forças de segurança ligadas ao governo central.
No entanto, não foi possível estabelecer o número final de desaparecidos “devido à falta de informações por parte de todos os envolvidos e à impossibilidade de acessar a cidade de Sueida”, conforme indicado, de modo que só foi possível documentar 60 desaparecidos pertencentes a tribos locais da província de Sueida e 30 do Ministério da Defesa.
O relatório também registra ataques a pelo menos 36 municípios, incluindo incêndios e atos de vandalismo contra residências e locais religiosos, bem como represálias contra comunidades beduínas e drusas.
Quanto à ação questionada do Exército e das forças de segurança ligadas a Damasco, o comitê observou que estas “tentaram impedir que os combatentes tribais chegassem a Sueida, mas não conseguiram devido ao seu grande número", embora tenha assinalado, com base em "múltiplos testemunhos", que "as forças de segurança bloquearam a entrada de grupos tribais em Sueida e os obrigaram a regressar após chegarem a Damasco".
O comitê informou que elaborou uma lista de suspeitos pertencentes a instituições estatais, grupos armados e civis, cujos dados foram encaminhados às autoridades judiciais competentes para que sejam processados.
Por outro lado, o órgão destacou as medidas adotadas pelo governo de Ahmed al Shara para investigar as “violações”, incluindo a criação do comitê, formado por sete membros — quatro juízes, dois advogados e um general de brigada, conforme o decreto do Ministério da Justiça sírio—, e instou, por isso, as autoridades a darem continuidade às medidas “de forma transparente e independente (...) para fortalecer a prestação de contas e prevenir a impunidade”.
“Salientamos a necessidade de implementar as recomendações do relatório para garantir justiça às vítimas e exigir responsabilização dos perpetradores, reforçando o princípio da não impunidade e prevenindo futuras violações”, acrescentou.
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