Publicado 16/06/2026 16:57

A comissão que investiga os protestos no Chile convoca o ministro das Relações Exteriores para depor

Archivo - Arquivo - A delegação ministerial das Relações Exteriores do Chile, liderada por Francisco Pérez Mackenna, na terceira reunião do Comitê Binacional de Cooperação Migratória com sua contraparte peruana (fora de quadro)
MINISTERIO DE EXTERIORES DE CHILE - Arquivo

MADRID 16 jun. (EUROPA PRESS) -

A comissão que investiga os violentos protestos iniciados em outubro de 2019 no Chile contra o governo do ex-presidente Sebastián Piñera decidiu intimar o atual ministro das Relações Exteriores, Francisco Pérez Mackenna, após terem vindo à tona conversas entre o embaixador do Chile em Israel e um advogado, nas quais foi sugerido cortar o acesso à internet da população durante o chamado “estouro social” no país.

Mensagens reveladas pelo veículo Reportea mostram que o atual embaixador do Chile em Israel, Gabriel Zaliasnik, propôs ao advogado Luis Hermosilla — que na época atuava como assessor do Ministério do Interior durante o governo de Piñera e era próximo ao diplomata — cortar o acesso à internet da população ou grampear telefones de figuras da esquerda.

“Estou saindo de La Moneda. Vou ligar para você amanhã, porque precisamos de ajuda para defender a democracia e o Chile. Isso é muito grave. Mais do que parece de fora. Estão criando o clima para abrir um processo criminal contra o Andrés”, afirma Hermosilla em um dos chats, referindo-se ao ex-ministro do Interior Andrés Chadwick.

O plano era reunir material comprometedor de figuras de esquerda. Diante disso, Hermosilla disse a Zaliasnik que tinha “algo” sobre o ex-presidente Gabriel Boric — que naquele momento era deputado —, bem como sobre outras pessoas, como a escritora, jornalista e política Pamela Jiles Moreno ou Karol Cariola, militante do Partido Comunista do Chile (PCCh). “Mas precisamos de muito mais material para que seja contundente”, alertou ele.

O deputado Daniel Manouchehri, que integra a comissão de investigação, indicou em declarações à imprensa que foi solicitado esclarecimento ao governo porque Zaliasnik continua no cargo, apesar de também ter outros “antecedentes” relacionados a Hermosilla.

O Ministério Público já abriu uma investigação contra o embaixador por uma denúncia de Manouchehri e da senadora Daniella Cicardini, que apontam que ele poderia estar envolvido no caso “Audio”, um escândalo de corrupção, suborno, propina e tráfico de influências que veio à tona após o vazamento, em novembro de 2023, de uma gravação de Hermosilla.

O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, informou recentemente que a posição do Executivo do atual presidente, José Antonio Kast, é colaborar com a investigação e manter o embaixador no cargo, conforme noticiado pelo jornal “La Tercera”.

“O ministro das Relações Exteriores foi muito claro. Trata-se de uma investigação aberta a partir de uma denúncia apresentada por parlamentares. Para o governo, isso não representou um obstáculo para que o embaixador assuma suas funções”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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