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MADRID 16 jun. (EUROPA PRESS) -
A comissão que investiga os violentos protestos iniciados em outubro de 2019 no Chile contra o governo do ex-presidente Sebastián Piñera decidiu intimar o atual ministro das Relações Exteriores, Francisco Pérez Mackenna, após terem vindo à tona conversas entre o embaixador do Chile em Israel e um advogado, nas quais foi sugerido cortar o acesso à internet da população durante o chamado “estouro social” no país.
Mensagens reveladas pelo veículo Reportea mostram que o atual embaixador do Chile em Israel, Gabriel Zaliasnik, propôs ao advogado Luis Hermosilla — que na época atuava como assessor do Ministério do Interior durante o governo de Piñera e era próximo ao diplomata — cortar o acesso à internet da população ou grampear telefones de figuras da esquerda.
“Estou saindo de La Moneda. Vou ligar para você amanhã, porque precisamos de ajuda para defender a democracia e o Chile. Isso é muito grave. Mais do que parece de fora. Estão criando o clima para abrir um processo criminal contra o Andrés”, afirma Hermosilla em um dos chats, referindo-se ao ex-ministro do Interior Andrés Chadwick.
O plano era reunir material comprometedor de figuras de esquerda. Diante disso, Hermosilla disse a Zaliasnik que tinha “algo” sobre o ex-presidente Gabriel Boric — que naquele momento era deputado —, bem como sobre outras pessoas, como a escritora, jornalista e política Pamela Jiles Moreno ou Karol Cariola, militante do Partido Comunista do Chile (PCCh). “Mas precisamos de muito mais material para que seja contundente”, alertou ele.
O deputado Daniel Manouchehri, que integra a comissão de investigação, indicou em declarações à imprensa que foi solicitado esclarecimento ao governo porque Zaliasnik continua no cargo, apesar de também ter outros “antecedentes” relacionados a Hermosilla.
O Ministério Público já abriu uma investigação contra o embaixador por uma denúncia de Manouchehri e da senadora Daniella Cicardini, que apontam que ele poderia estar envolvido no caso “Audio”, um escândalo de corrupção, suborno, propina e tráfico de influências que veio à tona após o vazamento, em novembro de 2023, de uma gravação de Hermosilla.
O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, informou recentemente que a posição do Executivo do atual presidente, José Antonio Kast, é colaborar com a investigação e manter o embaixador no cargo, conforme noticiado pelo jornal “La Tercera”.
“O ministro das Relações Exteriores foi muito claro. Trata-se de uma investigação aberta a partir de uma denúncia apresentada por parlamentares. Para o governo, isso não representou um obstáculo para que o embaixador assuma suas funções”, afirmou.
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