Publicado 10/03/2025 02:17

A Comissão Eleitoral da Romênia invalida a candidatura do extremista de direita Calin Georgescu.

Georgescu denuncia que "a Europa é agora uma ditadura, a Romênia está sob tirania".

MADRID, 10 mar. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Eleitoral Central (CEC) da Romênia rejeitou a candidatura do candidato presidencial de extrema-direita Calin Georgescu por 10 votos a 4, alegando que ele não cumpre as condições legais para ser candidato, em uma decisão contra a qual pode ser apresentado um recurso ao Tribunal Constitucional.

"A Comissão Eleitoral Central adotou as seguintes decisões: (...). Rejeição do registro da candidatura independente de Calin Georgescu nas eleições para a Presidência da Romênia em 2025", disse a CEC em um comunicado oficial à imprensa.

O comunicado informa a rejeição de um total de quatro candidaturas, a de Georgescu e as de Ion Popa, Maria Marcu e Nicusor Dan. "O texto completo das decisões tomadas estará disponível após sua publicação no site da Comissão Eleitoral Central", conclui o texto, assinado por Cristinel Grosu.

A CEC explica em um documento divulgado posteriormente que o motivo da rejeição da candidatura de Georgescu se baseia na decisão do Tribunal Constitucional de 6 de dezembro, que a considera "inadmissível". "O Tribunal Constitucional emitiu uma decisão implícita e vinculativa como generalidade por não cumprimento das condições previstas em lei para o registro de uma candidatura (...). Após a retomada do processo eleitoral, a mesma pessoa não pode cumprir as condições para ser nomeada presidente da Romênia", argumentou.

Georgescu apresentou sua candidatura na última sexta-feira como candidato independente e, em poucas horas, vários recursos foram apresentados contra ela, tanto na própria CEC quanto no Tribunal Constitucional.

"Tenho apenas uma mensagem: se a democracia na Romênia cair, todo o mundo democrático cairá", tuitou o próprio Georgescu após saber da decisão da CEC. "Isso é apenas o começo, é simples assim, a Europa agora é uma ditadura, a Romênia está sob tirania", denunciou.

PROTESTOS EM FRENTE À CECA

Após o anúncio da decisão, centenas de partidários de Georgescu se reuniram do lado de fora da sede da CEC e atacaram as cercas que protegiam a sede da instituição, jogando garrafas e outros objetos na polícia e nos jornalistas e incendiando o mobiliário urbano. Os policiais usaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Um veículo pertencente ao canal Digi TV foi derrubado, e a polícia de Bucareste abriu um processo criminal pelos danos. "Aqueles que cometerem atos de violência ou outros atos antissociais serão identificados e responsabilizados", advertiu.

"Pedimos aos manifestantes que evitem infringir a lei, mantenham a calma e protestem de forma pacífica e cívica por meio do diálogo com as equipes especializadas da polícia", disseram as autoridades, que pediram "às pessoas de boa fé que se distanciem desses grupos violentos cujo objetivo claro é interromper os protestos, induzir o pânico entre os cidadãos e cometer violência contra as forças da lei e da ordem".

O porta-voz da polícia, Marius Militaru, lembrou que a manifestação não é autorizada e enfatizou que os policiais receberam ordens de não responder a provocações. "Temos pessoal suficiente para gerenciar a situação e ela está mais calma agora. Estamos tentando reduzir a tensão por meio do diálogo", disse ele. Militaru se referiu aos relatos de um policial ferido: "Não posso confirmar que há um policial ferido. Preciso de mais informações.

APELO À CONSTITUIÇÃO

O ex-ministro da Justiça Tudorel Toader explicou em declarações ao jornal 'Adevarul' que não há opção para retificar a candidatura. "Não há procedimento para convidar um candidato a completar a documentação. Ele não pode vir amanhã e apresentar outra candidatura", disse ele.

O caminho a seguir é através de um recurso ao Tribunal Constitucional. "A lei diz que, dentro de 24 horas, qualquer pessoa que não esteja satisfeita com a decisão do CEC pode entrar com um recurso no Tribunal Constitucional. O tribunal examina e admite o recurso e anula ou não a decisão do CEC", acrescentou. De qualquer forma, a lista de candidatos deve ser fechada até 15 de março.

A ultraconservadora Aliança para a União dos Romenos (AUR) já condenou a decisão da CEC, "um novo abuso, uma continuação do golpe de Estado de 6 de dezembro", nas palavras do líder do partido, George Simion, que se referiu à data da anulação do primeiro turno das eleições presidenciais, em que Georgescu foi o candidato com o maior número de votos. "Abaixo o (primeiro-ministro Marcel) Ciolacu, abaixo os ditadores", acrescentou ele em uma mensagem publicada no site de rede social X.

Em seguida, ele publicou um vídeo no qual disse que os membros da CEC que decidiram invalidar a candidatura de Georgescu "deveriam ser esfolados em praça pública". "Por mais irritado que o mundo esteja, não posso mais assumir a responsabilidade por nada". "Aqueles que cometeram o golpe deveriam ser esfolados em praça pública pelo que fizeram", disse ele.

Em nível internacional, o bilionário Elon Musk, conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu à notícia da anulação da candidatura de Georgescu em sua rede social, X, chamando-a de "loucura".

Musk associou a decisão ao magnata húngaro-americano George Soros em uma mensagem posterior: "Soros de novo", em resposta a outra mensagem no X denunciando a "censura das vozes de direita em toda a Europa" e a "interferência nas eleições da Romênia", que ele atribui à ONG Avaaz e suas intervenções em países como Polônia, Espanha, Alemanha e França.

Georgescu, que simpatiza com as teses da Rússia, venceu contra todas as probabilidades no primeiro turno da eleição presidencial em 24 de novembro. No entanto, o Tribunal Constitucional anulou o processo alguns dias antes do segundo e último turno, depois que as autoridades questionaram a própria campanha de Georgescu e alertaram sobre a suposta interferência russa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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